15/06/2024 - Edição 540

Palavra do Editor

Na internet, qualquer tropeço pode ser fatal

Publicado em 11/04/2014 12:00 -

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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), tornou-se um ícone regional na internet duramente a campanha de 2012. Não tanto pelas suas qualidades políticas – cuja precariedade levaram a sua cassação pouco mais de um ano depois – mas pelo fenômeno gerado por meio da campanha de seu adversário, o peemedebista Edson Giroto, cujos marqueteiros resolveram comparar o currículo de “feitos” dos dois. Como resultado, uma paródia da campanha de Giroto virou meme no Facebook, transformando o que seria uma estratégia infalível num tremendo tiro pela culatra com dezenas de peças nas quais se atribuía a Giroto até a construção das pirâmides do Egito.

Também em Campo Grande, o vereador Marcos Alex (PT) pode ter tido no mal uso das redes sociais sua derrota nas eleições daquele ano, quando deixou de ser eleito por apenas oito votos. Então vice-presidente da Câmara de Vereadores, Alex protagonizou nas redes sociais um debate acalorado com a equipe da Semana On após uma reportagem em que mostrávamos a relação entre custo e a produção de cada vereador campo-grandense.

Em certo momento do debate no Facebook, Marcos Alex deu a entender que não deveria responder a reportagem, pois a revista não tinha leitores… A lambança virtual gerou dezenas de respostas indignadas de nossos leitores que, é óbvio, se julgavam dignos de serem ouvidos e de terem suas dúvidas sanadas por seus representantes. Quem sabe aqueles oito votos não foram perdidos ali, entre nossos leitores?

O espaço virtual arrebentou as barreiras protocolares que separavam o político e o eleitor.

Estes dois casos ocorridos na última campanha eleitoral mostram o quanto os políticos – e parte dos assessores que os cercam – estão despreparados para lidar com a selva da internet. Hoje, uma palavra equivocada, uma postura condenável, pode ser a diferença entre ser festejado ou execrado, entre ser eleito ou não.

O eleitor, por sua vez, está mais exigente, mais ciente de seu poder. Não considera um favor ou uma benesse ter uma pergunta respondida por um político que se arrisca nas redes sociais. O espaço virtual arrebentou as “barreiras protocolares” que separavam político e eleitor. É como se fossemos todos habitantes de uma cidadezinha do interior onde o prefeito esbarra com o barbeiro na praça, onde o vereador senta-se no banco da praça com o taxista.

Não há mais espaço para amadorismo na internet. Resta aos políticos encararem este novo ambiente com seriedade. Aos seus assessores cabe o dever de estarem preparados para fazer frente a uma guerra diária contra a omissão. Em um ambiente como este qualquer tropeço pode ser fatal.


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