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Entrevista
Por denunciar genocídio em Gaza, Ofer Cassif sofre constantes ameaças e agressões
Publicado em 19/05/2025 9:54 - Michel Gherman – ICL Notícias
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Ofer Cassif, deputado comunista em Israel, adota posições consideradas provocativas e contrárias ao consenso político do país. Por conta disso, ele frequentemente sofre ameaças e até agressões. Em abril de 2021, Cassif foi agredido por policiais durante um protesto contra os despejos de famílias palestinas no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.
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O episódio gerou intenso debate na opinião pública israelense. Diversos políticos se manifestaram, descrevendo a agressão como “um golpe assassino ao parlamento e à imunidade parlamentar”. Cassif chegou a ser investigado sob a acusação de ter agredido primeiro um policial.
Em 7 de janeiro de 2024, o parlamentar anunciou sua intenção de se juntar à África do Sul como terceira parte no processo judicial movido contra Israel, com base na Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (1951), em razão dos ataques israelenses à Faixa de Gaza.
“Meu dever constitucional é para com a sociedade israelense e todos os seus habitantes — não para com um governo cujos membros e cuja coalizão defendem a limpeza étnica e até mesmo o genocídio. São eles que prejudicam o país e o povo; são eles que levaram a África do Sul a recorrer a Haia — não eu e meus companheiros”, afirmou.
Em resposta, 85 dos 120 membros do Parlamento israelense (Knesset) assinaram uma petição pedindo sua expulsão, sob acusação de traição. A proposta foi votada em 19 de fevereiro de 2024, mas Cassif conseguiu articular apoio suficiente para evitar sua cassação.
Em entrevista ao jornal Haaretz, em fevereiro de 2019, Cassif declarou-se “abertamente antissionista”. À época, afirmou: “Oponho-me à ideologia e à prática do sionismo… Trata-se de uma ideologia e prática racista, que defende a supremacia judaica.”
Em março daquele ano, o Comitê Eleitoral Central de Israel o proibiu de disputar as eleições previstas para o mês seguinte, em razão de declarações nas quais teria chamado a ministra de extrema-direita Ayelet Shaked de “escória neonazista”. A decisão foi posteriormente anulada pela Suprema Corte do país.
Nascido em Rishon LeZion, em 25 de dezembro de 1964, Cassif estudou no Ginásio Reali, escola de elite que formou diversos quadros da política e da academia israelense. Seus pais eram militantes do Mapai, partido trabalhista israelense. Ele mesmo ingressou na juventude do partido aos 16 anos.
Aos 18, alistou-se nas Forças de Defesa de Israel, onde serviu no programa Nahal e na brigada de paraquedistas. Posteriormente, aproximou-se do Partido Comunista ao atuar como assessor parlamentar de Meir Vilner, representante do Hadash — frente da qual o Partido Comunista faz parte.
Aos poucos, envolveu-se com a vida política e eleitoral do partido. Na eleição de abril de 2019, ficou em quinto lugar na lista conjunta do Partido Comunista e do partido árabe social-democrata Ta’al, sob a coligação Hadash-Ta’al. Com a aposentadoria do deputado Dov Khenin, assumiu a cadeira reservada à população judaica da Frente Hadash. Desde então, foi reeleito em setembro de 2019, 2020 e 2021.
Cassif é formado em Filosofia e Ciência Política pela Universidade Hebraica de Jerusalém, com pós-graduação na London School of Economics, onde defendeu tese sobre nacionalismo e marxismo. Durante a entrevista concedida ao ICL Notícias e à revista Adorno, estava suspenso do Parlamento por ter apoiado a denúncia por genocídio apresentada pela África do Sul e por ter acusado Israel de crimes de guerra em Gaza.
https://youtu.be/Wfp459Ds63s
Você é deputado pelo Hadash, a Frente Democrática de Paz e Igualdade, composta pelo Partido Comunista e partidos árabes. Você ocupa hoje a função que foi de Meir Vilner, de quem foi assessor parlamentar, além de Tamar Gozansky e Dov Khenin. Hoje, é deputado, mas não está exatamente no Parlamento. O que aconteceu? Qual é sua situação formal no Knesset atualmente?
