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Mato Grosso do Sul
Instituto Paraná mostra ampla vantagem de nomes da direita no Estado
Publicado em 22/05/2025 12:03 - Semana On
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Em um retrato político que combina rejeição expressiva e desvantagem eleitoral sólida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece atrás de todos os principais nomes da direita nos cenários testados para a eleição de 2026 em Mato Grosso do Sul. De acordo com pesquisa divulgada nesta semana pelo Instituto Paraná, realizada entre os dias 13 e 16 de maio, Lula seria derrotado em todos os cenários de primeiro e segundo turno, por Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
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Com uma amostra de 1.540 eleitores em 44 municípios, o levantamento mostra que Bolsonaro lidera a disputa espontânea com 20,4%, seguido por Lula com 11,5% — mas o dado mais expressivo é a incerteza: 57,1% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder. A elevada taxa de indecisos revela, além da rejeição direta ao presidente, um desânimo com o cenário político como um todo, característica frequente em ciclos eleitorais marcados por polarização e frustrações acumuladas.
O desempenho de Lula se mantém frágil também nas simulações estimuladas, com destaque para o confronto direto com Jair Bolsonaro: o ex-presidente venceria com 57,4% contra apenas 29,9%, uma diferença de 27,5 pontos percentuais. Em disputa com Michelle Bolsonaro, Lula também é derrotado por larga margem: 55,2% a 30,4%. Contra Tarcísio, governador de São Paulo, o petista pontua 30,7%, ante 49,4% do adversário. Em todos os cenários, Lula não ultrapassa os 31%.
As razões da rejeição: política, cultura e território
A derrocada de Lula no estado não é um fenômeno recente, tampouco casual. Mato Grosso do Sul, com base econômica centrada no agronegócio, na pecuária extensiva e em setores exportadores, tem se posicionado majoritariamente à direita desde 2018, consolidando um perfil eleitoral refratário ao discurso progressista tradicional do PT. O estado também é parte da região Centro-Oeste, onde Bolsonaro obteve suas maiores votações tanto em 2018 quanto em 2022, fenômeno que se mantém conforme os dados da nova pesquisa.
A rejeição à figura de Lula é reforçada por fatores ideológicos, culturais e econômicos. A crítica à política ambiental e à reforma agrária, dois pilares históricos do petismo, encontra resistência entre produtores rurais. Da mesma forma, pautas progressistas associadas à esquerda — como direitos LGBTQIA+, combate ao racismo estrutural e regulação de mídias digitais — são rejeitadas por parcelas mais conservadoras da população, especialmente em estados de base evangélica crescente e alta dependência da pauta agroexportadora.
O professor Christian Lynch, cientista político da UERJ, observa que “a direita no Brasil atual tem se consolidado como um projeto de reação cultural, antes mesmo de ser uma agenda econômica”. Essa “reação” se materializa, entre outras formas, na forte presença de bolsonarismo identitário, que vai além do ex-presidente e se ramifica em figuras como Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — ambos com performance competitiva na pesquisa, mesmo sem histórico político no estado.
Desgaste de governo e antipetismo persistente
Outro elemento determinante para o fraco desempenho de Lula em MS é a baixa aprovação de seu governo. Segundo o mesmo levantamento, 63,2% dos entrevistados desaprovam sua gestão, com 45,4% classificando-a como “péssima”. Apenas 23% avaliam positivamente (somando “boa” e “ótima”). Esses números revelam que o antipetismo, embora tenha sofrido abalos após o 8 de janeiro de 2023 e o desgaste do próprio Bolsonaro, continua vigoroso em determinadas regiões do país, especialmente fora do eixo progressista do Nordeste e do Sudeste metropolitano.
É preciso lembrar que a aprovação presidencial, historicamente, tem correlação direta com o desempenho eleitoral do incumbente. Em 2014, por exemplo, a ex-presidente Dilma Rousseff venceu as eleições em quase todos os estados onde mantinha avaliação positiva — e foi derrotada nos que concentravam sua rejeição. Lula enfrenta hoje o mesmo dilema: sem mudar a percepção popular sobre sua administração, tende a manter as mesmas desvantagens regionais.
Uma direita plural e em expansão
Além do protagonismo de Bolsonaro, os dados revelam o crescimento de novos nomes da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL), que aparecem com índices expressivos de intenção de voto mesmo sem vínculo direto com o estado. A presença de Ratinho Junior (10,3% e 12,6% nos dois principais cenários) e Ronaldo Caiado (6% e 4,7%) também indica que há dispersão de alternativas dentro do espectro conservador, algo que pode influenciar o jogo de alianças em 2026.
Este novo ecossistema político da direita, mais múltiplo e dinâmico, não depende exclusivamente de Bolsonaro para manter sua força eleitoral. A eventual substituição do ex-presidente por figuras como Tarcísio ou Michelle — seja por inegibilidade, estratégia ou fadiga de imagem — não compromete a hegemonia conservadora em regiões como o Centro-Oeste. Pelo contrário: pode até ampliar sua penetração junto a públicos menos radicalizados.
Desafios para o campo progressista
Para o campo progressista, os dados da pesquisa funcionam como um sinal de alerta, mas também de desafio programático e territorial. Lula e o PT terão de investir em novas estratégias de diálogo com o interior do país, especialmente com eleitores do agronegócio, evangélicos e classes médias conservadoras. Isso implica reconfigurar a linguagem, incorporar lideranças locais e reconstruir pontes que foram corroídas desde as manifestações de 2013 e a radicalização política de 2016 em diante.
Além disso, o cenário de 2026 será disputado em meio à memória ainda viva da pandemia, da tentativa de golpe de Estado em 2023 e das crises institucionais recentes. O eleitorado estará dividido entre memórias, ressentimentos e esperanças, e o discurso político precisará oferecer mais do que polarização: precisará de propostas críveis e lideranças legítimas.
A pesquisa do Instituto Paraná não prevê o futuro, mas revela o presente de maneira contundente: Lula enfrenta um terreno hostil em Mato Grosso do Sul, onde a rejeição à sua figura e ao seu governo é elevada, e onde a direita conservadora domina com folga todas as simulações eleitorais. O desafio do PT e do campo progressista será entender esse território, suas dores, suas desconfianças e seus projetos de futuro, para além da retórica tradicional.
O sociólogo francês Pierre Bourdieu dizia que “a política é a luta pela definição legítima do mundo social”. Em 2026, essa disputa estará em campo — e, ao que tudo indica, será acirrada.
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Não é novidade o Lula perder nessa região onde o agro manda e desmanda. Se pudermos mostrar a realidade do lado negro que o agro causa, talvez mude!!!
Não é novidade o Lula perder nessa região onde o agro manda e desmanda. Se pudermos mostrar o lado negro que o agro causa, com certeza o quadro será mudado!!!
Nesse estado em que o agro negócio manda e desmanda, a esquerda sempre perde até o memento em que a população entender que o lado negro do agro é nefasto para a saúde e para os pequenos produtores