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Mato Grosso do Sul
Novo foco de incêndio já destruiu quase 2 mil hectares na APA Baía Negra
Publicado em 14/10/2025 9:22 - Semana On
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Três dias após conterem as chamas que devastaram cerca de 30 mil hectares na Serra do Amolar, equipes do Ibama/Prevfogo enfrentam um novo desafio: o combate a um incêndio na Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O fogo, iniciado no sábado (11), já consumiu aproximadamente 1.920 hectares de vegetação nativa. As causas ainda são desconhecidas.
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A operação envolve 13 brigadistas do Prevfogo, oito da Brigada Pronto Emprego Pantanal, cinco da Taunay Ipegue e membros da brigada comunitária da própria APA. As equipes contam com o apoio de um helicóptero, três viaturas, um caminhão ABTF (Auto Bomba Tanque Florestal), além do reforço do Corpo de Bombeiros Militar e da Marinha do Brasil. A prioridade atual é proteger as áreas em processo de restauração dentro da unidade de conservação, que, até o momento, permanecem intactas.
Criada em 2010, a APA Baía Negra é uma das primeiras unidades de conservação municipais do Pantanal. Reconhecida por sua importância ecológica, a área abriga comunidades tradicionais ribeirinhas que vivem da pesca e de práticas agroextrativistas sustentáveis. A presença humana e a biodiversidade ali preservada tornam os danos ambientais ainda mais graves.
Cenário crítico e recorrente
O novo foco de incêndio ocorre poucos dias após o fim do combate às chamas na Serra do Amolar, em Corumbá (MS), próximo à fronteira com a Bolívia. Ali, o fogo teve início em 28 de setembro, provocado pela queda de um raio, e se espalhou rapidamente devido às condições climáticas extremas: altas temperaturas, baixa umidade e estiagem prolongada. O saldo foi devastador: 30 mil hectares consumidos em uma região considerada patrimônio natural da humanidade.
A propagação das chamas, tanto na Amolar quanto na Baía Negra, escancara a vulnerabilidade do Pantanal diante do avanço das mudanças climáticas e da insuficiência de políticas públicas permanentes de prevenção e resposta. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), só em setembro de 2025 o bioma registrou mais de 2.300 focos de calor — número 150% maior do que no mesmo período do ano passado.
Prevenção feita por voluntários
Em agosto, antes mesmo da chegada da temporada seca mais severa, brigadas voluntárias iniciaram ações preventivas na APA Baía Negra, como a abertura de aceiros com maquinário. Apesar dos esforços comunitários, o novo incêndio reforça o alerta: a prevenção precisa deixar de ser responsabilidade quase exclusiva de moradores e ONGs e se transformar em política pública articulada, com recursos permanentes, logística adequada e presença do Estado.
Como destaca o biólogo e especialista em conservação André Luiz do Prado, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), “a ausência de uma política ambiental estruturada para o Pantanal, aliada ao desmonte de órgãos ambientais nos últimos anos, criou um vácuo perigoso para o bioma”. Prado alerta que “o Pantanal está se tornando uma terra de incêndios crônicos, e o custo ambiental disso será irreversível se medidas concretas não forem tomadas”. [Fonte: Entrevista ao portal ((o))eco, 12/10/2025].
Patrimônio em risco
Tanto a Serra do Amolar quanto a Baía Negra integram áreas de relevância ecológica reconhecida internacionalmente. O primeiro está inserido na Reserva da Biosfera do Pantanal e abriga espécies ameaçadas, como a onça-pintada e a ariranha. Já a Baía Negra foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como exemplo de gestão comunitária de áreas protegidas.
A recorrência dos incêndios nessas regiões indica não apenas a força destrutiva da estiagem e do clima extremo, mas também a ausência de um sistema robusto de proteção ambiental. Em vez de emergenciais e pontuais, as ações de enfrentamento precisam ser planejadas, financiadas e integradas — antes que o Pantanal vire cinzas, definitivamente.
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