Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Legislativo
Rodolfo Nogueira teria pressionado vítima a não divulgar envolvimento de assessor
Publicado em 18/08/2025 1:48 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), conhecido como “Gordinho do Bolsonaro”, foi denunciado à Polícia Civil do Distrito Federal por supostamente ameaçar uma empresária que diz ter sido vítima de estelionato envolvendo um assessor parlamentar ligado a seu gabinete. O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais, já resultou em dois boletins de ocorrência e acusações públicas dentro do próprio partido.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
A empresária Larissa Carvalho de Oliveira Martins, de 49 anos, moradora de Brasília, afirma ter perdido R$ 24 mil em uma operação de câmbio intermediada por Babington dos Santos, conhecido como Bob — assessor de confiança do deputado Rodolfo Nogueira. Segundo relato registrado em boletim de ocorrência no dia 7 de agosto, Bob teria abordado Larissa oferecendo uma oportunidade de troca de dólares por reais, alegando que um “empresário renomado” buscava se proteger do “tarifaço” do governo Donald Trump contra exportadores brasileiros.
A proposta — vendida como legítima — levou a empresária a transferir R$ 24 mil a um terceiro indicado por Bob. No entanto, após a transferência, o suposto empresário sumiu e enviou um comprovante de pagamento fraudulento. Procurado, o assessor negou envolvimento direto e se isentou de responsabilidade. O caso foi registrado como estelionato pela Polícia Civil.
Cinco dias depois, no dia 12 de agosto, Larissa retornou à delegacia para relatar uma nova ocorrência: ameaça por parte do próprio deputado. Segundo o novo boletim, Rodolfo Nogueira teria ligado diretamente para ela, identificando-se como “parlamentar atuante no agro”, e teria dito que usaria sua estrutura jurídica e influência para processá-la, caso o nome de seu assessor fosse vinculado publicamente ao golpe.
A pressão, descrita por Larissa como tentativa de intimidação, levou o caso a ganhar novo contorno político — agora com disputa interna no Partido Liberal. O deputado Marcos Pollon (PL-MS), do mesmo estado e legenda de Nogueira, publicou vídeo em seu perfil no Instagram em que acusa um “parlamentar do Mato Grosso do Sul” — sem citar nomes — de ter aplicado um golpe de R$ 24 mil contra “Lara”, a quem descreve como “fundadora do YES Brasil”, um grupo de brasileiros no exterior alinhado a pautas bolsonaristas. No vídeo, Pollon pede doações via PIX à vítima, apelando à solidariedade de seus seguidores: “Vamos mostrar que o bem ainda é mais forte que a maldade”.
Defesa e contra-ataques
Em nota pública, Rodolfo Nogueira negou qualquer ameaça e disse não conhecer a empresária. Afirmou ter sido “coagido por diversas ligações” do esposo dela, e que apenas recomendou a ambos que resolvessem o conflito judicialmente. “Tenho 23 assessores; se eu fosse responsável pelas relações de cada um deles, seria melhor fechar as portas e ir para casa”, afirmou o deputado em tom de desabafo.
Babington dos Santos também divulgou nota em que se declara vítima de um golpe. Alega ter sido enganado por um terceiro, que se passou por amigo confiável, e que seu único papel foi indicar contatos para uma suposta operação de câmbio. Ele acusa Larissa de difamação e informa ter registrado representação criminal contra ela, além de ter ajuizado ação por danos morais e materiais. Afirma ainda que a empresária ignorou “procedimentos básicos de segurança” e agiu por conta própria, em busca de retorno financeiro irreal de mais de R$ 100 mil.
Implicações e contexto político
O episódio lança luz sobre a fragilidade dos mecanismos de controle nas relações entre parlamentares e seus assessores, além de expor fissuras internas no bolsonarismo. O fato de a denúncia partir de uma apoiadora ideológica da base conservadora agrava a exposição pública do caso e levanta questionamentos sobre a conduta ética dentro da estrutura do PL — partido que lidera a oposição ao governo federal e cujo presidente, Valdemar Costa Neto, também acumula histórico de envolvimento com escândalos judiciais.
O uso da estrutura institucional e da influência política para abafar denúncias — como descrito por Larissa — se configura como tentativa de obstrução, caso comprovada. Especialistas apontam que esse tipo de conduta, se levada adiante, pode configurar abuso de autoridade. “Há um padrão preocupante quando parlamentares confundem prerrogativas de mandato com escudo pessoal ou de seus assessores”, afirma a jurista Eloísa Machado, professora da FGV Direito SP. A declaração foi publicada originalmente em entrevista ao Conjur em outro caso similar de ameaça envolvendo político e cidadão comum.
O caso segue em apuração pela Polícia Civil do DF. Até o momento, nenhum dos envolvidos foi formalmente indiciado. Procurado, o gabinete do deputado Rodolfo Nogueira não respondeu aos questionamentos enviados pela imprensa até o fechamento desta edição.
Paulo Duarte solicita implantação de escola estadual no Riviera Park
Deixe um comentário