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Mato Grosso do Sul

MS inaugura 51ª Sala Lilás e reforça rede de apoio a mulheres vítimas de violência

Perícia integrada à Casa da Mulher acelera investigações e fortalece combate à violência doméstica

Publicado em 20/08/2025 11:01 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Mato Grosso do Sul segue avançando na política de proteção a mulheres vítimas de violência. No próximo dia 22 de agosto, será inaugurada, em Mundo Novo, a 51ª Sala Lilás do Estado. A unidade funcionará na Delegacia da Polícia Civil da cidade e integra um conjunto de medidas do governo estadual para ampliar o acolhimento humanizado e especializado no combate à violência de gênero.

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Com a nova instalação, o estado atinge a marca de 51 Salas Lilás e 12 Delegacias de Atendimento à Mulher (DAMs) distribuídas pelo interior do estado, mais a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande, que funciona na Casa da Mulher Brasileira. Somente na atual gestão do governador Eduardo Riedel, iniciada em 2023, foram implantadas 26 novas salas — mais que o dobro do número existente até então.

Segundo o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antonio Carlos Videira, a estratégia representa um compromisso da gestão com a proteção de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e sexual. O investimento abrange a infraestrutura, capacitação de equipes e integração com as redes de assistência social dos municípios.

“A expansão das Salas Lilás é um dos pilares da nossa política de segurança pública. São ações que mostram nosso compromisso com uma justiça mais acessível, empática e eficaz para quem mais precisa”, afirmou o secretário Videira.

O que são as Salas Lilás

As Salas Lilás são espaços reservados dentro de delegacias da Polícia Civil, idealizados para garantir privacidade e atendimento humanizado a vítimas de violência. Implantadas com base nos princípios da Lei Maria da Penha (11.340/06) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90), elas oferecem suporte especializado para o registro de boletins de ocorrência, solicitação de medidas protetivas de urgência e requisição de exames periciais — tudo no mesmo local.

O atendimento é realizado por equipes capacitadas, com escuta qualificada e apoio psicológico, reduzindo o risco de revitimização e o impacto emocional de quem procura a Polícia Civil para pedir ajuda.

A primeira Sala Lilás de Mato Grosso do Sul foi criada em 2019. Desde então, o projeto tem se consolidado como uma política de Estado. A atuação ocorre em parceria com os serviços de assistência social dos municípios, que mantêm técnicos de plantão para acompanhar as vítimas durante os trâmites na delegacia e no encaminhamento posterior a redes de proteção.

Conforme o Delegado-Geral da Polícia Civil, Lupérsio Degerone Lúcio, o grande trunfo do projeto é o trabalho integrado. “Em situações graves, o delegado aciona um profissional do serviço social, que acompanha a vítima durante todo o atendimento e garante suporte contínuo, inclusive com acesso a abrigos, benefícios sociais e inclusão em programas de capacitação e empregabilidade”, explica.

Nova unidade em Mundo Novo

Para o delegado Alex Junior da Silva, titular da delegacia de Mundo Novo, a instalação da Sala Lilás no município representa um avanço concreto no enfrentamento à violência contra a mulher.

“Não se trata apenas de uma estrutura física, mas de um espaço planejado para que as vítimas se sintam seguras e acolhidas. A sala também será usada para atendimentos integrados, com a presença de profissionais de diferentes áreas, todos capacitados para prestar o suporte necessário”, afirmou.

Além de Mundo Novo, os municípios de Sidrolândia, Bonito, Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Nova Andradina, Amambai, Iguatemi e outros já contam com unidades em funcionamento. A expectativa do governo é de que novas inaugurações sejam realizadas até o fim do ano.

Violência mulher

Perícia integrada à Casa da Mulher acelera investigações e fortalece combate à violência doméstica

Desde março de 2023, a presença da Polícia Científica dentro da Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, tem transformado a resposta do Estado à violência contra a mulher. A mudança permitiu que o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) realizasse perícias no mesmo espaço em que a vítima é acolhida, registra ocorrência e recebe atendimento psicológico — o que reduziu o tempo entre a denúncia e a produção de provas técnicas.

O impacto é visível nos números. Em 2024, a unidade do IMOL na Casa da Mulher registrava uma média de 60 atendimentos mensais. Em 2025, esse número mais que dobrou, com 144 atendimentos apenas em maio.

Segundo a perita médica-legista Monique Massuda, que atua na unidade desde sua criação, a integração acelera os trâmites e fortalece as investigações. “A missão da Polícia Científica é garantir à mulher que sua queixa não será ignorada. O laudo pericial é decisivo nesse caminho, porque é com ele que podemos responsabilizar quem cometeu a violência ou esclarecer quando não houve crime”, afirma.

Atendimento técnico com acolhimento

Além da produção de provas, o foco também está no atendimento humanizado. “As vítimas chegam emocionalmente abaladas, depois de passarem por delegacia, psicóloga, assistente social. Explico todo o procedimento, deixo claro que não precisam reviver tudo em detalhes. O controle é delas”, relata Monique.

O preparo começa antes mesmo do exame pericial. A perita estuda o boletim de ocorrência para evitar perguntas repetidas, e reforça à vítima que ela pode interromper o exame a qualquer momento. “Nosso papel é técnico, mas também é humano. Isso muda a forma como essa mulher encara o processo”, diz.

Modelo de atendimento se expande no Estado

A unidade do IMOL na Casa da Mulher é a mais recente de uma série de ações voltadas ao atendimento especializado em Mato Grosso do Sul. Desde 2017, a capital já conta com a Sala Lilás, ambiente exclusivo para mulheres, meninas e crianças vítimas de violência. O modelo também foi implementado em Amambai, em 2022, dentro da Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI).

Em Dourados, o projeto Acalento leva a perícia para dentro do Hospital Universitário da UFGD, unindo atendimento médico, psicológico, policial e pericial no mesmo espaço.

Para o diretor do IMOL, perito médico-legista Sílvio Lemos, essas estruturas fortalecem a rede de proteção e aumentam a eficácia da resposta do Estado. “Ter a perícia dentro da Casa da Mulher Brasileira faz diferença. Garante que a materialização do crime aconteça com agilidade, segurança e respeito”, afirma.

Cada laudo, um passo para a responsabilização

A atuação da Polícia Científica começa na cena do crime e segue até o tribunal. Equipes especializadas isolam a área, registram vestígios e coletam materiais que podem se transformar em provas técnicas, como DNA, exames toxicológicos ou estudos balísticos.

No caso de vítimas sobreviventes, o atendimento é feito com privacidade, escuta qualificada e atenção ao trauma. Já nas situações em que há morte, a necropsia segue o mesmo padrão de respeito e rigor técnico.

Durante o Agosto Lilás, campanha nacional de combate à violência contra a mulher, o exemplo de Mato Grosso do Sul chama atenção para a importância da integração entre instituições. “Cada laudo emitido é um passo para responsabilizar quem cometeu o crime”, conclui Lemos.

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