Primeiramente, não é exatamente como você colocou. Se me permite, gostaria de dizer que não tenho a função que essas figuras ocuparam. O Partido Comunista existe desde 1919 sob diferentes nomes, mas sempre foi um valor essencial para nós, como parte da Internacional Comunista — um movimento de esquerda, socialista e internacionalista. Por isso, palestinos, judeus, ou ambos juntos, sempre estiveram representados. Isso não é um cargo, é um valor — um pilar da estrutura partidária. A Frente, como você disse, é baseada nisso: uma frente democrática pela paz e igualdade, cuja base é o Partido Comunista.
E sempre foi difícil.
Temos deputados desde 1948, desde as primeiras eleições realizadas em todo o território de Israel, com a fundação do Estado. Desde então, sempre tivemos representação no Parlamento — mas sempre na oposição. Somos os únicos que jamais participamos de um governo ou de uma coalizão.
Há muitos partidos no Knesset, com diferentes histórias e disputas. Nós somos os únicos que nunca estiveram em uma coalizão. Isso porque acreditamos que não é possível integrar um governo que mantenha a ocupação, a discriminação, o racismo. Além disso, eles também não querem nossa presença.
Sejam partidos trabalhistas, o Likud ou qualquer outro, todos recusam sentar-se ao lado de comunistas e antissionistas como nós. E, claro, há o racismo. Eles não querem se sentar ao lado de palestinos, mesmo que estes representem 21% da população dentro de Israel — palestinos que vivem dentro do território israelense, não nos territórios ocupados.
A situação atual, no entanto, é ainda pior. Nunca houve um nível tão alto de demonização e desumanização. Somos retratados como demônios.
Desde o início deste governo — e, sobretudo, após o massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023 — o genocídio em Gaza, a limpeza étnica na Cisjordânia e o processo de fascistização dentro de Israel atingiram novos patamares. O grau de desumanização é alarmante.
Quase não conseguimos mais falar dentro do Parlamento. Fora dele, talvez — posso falar sobre isso mais adiante. Mas dentro, está mais difícil do que nunca.
Por exemplo, como você mencionou, estou suspenso. Por seis meses. Isso significa que só posso votar no plenário e nas comissões. Nada mais. Não posso falar, nem participar dos debates nas comissões. Apenas entro para votar.
E por quê? Porque disse que há genocídio em Gaza e porque assinei uma petição em apoio ao processo iniciado pela África do Sul em Haia. Só por isso.
E isso significa que mesmo os deputados de esquerda — e, infelizmente, somos os únicos verdadeiramente de esquerda no Parlamento — não podem se expressar livremente. Esta é a segunda vez que sou suspenso. Uma companheira deputada do meu partido também foi suspensa no ano passado.
Houve uma tentativa de impeachment para me expulsar do Parlamento, unicamente por ter assinado a petição da África do Sul. Dentro do Knesset, não podemos dizer livremente que há genocídio em Gaza ou limpeza étnica. Não podemos.
Se algum deputado disser isso durante sua vez de falar — não gritando, mas de forma regular — será imediatamente retirado do plenário. É ainda mais difícil…
Fora do Parlamento, a situação é muito pior para os cidadãos em geral. Não se trata apenas dos crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pelo governo de Israel em Gaza e na Cisjordânia. Trata-se também do fascismo que avança dentro do próprio sistema israelense.
