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Mato Grosso do Sul
Projeto em trecho crítico entre Anastácio e Corumbá prevê 170 km de cercas, 17 passagens e sinalização
Publicado em 26/11/2025 1:05 - Semana On
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O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deu início, na segunda-feira (24), à execução do Plano de Mitigação de Atropelamentos de Fauna Silvestre ao longo da BR-262, rodovia federal que corta uma das regiões com maior registro de mortes de animais nas estradas brasileiras. A intervenção abrange 278,3 km entre os municípios de Anastácio, Aquidauana, Miranda e Corumbá, no Mato Grosso do Sul — área que inclui o Pantanal sul-mato-grossense, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo.
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Segundo o DNIT, o plano prevê a instalação de 170 km de cercas condutoras de fauna nos dois lados da pista, além da construção de sete passagens superiores e dez passagens inferiores exclusivas para a travessia de animais silvestres. Também está prevista a adaptação de oito estruturas já existentes, a implementação de sinalização viária e a instalação de equipamentos para redução de velocidade. O prazo para a execução das obras é de dois anos, com investimento estimado em R$ 30,2 milhões.
A BR-262 é considerada um dos principais corredores de atropelamento de fauna silvestre no Brasil. De acordo com dados do Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas (CBEE), mais de 15 animais silvestres morrem atropelados por segundo nas estradas brasileiras — o que representa cerca de 475 milhões por ano. No trecho sul-mato-grossense da BR-262, espécies ameaçadas como a onça-pintada, tamanduá-bandeira e anta frequentemente figuram entre as vítimas.
Especialistas há anos alertam para a urgência de medidas estruturais que reduzam esse tipo de impacto. “A construção de passagens de fauna, acompanhada de cercas direcionadoras e sinalização adequada, é uma das estratégias mais eficazes já comprovadas em diversos países para reduzir atropelamentos e manter a conectividade ecológica das paisagens”, explica o biólogo Alex Bager, coordenador do CBEE e professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
A instalação de cercas condutoras visa guiar os animais até as passagens subterrâneas ou aéreas, evitando que cruzem a pista diretamente. As passagens inferiores são geralmente túneis construídos sob a rodovia, enquanto as superiores funcionam como pontes verdes, cobertas por vegetação, simulando o ambiente natural.
Além de preservar a fauna, essas intervenções têm impacto direto na segurança viária. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) destaca que os atropelamentos de grandes mamíferos podem causar acidentes fatais também para motoristas. Segundo levantamento do ICMBio, acidentes envolvendo antas, por exemplo, geram danos sérios a veículos e aumentam o risco de morte de ocupantes.
O investimento de R$ 30,2 milhões representa um avanço importante na integração entre infraestrutura e conservação ambiental, mas especialistas alertam que o sucesso da medida dependerá de ações complementares. Monitoramento contínuo, manutenção das estruturas e educação ambiental para motoristas são apontados como fatores decisivos para a eficácia do plano. “Sem acompanhamento técnico e políticas de longo prazo, essas estruturas podem se tornar ineficazes ou até perigosas”, afirma Bager.
A BR-262 não é a única via em que esse tipo de iniciativa vem sendo adotada. Nos últimos anos, projetos semelhantes foram implementados em trechos da BR-040 (MG) e da BR-101 (BA), com resultados promissores na redução dos índices de atropelamento. Em todos os casos, o envolvimento de universidades e centros de pesquisa foi considerado essencial para garantir a efetividade das soluções.
No contexto da emergência climática e do aumento da pressão sobre os biomas brasileiros, iniciativas como essa ganham ainda mais relevância. O Pantanal, afetado por incêndios recordes e expansão agropecuária, já perdeu cerca de 17% de sua cobertura original, segundo dados do MapBiomas. Garantir a conectividade de fauna e a proteção de espécies ameaçadas nas regiões de fronteira entre infraestrutura e natureza é, mais do que uma medida de mitigação, uma necessidade urgente para o equilíbrio ambiental.
Com a intervenção em curso, a expectativa é de que o trecho sul-mato-grossense da BR-262 deixe de ser um símbolo da tragédia ambiental e se transforme em referência para a convivência entre desenvolvimento e conservação. A execução eficaz do plano será, portanto, um teste não apenas de engenharia, mas de compromisso ambiental.
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