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Mato Grosso do Sul

Vacinação contra influenza já pode começar nos municípios de MS

Estado concentra maior incidência de chikungunya no país e responde por um terço das mortes

Publicado em 25/03/2026 11:06 - Semana On

Divulgação Gov MS

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A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) orienta que os municípios já iniciem a aplicação da vacina contra a influenza, mesmo antes do Dia D da mobilização nacional, marcado para o próximo sábado, 28 de março. As doses da primeira remessa já foram entregues aos 79 municípios, permitindo que cada gestão local organize o início imediato da imunização em suas unidades de saúde.

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De acordo com a coordenadora estadual de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, a antecipação é estratégica devido ao momento atual. “A vacina chega em um cenário epidemiológico ruim para o Estado, onde já registramos uma circulação viral alta. Por isso, precisamos vacinar o maior número de pessoas o quanto antes, especialmente os grupos de maior vulnerabilidade”, destacou.

A estratégia segue o calendário do Ministério da Saúde, que prevê a mobilização nacional até o dia 30 de maio. No entanto, o foco é garantir a proteção antes do período de maior circulação dos vírus respiratórios. A coordenadora reforça que o início imediato nas unidades não anula a importância da grande mobilização de sábado.

“A manutenção do Dia D, no dia 28 de março, é fundamental. É o momento em que conseguimos captar e ofertar a vacina para um número muito grande de pessoas de uma só vez, ampliando rapidamente a nossa cobertura”, acrescentou Ana Paula.

Dados e Público-Alvo

A primeira remessa destinada a Mato Grosso do Sul conta com 80 mil doses, o que representa cerca de 6,5% da população-alvo estimada (aproximadamente 1,1 milhão de pessoas). A meta é vacinar, no mínimo, 90% de cada um dos grupos prioritários, com atenção especial aos “grupos de rotina”:

– Crianças (6 meses a menores de 6 anos);

– Gestantes e puérperas;

– Idosos (60 anos ou mais);

– Pessoas com comorbidades.

A campanha também contempla trabalhadores da saúde, professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, caminhoneiros, entre outros grupos definidos pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações).

Ações Estratégicas

Para facilitar o acesso, o Estado prevê ações complementares, como atividades extramuros com o uso do Vacimóvel e mobilizações intensificadas em cidades polos como Corumbá, Dourados e Ponta Porã, em parceria com as prefeituras.

A SES reitera que a vacinação é a ferramenta mais eficaz para evitar casos graves, internações e óbitos. A orientação é que o público prioritário não espere e procure a unidade de saúde mais próxima o quanto antes.

Estado concentra maior incidência de chikungunya no país

Mato Grosso do Sul ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de incidência de chikungunya em 2026, com taxa de 103,9 casos por 100 mil habitantes — índice que coloca o Estado como o único do país classificado com incidência média da doença. Ao todo, são 3.038 casos prováveis registrados até o momento, embora a última semana tenha apresentado uma queda de 47,8%, após um período de forte avanço iniciado na segunda quinzena de fevereiro.

No cenário nacional, o contraste é significativo. A média brasileira é de 9,2 casos por 100 mil habitantes, o que coloca Mato Grosso do Sul cerca de 91% acima desse patamar. Na sequência do ranking aparecem Goiás, com 78,9 casos por 100 mil habitantes, e Rondônia, com 27,1. O Brasil soma 19.537 casos prováveis, além de 12 mortes confirmadas e 13 sob investigação. Desse total, aproximadamente 15,5% das ocorrências e um terço dos óbitos estão concentrados em território sul-mato-grossense.

O comportamento da doença no Estado revela uma trajetória de crescimento acelerado. O ano começou com 139 casos prováveis — número já 33,6% superior ao registrado na última semana de 2025. Nas semanas seguintes, houve avanço contínuo, com pequenas retrações pontuais, até a explosão registrada a partir de 15 de fevereiro. O ápice ocorreu no início de março, quando foram contabilizadas 477 notificações em apenas sete dias. Desde então, os indicadores recuaram, aproximando-se dos níveis observados no início de fevereiro, ainda acima dos registros de janeiro e da média nacional.

Entre os municípios, Dourados permanece como principal foco da epidemia. A cidade registrou redução expressiva de 63,8% nos casos semanais — de 94 para 34 entre os períodos de 8 a 14 e 15 a 21 de março. Apesar da queda recente, o acumulado chega a 564 casos prováveis. Na Reserva Indígena local, quatro mortes já foram confirmadas, e equipes da Força Nacional do SUS atuam no enfrentamento do surto nas aldeias.

Outras cidades também apresentam tendência de alta. Jardim registrou aumento de 85,7% nos casos na última semana, passando de 14 para 26 notificações. Em Amambai, o crescimento foi de 41,6%, com elevação de 36 para 51 casos suspeitos. Municípios como Douradina, Iguatemi e Sonora tiveram acréscimo de três casos cada, enquanto Anaurilândia, Chapadão do Sul, Mundo Novo e Nioaque registraram aumento de dois casos. Angélica e Laguna Carapã completam a lista, com incremento de um caso em cada localidade.

O perfil epidemiológico indica maior incidência entre mulheres, que representam 57% dos infectados, frente a 43% de homens. Em relação à raça ou cor, 45% dos casos foram registrados entre pessoas pardas, 29,5% entre brancos e 11,72% entre indígenas.

Os dados constam no painel de arboviroses do Ministério da Saúde. Já a Secretaria Estadual de Saúde (SES) não divulga atualizações detalhadas desde 7 de março. Em nota, o órgão informou que alterou o cronograma de publicação dos boletins epidemiológicos devido à mobilização das equipes no enfrentamento do surto em Dourados. Segundo a pasta, os esforços estão concentrados nas ações emergenciais no município.

Governo disponibiliza 15 leitos exclusivos em Dourados

O Governo de Mato Grosso do Sul disponibiliza, por intermédio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), 15 leitos exclusivos para o atendimento de pacientes com Chikungunya no HRD (Hospital Regional de Dourados). Do total, 10 leitos são adultos e 5 pediátricos.

A medida tem caráter transitório e permanecerá vigente enquanto perdurar a necessidade assistencial e busca fortalecer a capacidade de resposta do hospital diante do aumento da demanda por atendimentos relacionados à doença.

Atualmente, o HRD conta com 100 leitos, sendo 20 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sendo que os leitos exclusivos para Chikungunya estão inseridos dentro dessa estrutura.

De acordo com a diretora-geral do hospital, Andréia Alcântara, a organização da assistência é fundamental neste momento. “Estamos atuando de forma estratégica para garantir o atendimento adequado à população, organizando nossos fluxos internos e destinando leitos específicos para os casos de Chikungunya. Essa é uma medida importante para assegurar qualidade e segurança no cuidado aos pacientes”, destaca.

Prevenção e cuidados

Além da ampliação da assistência, a SES reforça a importância da prevenção como principal forma de enfrentamento da Chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do Zika vírus.

A infectologista do HRD, Renata Praça, alerta que a eliminação de criadouros do mosquito é fundamental para conter a disseminação da doença. “A principal forma de prevenção é evitar água parada em recipientes como garrafas, pneus, vasos de plantas e caixas d’água destampadas. Pequenas atitudes no dia a dia fazem toda a diferença na redução dos casos”, explica.

A especialista também orienta que, ao apresentar sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e manchas na pele, a população deve procurar atendimento de saúde e evitar a automedicação.

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