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Mato Grosso do Sul

Lista suja do trabalho escravo inclui 25 empregadores de MS

Estado é o terceiro com mais infratores e pecuária lidera flagrantes

Publicado em 13/10/2025 1:53 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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A nova atualização da “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) expôs um dado alarmante: 25 empregadores de Mato Grosso do Sul foram incluídos na relação de pessoas físicas e jurídicas flagradas submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. O número coloca o estado na terceira posição entre os que mais cometeram infrações, atrás apenas de Minas Gerais (33) e São Paulo (19).

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A lista, publicada semestralmente pelo MTE, reúne nomes de empregadores que violaram a legislação trabalhista de forma grave, sendo responsabilizados por práticas que configuram redução à condição análoga à de escravo — crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Nesta edição, foram incluídos 159 empregadores em todo o país, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas, o que representa aumento de 20% em relação ao levantamento anterior.

No total, 199 trabalhadores foram resgatados das situações de exploração nesta atualização da lista. Entre 2020 e 2025, o número de pessoas libertadas no país já chega a 1.530, segundo dados oficiais do ministério. A reincidência de casos e a abrangência nacional da prática reforçam o alerta para a persistência de formas contemporâneas de escravidão, muitas vezes invisíveis aos olhos da sociedade.

Criação de gado lidera flagrantes

Em termos de setores econômicos, a atividade mais recorrente entre os infratores continua sendo a pecuária: 20 empregadores inseridos na lista atuavam na criação de bovinos para corte. Em seguida vêm os serviços domésticos (15 casos), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Os dados desmentem a percepção comum de que o trabalho escravo está restrito às zonas rurais ou às cadeias produtivas agrícolas.

O próprio Ministério do Trabalho alerta para uma mudança preocupante: 16% das inclusões nesta edição estão ligadas a atividades do meio urbano, o que indica um deslocamento da exploração para ambientes como centros urbanos, residências particulares e canteiros de obras.

Esse avanço do trabalho escravo para áreas urbanas já vinha sendo apontado por pesquisadores. Em entrevista à Agência Brasil, a procuradora do Trabalho e especialista em combate ao trabalho escravo, Ana Maria Villa Real, destacou que “o trabalho escravo está cada vez mais próximo dos grandes centros e assume novas formas de ocultação, muitas vezes sob a aparência de relações formais”.

Mato Grosso do Sul: recorrência preocupa

O destaque de Mato Grosso do Sul no ranking nacional acende um sinal de alerta para as autoridades locais. A reincidência do estado em edições anteriores da lista evidencia fragilidades na fiscalização e persistência de redes de exploração laboral, especialmente no setor agropecuário. Com vastas áreas de produção voltadas à exportação de carne bovina, o estado figura entre os maiores produtores do país, o que, segundo especialistas, aumenta a vulnerabilidade dos trabalhadores temporários e migrantes.

O pesquisador Leonardo Sakamoto, membro da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), tem reiterado que o combate efetivo ao trabalho escravo exige ações conjuntas entre fiscalização, responsabilização de empresas e educação da sociedade. “A cadeia produtiva precisa ser rastreável. O consumidor e o investidor têm o direito de saber se há sangue, suor e lágrimas escondidos atrás de um produto barato”, afirmou em entrevista à DW Brasil em 2022.

Transparência e denúncia

A chamada Lista Suja foi criada em 2003 e se tornou uma das principais ferramentas de combate à escravidão moderna no Brasil. Sua publicação semestral tem como objetivo dar transparência às ações fiscais e ampliar a pressão social sobre infratores, ao expor publicamente os responsáveis por violações.

A inclusão de um nome na lista ocorre após processo administrativo com ampla defesa e só se concretiza quando há comprovação das irregularidades por meio de fiscalização. A divulgação da lista é considerada uma medida eficaz por organismos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), e serve de referência para instituições financeiras e empresas comprometidas com critérios de responsabilidade social.

