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Legislativo
Paulo Corrêa cobra da Energisa solução para interrupções de energia em MS
Publicado em 05/02/2026 3:45 - Semana On
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Produtores rurais de Ribas do Rio Pardo continuam acumulando perdas provocadas por falhas frequentes no fornecimento de energia elétrica, atribuídas à baixa qualidade dos serviços prestados pela concessionária responsável no município. Com a intensificação das chuvas nas últimas semanas, a ausência de manutenção adequada na rede de distribuição tem deixado diversas propriedades rurais sem energia por períodos prolongados, em alguns casos por vários dias consecutivos.
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Entre a segunda-feira (2) e esta semana, produtores registraram sucessivos chamados por meio do aplicativo da empresa, relatando interrupções no abastecimento. A Fazenda São José iniciou a semana sem energia, situação que se estendia, até ontem, às fazendas Cachoeira Branca, Santo Antônio, Katira e a diversas propriedades localizadas na região de Boa Aguada.
Na Fazenda Katira, o cenário se agravou com um episódio considerado alarmante pelos produtores: um poste de madeira que sustenta a linha de transmissão pegou fogo na segunda-feira (2), sem causa aparente. O incidente reforçou o temor de novos apagões, diante da instabilidade estrutural da rede.
Na região de Boa Aguada, a energia elétrica está interrompida há quatro dias. O impacto direto recai sobre a produção: alimentos, vacinas e medicamentos veterinários foram perdidos por falta de refrigeração, comprometendo tanto a atividade pecuária quanto a sanidade do rebanho. A interrupção também afetou a comunicação nas propriedades, já que produtores e funcionários ficaram impossibilitados de recarregar aparelhos celulares, aumentando o isolamento no campo.
Aqueles que dispõem de geradores conseguem mitigar parte dos danos, mas relatam aumento significativo nos custos com combustível. Em uma das propriedades, o produtor precisou usar um trator para acionar o gerador após ficar sem estoque de óleo diesel. Em outra, foi necessário alugar um motor estacionário para garantir o bombeamento de água para o gado.
Produtores atribuem a recorrência dos problemas à falta de investimentos e à precariedade da manutenção do sistema de distribuição. O incêndio no poste de madeira é apontado como símbolo da defasagem da infraestrutura. Também há críticas à ausência de uma equipe de plantão sediada em Ribas do Rio Pardo para atender emergências na zona rural. Quando há atendimento, as equipes se deslocam de Campo Grande, o que resulta em atrasos que podem ultrapassar uma hora apenas no trajeto.
Além disso, produtores denunciam a redução gradual do número de equipes terceirizadas responsáveis pelo atendimento técnico e a quase inexistência de manutenção preventiva, como a roçada da vegetação sob as redes. Durante o período de estiagem, incêndios no mato próximo às linhas de transmissão são frequentes e costumam provocar novas interrupções no fornecimento.
Diante do cenário, a reação começa a ganhar contornos jurídicos. O advogado Guilherme Tabosa, presidente da Associação Empresarial do Vale da Celulose (AEVC), anunciou que a entidade prepara uma Ação Civil Pública para exigir melhorias na prestação do serviço. Segundo ele, as falhas são reiteradas e configuram uma “longa história de negligência”, com prejuízos que atingem não apenas a produção rural, mas também atividades empresariais e comerciais.
“O descaso não pode mais ser suportado. Trata-se de um serviço público essencial à dignidade humana, além dos prejuízos graves e recorrentes já comprovados”, afirmou.
A mobilização tende a se ampliar. De acordo com o engenheiro florestal Moacir Reis, vice-presidente da Reflore e presidente do Sindicarv, sindicatos rurais da região e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) também deverão ser acionados para pressionar a concessionária por soluções efetivas.
Deputado pede providências
Diante das constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB) defendeu a criação de uma comissão na Assembleia Legislativa para acompanhar de perto a qualidade da distribuição e a frequência do serviço prestado pela Energisa no Estado.
Segundo o parlamentar, têm sido recorrentes as reclamações de produtores rurais, empresários e moradores de vários municípios, relatando longos períodos sem energia elétrica, situação que tem afetado diretamente aviários, assentamentos, comércios e outras atividades essenciais.
“A falta de energia compromete a produção, o funcionamento do comércio, o turismo e a rotina das famílias, além de gerar prejuízos significativos aos setores produtivos”, ressaltou Corrêa.
O 1º secretário da Casa de Leis lembrou ainda que 2026 será um ano decisivo, com a renovação da concessão do serviço de distribuição de energia elétrica pelo Ministério de Minas e Energia.
“Temos uma boa relação com a concessionária, mas o fornecimento contínuo, seguro e de qualidade é um direito do consumidor. Nosso papel é defender os interesses da população sul-mato-grossense e dos setores que geram emprego e renda, que estão sendo prejudicados pelas falhas na prestação do serviço”, afirmou.
Paulo Corrêa destacou que Mato Grosso do Sul vive um momento de franco desenvolvimento e precisa de um serviço de energia elétrica à altura desse crescimento, garantindo segurança jurídica, competitividade e condições adequadas para quem trabalha, produz e investe no Estado.
As reclamações, conforme o parlamentar, têm sido apresentadas por diversos municípios e também por representantes dos setores produtivos, como a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), sindicatos rurais e a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul).
“Estamos falando de um tema estratégico para o desenvolvimento do Estado e vamos acompanhar de perto para buscar soluções efetivas”, concluiu.
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