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Ecologia

Aquecimento acima de 1,5°C pode ser irreversível, alerta estudo

Mundo supera pela primeira vez meta do Acordo de Paris; cientistas indicam tendência permanente

Publicado em 22/02/2025 10:12 - Semana On

Divulgação Photoshop

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O ano de 2024 entrou para a história como o mais quente já registrado, com um aumento de 1,6°C na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais. De acordo com um estudo do Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental, publicado na revista Nature Climate Change, esse aumento não seria um fenômeno isolado, mas sim um indicativo de que o planeta pode ter entrado em um novo patamar climático, com temperaturas permanentemente mais elevadas.

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O estudo desafia a ideia de que a superação temporária do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris não significaria, necessariamente, uma violação permanente da meta. Segundo os pesquisadores, análises anteriores consideravam períodos mais longos, de pelo menos 20 anos, para avaliar a tendência climática. No entanto, os dados recentes sugerem que o patamar de aquecimento atingido em 2024 pode ser mantido ou até superado nas próximas décadas, caso não haja medidas drásticas de mitigação.

Os cientistas analisaram séries históricas de temperatura e identificaram que, desde os anos 1980, cada novo nível de aquecimento registrado se manteve ou aumentou, mesmo considerando oscilações naturais como o fenômeno El Niño.

O que isso significa para o futuro?

A pesquisa aponta que, se não forem adotadas políticas rigorosas para reduzir emissões de gases do efeito estufa, 2024 pode ser apenas um prenúncio de um futuro ainda mais quente, com impactos cada vez mais severos.

“Observamos no passado que, uma vez que um limite de temperatura é ultrapassado, ele tende a se manter na média de longo prazo. E os modelos climáticos indicam que o mesmo ocorrerá com o limite de 1,5°C”, afirmou Jakob Zscheischler, um dos autores do estudo, ao portal alemão Tagesschau.

Outra pesquisa, conduzida por cientistas canadenses e publicada no mesmo periódico, chegou a conclusões semelhantes, reforçando o alerta de que o aquecimento global pode ter entrado em uma nova fase irreversível.

O papel dos combustíveis fósseis e as chances de reversão

O estudo reforça que o principal motor do aquecimento global é a queima de combustíveis fósseis, que segue em ritmo acelerado apesar dos alertas científicos. Desde 1990, as emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) aumentaram cerca de 50%, agravando o efeito estufa e impulsionando as mudanças climáticas.

Mesmo países com climas historicamente amenos já estão enfrentando eventos extremos, como ondas de calor, secas, temporais e enchentes cada vez mais frequentes e intensos.

No entanto, os cientistas ainda enxergam uma possibilidade de contenção dos danos. Caso as emissões sejam reduzidas drasticamente e de forma imediata, ainda há uma chance de estabilizar o aquecimento em 1,5°C ou, no pior cenário, limitar a 2°C, teto máximo definido pelo Acordo de Paris.

O desafio, no entanto, é imenso. As nações do mundo ainda não demonstram avanços significativos na substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas de energia, e as políticas de mitigação do clima avançam em ritmo mais lento do que o necessário para conter o aquecimento global.

A grande questão que permanece é: a humanidade está disposta a agir antes que seja tarde demais?

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