Cidadãos podem denunciar casos de trabalho análogo à escravidão de forma anônima e sigilosa pelo Sistema Ipê, uma plataforma online do MTE.

Perspectiva crítica e responsabilidade coletiva

A manutenção de práticas escravistas em pleno século XXI, inclusive em estados como Mato Grosso do Sul, expõe a contradição entre o discurso de desenvolvimento econômico e a realidade dos direitos trabalhistas no país. Apesar de avanços legais e institucionais, o problema persiste em grande parte devido à impunidade, à precarização do trabalho e à omissão de setores econômicos que se beneficiam da informalidade e da desigualdade estrutural.

A cada nova edição da lista, o desafio se reafirma: não basta punir os infratores, é preciso desmantelar as estruturas que tornam o trabalho escravo um modelo de negócio viável. Enquanto houver lucros baseados na exploração humana, a liberdade plena dos trabalhadores brasileiros seguirá comprometida.

Veja a lista dos empregadores de MS

EMPREGADOR ESTABELECIMENTO MUNICÍPIO VÍTIMAS RESGATADAS
AIRTON DE ARAUJO GOMES FAZENDA SÃO JOSÉ CORUMBÁ 9
ALAIR RIBEIRO FERNANDES FAZENDA SÃO FRANCISCO BONITO 4
ALBERTO JUNIOR PELLIN FAZENDA SUCURI II CARACOL 5
ALTEMAR ESTEVAM FAZENDA REPRESA RIBAS DO RIO PARDO 12
ANTONIO PAULO MOHAMED XAVIER FAZENDA POUSADA DO SUL CORUMBÁ 5
APARECIDO CHRISTOFOLLI FAZENDA SÃO CRISTOVÃO I NOVA ANDRADINA 19
CARLOS ALBERTO TAVARES OLIVA FAZENDA REBOJO CORUMBÁ 4
CLAUDINEI LEITE DE QUEIROZ FAZENDA SANTO ANTONIO CORUMBÁ 1
CLAUDIO MARTINHO ROJAS FAZENDA BANDEIRANTES PORTO MURTINHO 7
CRISTIANO RIBEIRO XAVIER FAZENDA SANTA RUTE CORUMBÁ 3
FAZENDA SERRADINHO LTDA FAZENDA FORMOSO BONITO 8
JOAO SILVA DE SOUZA FAZENDA SÃO LOURENÇO PONTA PORÃ 5
KELIS BEZERRA DA SILVA LTDA FAZENDA SÃO JOAQUIM ANGÉLICA 31
LLB PRESTADORA DE SERVICOS LTDA FAZENDA CAMPO ALEGRE CORUMBÁ 8
MARCIO ANTONIO DE CARVALHO FAZENDA BOA SORTE PORTO MURTINHO 7
MARCIO ANTONIO NANTES FAZENDA VACA BRANCA NOVA ALVORADA DO SUL 5
MOACIR DUIM JUNIOR FAZENDA CARANDAZAL CORUMBÁ 4
NILSON PEREIRA BENTO FAZENDA INVERNADA DO PIRI PORTO MURTINHO 1
NILTON DE ARAUJO GOMES FAZENDA SÃO JOSÉ CORUMBÁ 7
QUIRINO AZEVEDO DE OLIVEIRA FAZENDA NOSSA SENHORA APARECIDA CORUMBÁ 1
SUMAIA CARVAO VEGETAL LTDA FAZENDA PIÚVA AQUIDAUANA 9
VALDINEI APARECIDO ROQUE FAZENDA PEDRA NEGRA APARECIDA DO TABOADO 20
VILSO GAVA CHÁCARA SOSSEGO LAGUNA CAARAPÃ 6
VIRGILIO METTIFOGO FAZENDA MARRETA DOURADOS 7
WANDERLEI LOPES FAZENDA GUARUJÁ CARACOL 11

MS se consolida como estado exportador de produtos para mais de 120 países


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