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Mato Grosso do Sul

Frio intenso: capital registra 158 mortes por síndromes respiratórias

MS tem 6.796 casos confirmados de dengue

Publicado em 03/07/2025 2:07 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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Enquanto o inverno avança com temperaturas extremas em Campo Grande, a capital sul-mato-grossense enfrenta uma grave crise de saúde pública: 158 pessoas já perderam a vida em 2025 por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), em um cenário agravado pela baixa cobertura vacinal e pela fragilidade dos mais vulneráveis, especialmente os idosos.

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O boletim mais recente da CIEVS (Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde), divulgado na terça-feira (1º), revela números alarmantes: das 2.055 notificações de SRAG registradas neste ano, 1.247 foram confirmadas, 179 ainda estão em investigação e 629 não tiveram causa especificada. Em meio a esse quadro, a letalidade por Influenza A e B chama atenção: dos 320 casos confirmados, 53 evoluíram para óbito — o que representa uma taxa de 16,3%, uma das mais altas do Estado.

A situação revela, com clareza, como as condições climáticas e estruturais agravam os riscos para determinados grupos. Campo Grande tem registrado sensação térmica de até -6 °C — um frio atípico para os padrões da região Centro-Oeste — e esse fator tem impactos diretos na saúde coletiva, especialmente entre os mais velhos e as crianças pequenas, cujos organismos são mais sensíveis às variações climáticas e a infecções respiratórias.

Os números por trás da crise

A análise das vítimas mostra um padrão claro: os idosos são os mais atingidos. Entre os que morreram por SRAG, 79,4% tinham 70 anos ou mais. Essa faixa etária também concentrou quase metade (48,7%) das internações por complicações respiratórias graves. Já entre as crianças de 1 a 9 anos, o risco também é expressivo: elas representaram 26,8% das hospitalizações por SRAG até maio deste ano.

O levantamento indica ainda que, além da Influenza, há uma diversidade de vírus em circulação: 13 mortes foram causadas por vírus sincicial respiratório, 12 por rinovírus, 10 por Covid-19, 3 por outros agentes virais e 65 óbitos continuam com o agente causador não identificado.

Esses dados revelam não apenas a complexidade clínica do problema, mas também sua profundidade social. Como lembra o sociólogo Norbert Elias, em A Sociedade dos Indivíduos, o grau de vulnerabilidade à doença é sempre uma expressão das desigualdades sociais e institucionais. As mortes não são apenas números: são sintomas de um tecido social sob pressão, onde o acesso desigual à saúde, à informação e à proteção afeta diretamente quem vive nas bordas da assistência pública.

Sistema sob pressão e vacinação aquém do necessário

A pressão sobre a rede de saúde também cresce. Segundo o CIEVS, 1.143 pessoas com sintomas de SRAG buscaram atendimento nas unidades básicas, enquanto outras 3.722 procuraram serviços de urgência — um número que evidencia o aumento da demanda durante o inverno e a sobrecarga sobre profissionais e estruturas do SUS.

Apesar do cenário crítico, a vacinação contra a gripe segue abaixo do necessário. Campo Grande aplicou até agora 309.693 doses, sendo 110.212 em pessoas do grupo prioritário. A cobertura atual, de apenas 49,18%, está muito distante da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde. A vacina, que protege contra as cepas mais comuns (Influenza A H1N1, H3N2 e Influenza B), está disponível em todas as 74 unidades de saúde da cidade, para toda a população a partir dos seis meses de idade.

Esse dado reforça um dos principais desafios da saúde pública brasileira: a hesitação vacinal, muitas vezes alimentada por desinformação, negligência institucional ou falta de campanhas eficazes. O filósofo Roberto Esposito, ao discutir o conceito de biopolítica, alerta que a gestão da vida (e da morte) em sociedades modernas está intrinsecamente ligada à decisão política de proteger ou não determinados corpos. Quando a vacinação não é universalizada de fato — seja por falha na comunicação, por despreparo logístico ou por abandono deliberado — ela reforça os mecanismos de exclusão.

