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Mato Grosso do Sul
Operações apontam irregularidades em investimentos que causaram prejuízo de R$ 9 milhões a fundos de aposentadoria de servidores municipais
Publicado em 28/05/2026 8:31 - Semana On
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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28) as operações Zehirut e Charitzut para investigar aplicações financeiras realizadas por institutos de previdência de Mato Grosso do Sul que resultaram em perdas de aproximadamente R$ 9 milhões em recursos de aposentados e servidores públicos municipais. Os principais alvos da investigação são os institutos de previdência de Fátima do Sul e Angélica, responsáveis por investimentos no Banco Master que acabaram comprometendo os cofres previdenciários.
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O maior prejuízo identificado até o momento ocorreu em Fátima do Sul, onde o IPREFSUL (Instituto de Previdência dos Servidores Municipais) aplicou R$ 7 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Em Angélica, o IPA (Instituto de Previdência de Angélica) perdeu outros R$ 2 milhões com operações semelhantes.
As investigações estão sob responsabilidade da Delegacia da Polícia Federal em Dourados, que cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e São Paulo. As diligências ocorreram em endereços ligados aos investigados, sendo um mandado em Fátima do Sul, sete em Angélica e outro na capital paulista. Alguns servidores públicos também foram afastados de suas funções por determinação judicial.
Segundo a Polícia Federal, os levantamentos iniciais apontam “indícios de irregularidades em investimentos realizados em Letras Financeiras de banco privado, em 2024”. O nome das operações faz referência, em hebraico, a conceitos associados à administração pública: “Zehirut” significa prudência, enquanto “Charitzut” remete à diligência — princípios considerados essenciais na gestão de recursos previdenciários.
A ofensiva marca a primeira ação da PF em Mato Grosso do Sul voltada à apuração de possíveis responsabilidades de gestores públicos e agentes políticos envolvidos em aplicações financeiras vinculadas ao Banco Master. A instituição financeira é controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, com prejuízos estimados em cerca de R$ 42 bilhões.
Os investigadores apuram se houve negligência, omissão ou eventual participação de agentes públicos na autorização das aplicações, especialmente porque, à época dos investimentos, o mercado financeiro e especialistas da área já alertavam para os elevados riscos associados às operações oferecidas pelo banco.
No caso de Fátima do Sul, o aporte de R$ 7 milhões ocorreu durante a gestão da prefeita Ilda Machado (PSD), esposa do deputado estadual Londres Machado (PP). Já em Angélica, a aplicação dos R$ 2 milhões foi realizada no mandato do então prefeito Roberto Cavalcanti (União Brasil).
Além dos dois municípios diretamente atingidos pelas operações desta quinta-feira, outras cidades sul-mato-grossenses também registraram prejuízos após investir recursos públicos no Banco Master. Em São Gabriel do Oeste, as perdas chegaram a R$ 3 milhões. Em Jateí, o prejuízo foi de R$ 2,5 milhões. Já em Campo Grande, o montante perdido alcançou R$ 1,2 milhão. Entre os gestores citados nos casos envolvendo aplicações no banco, a prefeita da Capital, Adriane Lopes (PP), é a única que permanece no cargo.
As investigações em Mato Grosso do Sul se somam a outras operações já realizadas pela Polícia Federal em estados como Rio de Janeiro e Amapá, onde também foram identificadas suspeitas relacionadas a investimentos de fundos públicos de previdência no Banco Master.
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