25/02/2024 - Edição 525

Palavra do Editor

A desumanização como arma política

Publicado em 11/09/2015 12:00 -

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Uma guerra entre humanos e sub-humanos. Era desta forma que Heinrich Himmler, o arquiteto da tropa de elite política do nazismo, a SS, se referia ao embate que assolaria o mundo entre 1938 e 1945. A descaracterização da humanidade tem permitido que todo o tipo de atrocidade seja cometida por aqueles que se consideram resguardados por uma ideia de raça, credo ou ideologia que se julgue superior às demais.

A xenofobia – o preconceito aos estrangeiros – é um dos tentáculos deste monstro.

Ela tem sido uma característica dos movimentos de extrema direita e base para grandes movimentos sociais e religiosos excludentes durante toda a história. Este modo torto de enxergar o mundo e o outro saltou aos olhos de milhões de pessoas há alguns dias, quando a cinegrafista húngara Petra Lazlo aplicou uma rasteira em um refugiado sírio que, com uma criança pequena no colo, tentava cruzar a fronteira da Sérvia com a Hungria (Veja o vídeo).

O futuro, construído sob a égide da exclusão e dos nacionalismos exacerbados, pode repetir o passado no que ele tem de pior.

Lazlo foi execrada publicamente e demitida do canal N1TV. A emissora, no entanto, possui ligações estreitas com o partido de extrema-direita Jobbik, fundado em 2003, e que atualmente é a terceira maior legenda no Parlamento Húngaro.

A desumanização inerente à cena é flagrante. Um homem corre em desespero, com a criança em seus braços, enquanto outro ser humano simplesmente estica sua perna e o derruba, como se tratasse de uma coisa e não alguém. Quando permitimos a coisificação do homem, abrimos caminho para a barbárie. Para o descarte em massa de pessoas indesejadas. Para a classificação de seres humanos como sub-humanos, como fez Himmler sob a carapaça do nazismo.

O partido Jobbik – do qual o canal N1TV e a cinegrafista Petra Lazlo são adeptos – representa na Hungria o que vem ocorrendo em diversos países europeus. Diante de uma crise econômica avassaladora, a extrema-direita apela à xenofobia e ao racismo para angariar votos ao seu discurso de ultranacionalismo.  

Não é necessário ser um profundo conhecedor de história para saber até onde este comportamento pode nos levar. O futuro, construído sob a égide da exclusão e dos nacionalismos exacerbados, pode repetir o passado no que ele tem de pior.


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