Caminhos possíveis e urgência da prevenção

Para além do enfrentamento clínico, as autoridades de saúde reforçam medidas preventivas que, embora simples, têm eficácia comprovada: higienização frequente das mãos, ventilação de ambientes, etiqueta respiratória (como cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar), alimentação balanceada, prática de atividades físicas e abandono do tabagismo. São orientações que integram uma pedagogia básica da saúde, mas que dependem de condições mínimas de moradia, trabalho e dignidade para serem plenamente adotadas.

Em caso de sintomas como febre alta, tosse com secreção, falta de ar ou dor no peito, é imprescindível buscar atendimento médico imediato. A negligência inicial pode ser fatal em casos de SRAG, especialmente quando o organismo já está debilitado por outras comorbidades ou pelas próprias condições do ambiente.

Uma crise que ultrapassa o inverno

O que se observa em Campo Grande é uma amostra das tensões estruturais que perpassam o sistema de saúde pública brasileiro: alta dependência do SUS, precarização da atenção básica, desigualdade no acesso à prevenção e uma população envelhecida que exige políticas públicas específicas. Em um país em que a população com mais de 60 anos deve dobrar até 2050, segundo o IBGE, o desafio de proteger vidas em períodos de maior risco — como o inverno — precisa ser encarado com mais do que boletins: é necessária ação coordenada entre poder público, profissionais de saúde e a própria comunidade.

Como escreveu a médica sanitarista Drauzio Varella, “em saúde pública, prevenir é sempre mais barato — e mais humano — do que tratar”. A crise respiratória em Campo Grande não é apenas sazonal. Ela é reflexo de um projeto de sociedade que ainda precisa decidir se a vida dos mais frágeis tem, de fato, o valor que a Constituição lhes assegura.

MS registra 6.796 casos confirmados de dengue

Mato Grosso do Sul já registrou 13.789 casos prováveis de Dengue, sendo 6.796 casos confirmados, em 2025. Estes dados foram apresentados no boletim referente à 26ª semana epidemiológica, divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) nesta quinta-feira (03). Segundo o documento, 16 óbitos foram confirmados em decorrência da doença e outros 7 estão em investigação.

Nos últimos 14 dias, Taquarussu registrou incidência média de casos confirmados para a doença. Já os óbitos registrados ocorreram nos municípios de Inocência, Três Lagoas, Nova Andradina, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Iguatemi, Paranhos, Itaquiraí, Água Clara, Miranda e Aparecida do Taboado. Entre as vítimas, 5 delas possuíam algum tipo de comorbidade.

Vacinação

Ainda conforme o boletim, 167.101 doses do imunizante já foram aplicadas na população alvo. Ao todo, Mato Grosso do Sul já recebeu do Ministério da Saúde 241.030 doses do imunizante contra a dengue. O esquema vacinal é composto por duas doses com intervalo de três meses entre as doses.

A vacinação contra a dengue é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalização por dengue, dentro do quadro de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos de idade.

Chikungunya

Em relação à Chikungunya, o Estado já registrou 13.163 casos prováveis, sendo 5.428 confirmados no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). O documento também confirma 60 casos da doença em gestantes. Conforme o boletim, 12 óbitos foram confirmados em decorrência da doença nos municípios de Dois Irmãos do Buriti, Vicentina, Naviraí, Terenos, Fátima do Sul, Dourados, Sidrolândia, Glória de Dourados e Maracaju. Entre as vítimas, 8 delas possuíam algum tipo de comorbidade.

A SES alerta que as pessoas devem evitar a automedicação. Em caso de sintomas de dengue ou Chikungunya, a recomendação é procurar uma unidade de saúde do município.

Confira os boletins:

Boletim Epidemiológico Dengue SE 26- 2025

Boletim Epidemiológico Chikungunya SE 26 – 2025

CPI vai investigar à fundo finanças do Consórcio Guaicurus


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