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Mato Grosso do Sul

Operação Focus intensifica combate às queimadas em MS: multas superam R$ 34 milhões

PMA e Imasul tentam frear avanço do fogo no Pantanal: mais de 40 mil hectares já foram destruídos

Publicado em 15/10/2025 12:27 - Semana On

Divulgação Gov MS

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A Operação Focus, coordenada pela Polícia Militar Ambiental (PMA) e pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), já aplicou mais de R$ 34 milhões em multas por queimadas ilegais no Estado. Desde o início de agosto, foram fiscalizados 120 locais e lavrados 30 autos de infração, atingindo uma área total de 9.498 hectares degradados. Em meio a um dos períodos mais críticos de estiagem no Pantanal, a ofensiva busca conter os incêndios florestais que avançam sobre áreas de proteção ambiental e propriedades rurais.

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Com vigência prevista até 30 de novembro — e estendida até 31 de dezembro nas regiões do Pantanal —, a operação intensifica o uso de tecnologia para rastrear focos de calor em tempo real, permitindo a atuação das equipes ainda com o fogo em curso. “A ideia é estabelecer um canal direto com o Imasul para canalizar denúncias e deslocar rapidamente as equipes de fiscalização”, afirma o capitão André Leonel, da PMA. “Assim, conseguimos autuar os infratores e registrar a cicatriz ambiental antes que o dano se amplie”.

Entre janeiro e julho, o setor de geoprocessamento do Imasul já havia identificado cerca de 500 focos de queimadas sem autorização ambiental. A atuação conjunta com as 26 subunidades da PMA busca acelerar o processo de responsabilização e mitigação dos impactos, com a apreensão de equipamentos e aplicação de embargos administrativos. A operação também inclui registros fotográficos e delimitação das áreas atingidas para fins de responsabilização civil, administrativa e criminal.

Um dos casos mais graves ocorreu em setembro, em Bodoquena, quando uma queimada controlada em folhas secas saiu do controle devido aos ventos fortes, atingindo 194 hectares — incluindo 120 hectares de vegetação nativa — e se alastrando por 22 propriedades vizinhas. O responsável foi autuado em R$ 1,4 milhão, com base no Decreto Federal nº 6.514/2008, que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais. O caso também gerou boletim de ocorrência para apuração de responsabilidade penal.

A PMA alerta que o uso do fogo sem autorização continua proibido em todo o Estado, e reforça a importância de práticas seguras de manejo. A população é incentivada a denunciar atividades suspeitas, sobretudo durante o período seco, que historicamente aumenta o risco de incêndios de grandes proporções.

Pantanal em chamas: foco também na APA Baía Negra

Paralelamente às ações da PMA, o fogo avança sobre áreas sensíveis do Pantanal. Um incêndio iniciado no último sábado (12) já destruiu 2 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário (MS), de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Polícia Federal abriu inquérito para apurar indícios de ação humana na origem do fogo, que ameaça comunidades tradicionais e assentamentos rurais próximos.

Já na Serra do Amolar, outro foco iniciado em 28 de setembro por causa de um raio devastou cerca de 30 mil hectares ao longo de 16 dias. Embora a chuva tenha ajudado a conter as chamas, o trabalho dos brigadistas segue em fase de rescaldo. A região, reconhecida como patrimônio natural da humanidade pela UNESCO, abriga uma das porções mais preservadas do Pantanal, mas sofre com o agravamento das secas e a dificuldade de acesso para o combate aos incêndios.

Segundo o coordenador nacional do Prevfogo/Ibama, Felipe Augusto Dias, “o Pantanal vive um colapso ambiental anunciado”. Em entrevista à BBC Brasil em julho de 2024, Dias alertou: “O avanço do desmatamento, somado às mudanças climáticas, transforma o bioma em um barril de pólvora todos os anos”.

Impacto ambiental e histórico de omissões

Desde 2020, o Pantanal acumula recordes negativos: foram mais de 4,5 milhões de hectares queimados entre 2020 e 2021, segundo levantamento do MapBiomas Alerta. Em 2023, apesar da ligeira redução nas queimadas, a seca histórica — associada ao El Niño e à degradação ambiental — voltou a agravar a situação, elevando o risco de incêndios incontroláveis.

Organizações ambientais criticam a falta de políticas estruturais de prevenção e a morosidade no cumprimento das metas do Plano de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais no Pantanal. Em nota conjunta divulgada em setembro, o Observatório do Pantanal afirmou que “a reação às queimadas ainda é marcada por improviso, enquanto a destruição avança sobre áreas de alto valor ecológico e cultural”.

Com a Operação Focus, o governo estadual tenta conter parte dessa destruição, mas o cenário segue preocupante. O combate ao fogo exige mais do que autuações e multas pontuais: demanda investimento contínuo em prevenção, fiscalização permanente e políticas públicas integradas com as comunidades locais. Afinal, como advertem os especialistas, o Pantanal não pode continuar ardendo sob os olhos da omissão.

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