Os crimes cometidos em Gaza e na Cisjordânia são terríveis. São horrores indescritíveis. Pogroms, violências sistemáticas — mas me parece que, aqui no Brasil, fala-se pouco sobre o avanço do fascismo dentro da sociedade israelense. Acompanhei os discursos a seu respeito como exemplo disso. Gostaria de ouvir sua opinião: essas falas que o levaram à suspensão do Knesset são tratadas como antissemitas. Há uma instrumentalização do antissemitismo, um fenômeno grave, mas que a direita tem usado para silenciar a esquerda. Isso é evidente nos Estados Unidos, também no Brasil, e mais ainda em Israel. Pessoas como você — e até mesmo da esquerda sionista — são consideradas antissemitas. O que pensa sobre isso?
Isso é uma manipulação grotesca. Por um lado, o governo de Israel — e não só ele, mas a maioria da oposição também — insiste que qualquer crítica às políticas do Estado ou qualquer resistência ao seu governo é automaticamente antissemita. Isso é uma mentira. Mas, ao mesmo tempo, essa estratégia acaba reforçando o argumento dos próprios antissemitas — os negacionistas do Holocausto, por exemplo, que dizem que os judeus são culpados pelo próprio genocídio.
Existe, de certa forma, uma parceria tácita entre esses grupos. Não me surpreende que, dentro de poucas semanas, Israel vá sediar uma conferência com os partidos mais fanáticos e fascistas da Europa. Em Israel! As vítimas do Holocausto se revirariam em seus túmulos. É como se os mortos não tivessem paz.
Veja, nós temos uma luta contra o antissemitismo — assim como contra todas as formas de racismo. O racismo é uma doença. É um crime. O antissemitismo é uma forma de racismo. Logo, também é um crime.
Se estamos lutando contra o governo de Israel por seus crimes, se estamos lutando pelo bem, pela democracia, pela igualdade, pela justiça, então também devemos combater o antissemitismo.
Ou seja, a ocupação, o genocídio e até mesmo o sionismo são crimes também. Minha luta contra o sionismo, contra a ocupação e contra o genocídio é parte da minha luta geral contra tudo o que é maligno — e isso inclui o antissemitismo.
Portanto, essa não é uma posição contraditória. E, com certeza, não é uma ideia estranha à esquerda. Se alguém acredita que deve lutar contra a ocupação, contra o genocídio em Gaza, contra a limpeza étnica na Cisjordânia, contra o fascismo dentro de Israel — e ao mesmo tempo apoia o antissemitismo — isso não faz sentido algum.
Como explicar que partidos e grupos neonazistas — como os da Hungria, os seguidores de Trump nos Estados Unidos, que é abertamente antissemita — falam tanto sobre Israel? Como entender que a extrema-direita na Alemanha, na Áustria, e também aqui no Brasil, com Bolsonaro, que é claramente antissemita, se declarem defensores de Israel? Como é possível que, hoje, o governo de Israel esteja fazendo alianças com grupos da extrema-direita? Como você explica isso?
Existem duas razões. A pergunta é: por que tantos fascistas e antissemitas apoiam Israel? Apoiam o governo de Israel, não o país ou o povo israelense. Primeiro, infelizmente, os muçulmanos e árabes são as vítimas mais diretas dos movimentos fascistas, racistas e nazistas ao redor do mundo — especialmente na Europa, mas também na Índia, no Brasil, na Argentina e em muitos outros lugares. Eles são as vítimas do racismo e do fascismo.
No contexto do Oriente Médio e da relação entre Israel e Palestina, quando Netanyahu diz que o conflito é essencialmente religioso — entre judeus e muçulmanos — ele reforça a narrativa dos fascistas e racistas da Europa. O que, evidentemente, é uma mentira. Mas ao apresentar o conflito nesses termos, o governo israelense faz coro com essas forças.
A outra razão é algo que precisamos entender. Infelizmente, não vi nada na imprensa ou em livros recentes que tratem disso. Trata-se de algo que Yehuda Bauer, um importante historiador do Holocausto, falecido há poucas semanas aos 95 anos, chamou de “antissemitismo reverso”.
