21/02/2024 - Edição 525

Palavra do Editor

Imagem distorcida

Publicado em 29/01/2016 12:00 -

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Psicóloga da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, Áurea Caetano afirma ser comum as pessoas criarem um perfil de si próprias sem ter total consciência de que estão fazendo isso. Trata-se de uma versão da autoimagem – a forma como enxergamos a nós mesmos – que pode ser muito equivocada.

Este parece ser o caso de muitos políticos. Projetam para si próprios uma imagem de lisura, de correção. Imaginam-se em um patamar ético superior aos demais, tudo isso enquanto sustentam práticas perversas, pouco adequadas aos cargos que ocupam.

Nestes casos, as grandes prejudicadas são as relações humanas na medida em que alguém com autoimagem distorcida tem dificuldades em perceber defeitos, erros e limitações. Aqui em Campo Grande (MS) temos um exemplo muito bem ilustrado deste tipo de pessoa. Trata-se do prefeito Alcides Bernal.

Desde seu primeiro dia de mandato, até hoje, o prefeito fez questão de interromper o diálogo com as demais instituições. Do Legislativo municipal ao Judiciário, das entidades representativas do funcionalismo a imprensa.

De fato, esta gestão esbarra em um grave problema de autoimagem.

Somos, segundo o prefeito, uma cidade repleta de crateras porque a oposição sai pelas sombras da noite, picareta em punho, abrindo buracos pelas avenidas. Somos um município a beira de um caos na saúde porque seus inimigos se organizam para lotar os postos de saúde. Somos uma capital onde, volta e meia, o lixo se acumula por boa parte dos bairros porque uma máfia se locupletava de contratos ilícitos. Somos uma cidade sem investimentos em cultura pois o prefeito passado não pagou os artistas. Somos um município com baixa qualidade de ensino porque alguns funcionários públicos trabalham para seus desafetos. Somos uma capital que dá calote em servidores pois entre eles só há fantasmas…

A mistificação é a arma dos incompetentes e, em alguns casos, a muleta dos paranoicos. Para este pessoal, atribuir a outros as suas responsabilidades é a melhor forma de se esquivar delas. E o pior é que há quem acredite nestas assombrações.

"Quando a ideia que a pessoa tem de si mesma é muito distorcida, há algum problema mais sério que pode levar a distúrbios de personalidade", diz Áurea Caetano. Mas, não importa: quando me olho no espelho me vejo como um soberano bondoso, um prócere da dignidade, um exemplo de honradez…

E assim vamos nós, rumo a mais uma eleição com a incrível possibilidade de prorrogarmos por mais quatro anos este verdadeiro desastre administrativo.

Campo Grande não merece.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *