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Mato Grosso do Sul
Chacina com sete mortes após jogo de sinuca é resumo do bolsonarismo
Publicado em 24/02/2023 9:27 - Pedro Mathias (G1MT), Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana On
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Entre 2019 e 2022, período do governo de Jair Bolsonaro (PL), mais de 56 mil armas foram registradas por colecionadores, atiradores esportivos e caçadores (CAC) em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados do Exército. No último ano, houve uma disparada, com 33.079 novas armas cadastradas, o que representa uma média de 90,6 armas por dia e aumento de 1.010,4%, comparando com dados de 2019.
Na terça-feira (21), Edgar Ricardo de Oliveira, de 30 anos, que tem registro como CAC e se exibia nas redes sociais praticando tiro, matou sete pessoas com ajuda de Ezequias Souza Ribeiro, de 27 anos, em um bar da cidade depois de perderem partidas de sinuca. Ele foi desligado do clube de tiro que frequentava em Sinop, a 504 km de Cuiabá, por ausência, segundo a Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT).
A região militar de MT e de MS, em 2022, conforme os dados disponibilizados por meio do Portal da Transparência, foi a quinta região com mais registros.
– São Paulo: 98.772
– Paraná e Santa Catarina: 86.282
– Distrito Federal, Goiás, Tocantins e Triângulo Mineiro: 59.925
– Rio Grande do Sul: 43.081
– Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: 33.079
Em MT e MS, a progressão, do último ano do governo Temer ao último ano de Bolsonaro, foi de:
– 2018: 1.826
– 2019: 2.979
– 2020: 4.775
– 2021: 15.185
– 2022: 33.079
No último ano de Jair Bolsonaro, que implementou a política de armas, flexibilizando o porte de armamentos, os dois estados da região Centro-Oeste abriram 38 clubes de tiro, que registraram 14 armas em seus acervos. Foram emitidos 22.011 certificados CAC.
Política de armas no governo de Jair Bolsonaro
A quantidade de brasileiros com autorização para ter arma de fogo aumentou sete vezes durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Ao longo do mandato do ex-presidente, a quantidade de CACs (grupo formado por caçadores, atiradores e colecionadores) subiu de 117.467, em 2018, para 813.188, em 2022, conforme dados obtidos via Lei de Acesso à Informação junto ao Exército.
Bolsonaro tinha entre suas principais pautas o armamento da população. O ex-presidente editou decretos que facilitaram o acesso a armas, inclusive as de grosso calibre e uso restrito, como fuzis, com critérios menos rígidos para posse e aquisição, bem como maior limite de munições disponíveis por ano para CACs.
O governo Bolsonaro liberou 904 mil novas armas para caçadores, atiradores e colecionadores de 2019 até 2022.
Os registros concedidos aos CACs ao longo do governo Bolsonaro representam a liberação de 619 novas armas por dia no país nos últimos quatro anos.
Foram ao todo 904.858 registros para aquisição de novas armas, aumento constante desde 2019, quando ocorreram 78.335 liberações. Em 2020, foram 137.851, e em 2021, o número passou para 257.541 e, em 2022, o recorde de 431.131 – que representa 47% do total sob Bolsonaro.
O presidente permitia que colecionadores tivessem cinco armas; caçadores podiam ter 15; atiradores, 30.
Entenda o que é o registro CAC
Os decretos de Bolsonaro foram parcialmente suspensos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro de 2022. No dia 2 de janeiro, o presidente Lula (PT) revogou as normas sobre armas e definiu novas regras, dentre as quais a suspensão de novas concessões para CACs registrarem novas armas.
Também estipulou que novos CACs podem ter três armas – o limite vale para colecionadores, caçadores e atiradores.
Chacina com sete mortes após jogo de sinuca é resumo do bolsonarismo
Edgar de Oliveira e Ezequias Ribeiro mataram sete pessoas em um bar, em Sinop (MT), entre elas uma menina de 12 anos, após perderem R$ 4 mil em um jogo de sinuca. Em outros tempos, a situação seria um absurdo inexplicável. Hoje, é mais um dia vivendo sob a herança bélica do bolsonarismo.
Ezequiel foi morto em uma troca de tiros, segundo a Polícia Militar. Edgar se entregou, nesta sexta (23). Segundo apuração de Herculano Barreto Filho, do UOL, ele já havia se posicionado nas redes sociais a favor da política armamentista de Jair Bolsonaro. “Prefiro ter e não precisar, do que precisar e não ter”, postou em julho de 2019, em um texto acima da imagem de uma arma.
Tinha acesso legal a armas, apesar de contar com passagem pela polícia.
São mortes estúpidas que acontecem após o uso de armas de fogo serem incensadas pelo ex-presidente da República como solução dos problemas. E no qual a flexibilização do controle de acesso a elas, que ele diligentemente executou, facilitou que desavenças comuns tivessem fins trágicos, quando alguém perde a cabeça e puxa o gatilho.
Em outras palavras, as pessoas estão mais armadas e sem medo de usar esses equipamentos. Bolsonaro não criou a morte por motivo estúpido, apenas a popularizou com suas políticas e discursos. Que tiveram tração especialmente em polos como Sinop, uma das capitais do bolsonarismo no interior do país. A cidade abriga muitos que apoiaram ou financiaram atos contra o resultado das eleições.
Esse contexto de violência foi reforçado por outra característica do bolsonarismo: trocar a Justiça, com suas instituições, leis e regras, pelo justiciamento miliciano – em que cada um defende o que acha certo com as próprias mãos e balas. Percebam que os dois criminosos não foram lá apenas buscar o dinheiro de volta, foram matar quem ousou vencê-los. Trata-se de ódio em estado puro.
De uma forma infanto-juvenil, parte dos radicais de extrema direita questiona a responsabilidade do seu grande líder na banalização do uso das armas de fogo, afirmando que elas levaram à queda no número de homicídios durante o seu mandato.
Mortes caíram sim, mas por conta da efetivação de políticas estaduais de segurança pública ao longo da última década, pelo armistício em guerras travadas por facções do narcotráfico (especialmente a partir de 2017) e pela transição etária do Brasil, que está ficando menos jovem e, com isso, com menos casos de violência.
Ou seja, se não tivéssemos Bolsonaro facilitando a aquisição de revólveres, pistolas, rifles e fuzis e munição, principalmente para os CAC (caçadores, atiradores esportivos, colecionadores), a redução teria sido ainda maior.
Jair não conclamou os seus seguidores a “baixarem as armas” após o assassinato político do tesoureiro petista Marcelo Arruda pelo bolsonarista Jorge Guaranho em Foz do Iguaçu, em julho do ano passado. Na verdade, nem poderia, pois isso bateria de frente com toda a estratégia montada para a sua reeleição, que passou por armar, literalmente, seus fãs, pensando em algo como a tentativa de golpe de 8 de janeiro deste ano.
Desde a campanha de 2018, Bolsonaro alimentou seus fiéis com uma retórica de que estão em uma guerra do bem contra o mal. Mais do que um governo, trata-se de uma cruzada para impor ao Brasil os “valores corretos” – processo pelo qual, segundo bolsonarismo, vale a pena pegar em armas para matar ou morrer.
Seis dias antes dos atos de caráter golpista e antidemocráticos de 7 de setembro de 2021, Jair afirmou, em um evento da Marinha, que “se você quer paz, se prepare para a guerra”. O provérbio, que vem do latim (si vis pacem, para bellum) é uma variação de uma declaração atribuída ao escritor romano Flávius Vegetius Renatus, que viveu no final do 4º século de nossa era. Significa isso mesmo que parece.
De acordo com pesquisa Datafolha de maio do ano passado, 69% dos brasileiros afirmam discordar com um dos principais lemas de Jair: “Um povo armado jamais será escravizado”. Até porque um povo armado, como vimos novamente, se mata.
Em uma live no dia 30 de junho de 2022, o ex-presidente que fugiu do Brasil para não ser preso orgulhosamente afirmou que as lojas de armas cresceram em 72% e os clubes de tiro, em 91%, sob seu governo. E alertou que Lula, seu adversário, transformaria clubes de tiro em bibliotecas.
Esperemos que sim.
Essa reportagem é um desserviço à população.
O que causou a chacina foi temos dois bandidos soltos. O problema real é a IMPUNIDADE. Ninguém fica preso no Brasil.
Bandidos sempre tiveram acesso as armas muito antes do Bolsonaro.
Inclusive o acesso as armas por pessoas de bem FEZ A TAXA DE HOMICÍDIOS CAIR!!! Mas isso ninguém fala.
Que jornal tosco e desinformado, eles tinham armas ilegais seu estupido . Vai estudar seu anencéfalo petista. Olhe o indice de criminalidade de um governo bolsonaro e desgoverno petista seu burro