Segundo Bauer, em certas circunstâncias após a Segunda Guerra Mundial — especialmente desde os anos 1970 — algumas pessoas continuam acreditando no antissemitismo clássico: que os judeus são mais ricos, mais poderosos, que controlam o mundo. Mas, enquanto no passado isso justificava matar ou expulsar os judeus, hoje esses antissemitas acham que devem trabalhar com eles.
Em hebraico, há uma frase que pode ser traduzida como “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. É isso que vemos com Orbán na Hungria, com Modi na Índia, com Bolsonaro no Brasil, com Milei na Argentina e com vários líderes da extrema-direita europeia. Eles acreditam que, por terem poder, os judeus — ou Israel, enquanto Estado — são o caminho mais seguro.
É um “filossemitismo” antissemita. Precisamos compreender essa noção de Bauer. Em hebraico, é chamado de “antissemitismo reverso” ou “antissemitismo positivo”. Isso não quer dizer que o antissemitismo é bom, claro que não. Significa que o antissemitismo atual passou a ver valor tático na aliança com Israel, mesmo mantendo o ódio aos judeus. Não há contradição nisso para eles — o ódio continua. Apenas a estratégia muda. Isso não é menos perigoso. É igualmente terrível.
Falamos por telefone, Ofer, sobre o golpe de Estado, o golpe contra as estruturas democráticas que ainda existiam em Israel, promovido pelo Instituto Kohelet — que é um modelo para a direita. Ou seja, há um grupo real, acadêmico, com respaldo jurídico ultraliberal e neofascista, que está impondo uma perspectiva em Israel. E observamos que essa mesma visão cresce em outros lugares. Você acredita que o golpe contra a democracia em Israel serve de modelo para ações semelhantes em outros países?
Por um lado, o governo de Israel, especialmente Netanyahu, estudou os exemplos da Hungria, da Polônia, da Índia, das Filipinas e de outros lugares. Mas você sabe… no romance Anna Kariênina, há uma frase famosa: “todas as famílias felizes são iguais, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. O mesmo vale para o fascismo — cada sociedade caminha rumo ao autoritarismo de forma particular.
É claro que há conexões e que um Estado observa e aprende com o outro, mas sempre há elementos locais que tornam o processo único.
Netanyahu estudou, por exemplo, o caso de Viktor Orbán na Hungria. Acho que esse é o principal exemplo seguido por ele. E, por outro lado, há países estudando Netanyahu e seu governo. Infelizmente, nos últimos anos, temos assistido a uma onda global de fascismo, com muitos exemplos na Europa, mas também nos Estados Unidos. E isso é ainda mais perigoso, dado o poder e a influência que os EUA exercem. Há, sim, uma espécie de pacto entre os fascistas globais — e Netanyahu faz parte dele.
Você acredita que existe alguma possibilidade de Netanyahu deixar o poder? Porque, mesmo depois do massacre do Hamas em 7 de outubro, ele já estava no governo. O que mais precisa acontecer para que ele saia? Há alguma possibilidade de otimismo na sociedade israelense, ou em relação à unidade entre árabes e judeus? Você vê alguma esperança nesse momento?
Veja, Antonio Gramsci dizia que nós, socialistas, devemos ter o pessimismo da razão e o otimismo da vontade — ou do coração. Para mim, este é um momento da minha vida em que estou muito pessimista ao pensar na situação atual e no futuro próximo. Mas ainda sou otimista em relação ao futuro mais distante. E isso não é apenas uma frase de efeito.
Sou otimista porque é impossível que essa situação continue indefinidamente. Não é como num filme de Hollywood, mas as pessoas simplesmente não conseguem viver assim para sempre. Podem suportar por um ano. Talvez dez anos. Mas não para sempre.
Há um exemplo claro: todos os sábados, há grandes manifestações contra o governo e contra a guerra em todo o país. Especialmente em Tel Aviv, os protestos vêm crescendo há muitos meses. Cada vez mais pessoas estão furiosas com o governo e com Netanyahu. Elas percebem que o governo não se importa com a vida dos reféns, nem com a segurança de Israel, nem com os próprios israelenses — e muito menos com os palestinos.
