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Mato Grosso do Sul
Riedel: “Hoje ainda está tudo bem. Mas, teremos que avaliar como será o comportamento da receita neste ano”
Publicado em 08/01/2025 10:30 - Semana On
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Mato Grosso do Sul encerrou o ano de 2024 com um superávit impressionante de US$ 7,1 bilhões na balança comercial, consolidando sua posição como um dos estados brasileiros mais competitivos no comércio exterior. Os dados, divulgados pela Carta de Conjuntura da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), evidenciam o protagonismo das commodities agrícolas e produtos derivados do campo no desempenho econômico estadual.
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As exportações alcançaram US$ 9,969 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 2,808 bilhões no acumulado do ano. Entre os produtos exportados, a soja liderou, com participação de 28,7% do valor total, equivalente a US$ 2,8 bilhões. A celulose, por sua vez, consolidou-se como o segundo produto mais relevante, com 26,6% de participação e um volume exportado de US$ 2,6 bilhões. O destaque do setor de celulose foi o crescimento significativo de 79,1% em relação a 2023, refletindo investimentos estratégicos em tecnologia e ampliação de capacidade produtiva.
Apesar dos números robustos, o governador Eduardo Riedel alerta para os desafios econômicos enfrentados pelo estado, que poderão impactar os investimentos programados para os próximos dois anos. “Hoje ainda está tudo bem. Mas, teremos que avaliar muito bem como será o comportamento da receita em 2025”, ponderou Riedel, em entrevista exclusiva ao portal Semana On.
O impacto do agronegócio e do gás na receita estadual
Embora os dados da balança comercial mostrem força no setor exportador, outros aspectos da economia estadual revelam um cenário desafiador. Riedel destacou que dois setores fundamentais para a receita – o agropecuário e o de gás – sofreram impactos significativos em 2024. A quebra de safra, agravada por fatores climáticos adversos, e a redução na arrecadação tributária devido à desaceleração do mercado de gás natural colocaram pressão sobre o equilíbrio fiscal.
“Esses dois grandes setores impactaram negativamente a receita do estado. Nós vamos ter que trabalhar 2025. A perspectiva é que a gente melhore um pouco isso”, explicou o governador. Ele enfatizou que, como gestor público, seu papel é proteger o equilíbrio fiscal, mesmo que ajustes dolorosos sejam necessários. “Dói em alguém, não tem jeito. Mas, a gente tem que ter isso claro para a sociedade, até para preservar a condição que o Mato Grosso do Sul conquistou.”
Perspectivas e investimentos para o futuro
Apesar das incertezas econômicas, os investimentos programados para 2025 e 2026 não deverão ser diretamente impactados, segundo Riedel. Muitos dos projetos em andamento são resultado de financiamentos previamente garantidos e possuem continuidade assegurada. Contudo, a manutenção dos níveis recordes de receita corrente líquida registrados em 2023 e 2024 dependerá de uma recuperação no desempenho dos setores agropecuário e de gás.
Para mitigar os efeitos da volatilidade econômica, o governo estadual está avaliando alternativas de ajustes que preservem o equilíbrio fiscal, sem comprometer o legado de crescimento alcançado nos últimos anos. Além disso, há uma expectativa de melhora na arrecadação, especialmente com iniciativas de diversificação econômica e modernização do setor produtivo.
Embora 2024 tenha consolidado o estado como um destaque no comércio exterior, 2025 surge no horizonte com desafios complexos. O equilíbrio entre austeridade fiscal e manutenção dos investimentos será fundamental para garantir que Mato Grosso do Sul continue sua trajetória de crescimento e desenvolvimento sustentável, mesmo em um cenário de incertezas globais e pressões internas.
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