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Legislativo

Gerson Claro condiciona candidatura ao Senado a estratégia do grupo

Presidente da Alems prioriza reeleição de Riedel e eleição de Reinaldo

Publicado em 26/02/2026 2:07 - Semana On

Divulgação ALEMS

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O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Gerson Claro (PP), admite disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026. A eventual candidatura, no entanto, não é tratada como projeto pessoal, mas como variável de um arranjo político maior, cujo eixo central é a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).

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Em entrevista concedida na quarta-feira (25) ao site Campo Grande News, Claro afirmou que mantém, oficialmente, a candidatura à reeleição como deputado estadual. A hipótese de concorrer ao Senado dependeria de uma definição estratégica do Progressistas e de suas alianças. O prazo é curto. “Até 5 de abril. Dia 6 eu já não quero mais”, declarou, sinalizando que não pretende prolongar indefinições.

Segundo o presidente da Alems, o desenho eleitoral parte de duas premissas já consolidadas dentro do grupo político. A primeira é assegurar a permanência de Riedel no governo; a segunda, viabilizar a eleição de Azambuja à primeira vaga ao Senado.

A terceira posição na chapa — a segunda vaga ao Senado — deverá ser definida com base em critérios de viabilidade eleitoral e contribuição ao projeto majoritário. “Vai ser quem ajudar mais para eleger o Riedel e eleger o Reinaldo”, resumiu.

Ao ser questionado sobre o peso político do Senado, reconheceu o protagonismo do cargo. “Eu sinto que é mais que governador”, afirmou. Ainda assim, reforçou que a decisão não será guiada por ambição individual, mas por cálculo estratégico. Em suas palavras, alianças implicam concessões: abrir mão de espaços pode ampliar o campo de apoio e aumentar as chances de vitória.

O impacto das alianças e do segundo voto

Claro também analisou o reposicionamento partidário de Reinaldo Azambuja, que se filiou ao PL. Segundo ele, o movimento alterou o cenário eleitoral. O desempenho nas pesquisas, que girava em torno de 30% quando da filiação, teria sofrido oscilações.

Na avaliação do presidente da Assembleia, a composição da chapa deve considerar especialmente o chamado “segundo voto” ao Senado — mecanismo relevante em disputas com duas cadeiras em jogo. A escolha de um parceiro que não agregue votos ao candidato prioritário pode comprometer a estratégia global.

“O que ele ganha de ter um parceiro que não traz eleitor para ele?”, questionou, defendendo que o desenho final da chapa facilite a eleição de Azambuja.

Força do PP e capital político

Claro sustenta que o PP vive momento de protagonismo em Mato Grosso do Sul. O partido comanda o governo estadual, administra a Capital e tem presença em municípios estratégicos. Além disso, ele próprio ocupa a presidência do Legislativo estadual.

“Queira ou não queira, eu sou o presidente da Assembleia”, observou, ressaltando o relacionamento consolidado com os parlamentares. Ainda assim, reconhece que o cenário favorável não garante automaticamente a candidatura ao Senado: tudo dependerá do arranjo coletivo.

Influência nacional no tabuleiro estadual

Para o dirigente, a eleição de 2026 será fortemente impactada pelo contexto nacional — diferentemente das disputas municipais, cujo debate tende a ser mais local.

Ele citou como exemplo a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP) compor como vice em eventual chapa presidencial encabeçada pelo PL. Caso isso ocorra, haveria reflexos diretos na configuração do Senado em Mato Grosso do Sul, já que o suplente assumiria a vaga.

“Tudo isso vai ser desenhado agora”, afirmou, indicando que decisões nacionais podem redefinir o equilíbrio de forças no Estado.

No campo ideológico, reafirmou que o grupo mantém posicionamento contrário ao PT no plano eleitoral, embora reconheça que o partido tenha integrado a gestão estadual em determinado período. “O projeto político eleitoral é contra o PT”, sintetizou.

Apoio consolidado a Reinaldo

Segundo Claro, o apoio à candidatura de Reinaldo Azambuja ao Senado já foi pactuado no âmbito estadual e comunicado à direção nacional do PP. Há compromisso firmado com o governador Riedel e com a senadora Tereza Cristina.

Ele pondera, contudo, que a política é dinâmica e sujeita a fatos novos. “A gente faz a leitura a partir do que tem hoje colocado”, disse, mantendo margem para eventuais reconfigurações.

Avaliação do governo Riedel

A prioridade conferida à reeleição de Riedel é justificada pelos resultados administrativos apontados pelo presidente da Assembleia. Entre eles, políticas municipalistas, investimentos em saneamento com meta de universalização, regionalização da saúde com hospitais em Três Lagoas e Dourados, além de indicadores econômicos como redução do desemprego e expansão industrial.

Segundo Claro, o Estado consolidou imagem positiva junto a empresários e lideranças políticas de fora de Mato Grosso do Sul, o que fortaleceria a narrativa de continuidade administrativa.

Gestão na Assembleia e legado institucional

À frente da Alems, Claro afirma ter adotado postura institucional baseada no respeito às diferenças e na separação entre a função administrativa e o posicionamento político pessoal.

Entre as iniciativas citadas estão o fortalecimento dos mecanismos de transparência — com destaque para o acompanhamento de emendas parlamentares —, a realização de concurso público após dez anos (com 80 vagas e quase 20 mil inscritos), além de investimentos em infraestrutura, como refeitório para servidores, ampliação do estacionamento e projeto de novo plenário para marcar os 50 anos da Casa, em 2027.

As obras, segundo ele, foram executadas com recursos próprios do Legislativo, sem aportes adicionais do Executivo.

Prazo político

Apesar de admitir a disputa ao Senado, Gerson Claro reafirma que sua candidatura natural permanece sendo à reeleição como deputado estadual. A eventual mudança de rota dependerá de decisão estratégica até 5 de abril.

Passado esse prazo, garante, o foco estará integralmente voltado à manutenção do projeto estadual, cujo núcleo é a recondução de Eduardo Riedel ao governo e a eleição de Reinaldo Azambuja ao Senado.

“Eleição não é hora de plantar. Quem fez, fez. Quem não fez, não faz mais”, concluiu, sintetizando a lógica de um calendário político que, para ele, não admite improvisos.

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