O único objetivo deste governo é levar adiante esse golpe de Estado fascista, seguido da implementação do chamado “plano de subjugação” de Smotrich, que prevê anexar todos os territórios palestinos ocupados, matar ou deportar palestinos que não aceitarem essa política. Eu disse isso no dia 8 de outubro de 2023, um dia após o massacre do Hamas. E foi por isso que fui suspenso.
Hoje, a maioria dos cidadãos de Israel entende essa realidade. Meus companheiros e eu estávamos sozinhos com essas ideias em outubro de 2023. E continuamos relativamente isolados. Mas as pesquisas indicam que quase 80% da população acredita que o governo e, em especial, Netanyahu, não têm nenhum interesse na vida dos reféns — e que querem a continuidade do genocídio em Gaza.
Isso é um sinal de esperança. A sociedade está mudando. Ainda de forma muito lenta, muito superficial, mas está mudando. E eu acredito que continuará mudando.
É impressionante. Um governo que é percebido por aceitar a morte de reféns, por um lado, e defender o genocídio, por outro. É um governo homicida — e suicida.
Exatamente. Você sabe que há um pai de um refém que fala bastante com a imprensa internacional. Ele também se reuniu com deputados do Hadash e com parlamentares dos Estados Unidos. Seu filho morreu em Gaza. E ele afirmou, com todas as letras, que Netanyahu é culpado não apenas pelo genocídio em Gaza, mas também pelo genocídio em Israel. Essas palavras vieram de um pai de refém.
O que você diria às pessoas de esquerda que observam com angústia a situação em Israel, mas não sabem exatamente como se posicionar? Há algo que gostaria de dizer aos companheiros da esquerda brasileira?
Gostaria de reforçar aquilo que já mencionei: antes de tudo, é essencial fazer uma distinção clara entre antissionismo e antissemitismo. Esses dois conceitos não são apenas diferentes — são opostos.
Por exemplo, eu sou antissionista porque sou antirracista. E justamente por ser contra o racismo, sou também contra o antissemitismo. Essa é uma posição que todos deveriam adotar.
Se alguém acredita que todos os judeus são iguais, que todos querem dinheiro, têm poder, são maus ou controlam o mundo — primeiro, isso é mentira. É uma teoria conspiratória estúpida. Mas, mais importante ainda, é moralmente absurdo. É errado. É perverso.
Se alguém realmente se interessa pela justiça, deve entender que ela é universal. Não existe uma justiça para uns e outra para outros. A justiça é uma só. E os judeus têm o direito de viver com justiça, assim como qualquer outro povo.
O antissionismo é uma objeção a uma ideologia e a uma prática. É absolutamente legítimo. Já o antissemitismo — como toda forma de racismo — é uma agressão contra pessoas, suas raízes ou origens. Como pessoas de esquerda, jamais podemos aceitar isso. Nunca.
Para mim, é muito importante que todos compreendam essa diferença e que jamais colaborem com racistas — o que, obviamente, inclui os antissemitas. Nunca.
E para os judeus do Brasil e da América do Sul? Há algo que gostaria de dizer a eles, especialmente diante das consequências das decisões do governo de Israel?
Mais uma vez, volto ao outro lado da moeda: não se pode culpar os judeus pelas ações do governo de Israel. Não se pode responsabilizar todos os judeus em Israel — e, muito menos, os judeus ao redor do mundo. Não existe essa conexão automática.
Estamos falando das políticas de um governo específico. E é contra essas políticas que devemos lutar — não contra a identidade de um povo.
Judeus no mundo não têm culpa pelo que faz o governo de Israel, assim como os muçulmanos que vivem no Brasil ou na Holanda não têm culpa pelos crimes cometidos pelo ISIS. Isso é ridículo.
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