17/04/2024 - Edição 540

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Esplanada Ferroviária recebe mostra de dois novos contemplados pelo Prêmio Ipê de Artes Visuais

A partir das 19h, na Galeria de Vidro, o público poderá acompanhar uma exposição conjunta de dois talentos da cena local

Publicado em 06/11/2022 9:53 - Semana On

Divulgação PMCG

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Na próxima terça-feira (8), a Prefeitura de Campo Grande retoma as exposições de contemplados pelo Prêmio Ipê da Artes Visuais. A partir das 19h, na Galeria de Vidro, o público poderá acompanhar uma exposição conjunta de dois talentos da cena local, em duas plataformas distintas: os origamis de Elder Alves e a arte abstrata de Camila Kipper.

O evento, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, é aberto ao público, e a exposição ficará disponível para visitação até o dia 22. Esta é a primeira vez que dois ganhadores do Prêmio Ipê apresentam juntos seus trabalhos, e Elder Alves comentou sobre a novidade. “A gente decidiu fazer uma exposição não de maneira separada, como se fosse uma colcha de retalhos; nós conversamos antes e tentamos fazer uma integração entre as duas linguagens. Então acho que outro ponto interessante é ver esse processo entre duas bases de comunicação visual distintas e a maneira como uma arte pode conversar com outra”, disse o artista.

Elder é natural de Campo Grande e origamista há 30 anos. Nas últimas duas décadas passou a se dedicar a uma modalidade específica da arte com dobraduras, que é o origami decorativo. “Geralmente o origami é visto como uma arte ligada a uma coisa infantil, a crianças. As pessoas nunca associam o origami a uma ferramenta de artes visuais”, explica.

Outro aspecto marcante do trabalho de Elder Alves é a sua base educativa. Ele criou de maneira voluntária um grupo de origami que se reúne periodicamente na biblioteca municipal. Lá os participantes trocam técnicas e promovem reflexões sobre o uso pedagógico da arte, que pode auxiliar no desenvolvimento da inteligência espacial e no ensino de matemática.

Para a exposição “Vivendo o Origami”, Elder disse que pretende trazer essas diferentes vertentes das dobraduras orientais e integrá-las, com ajuda da cenografia de Bruno Atra, às pinturas em tela de Camila Kipper.

A carioca Camila vive há mais de 25 anos na Capital e se declara “campo-grandense de coração”. “Uma das coisas que mais me inspira aqui é essa natureza pujante que a gente tem, muito forte. A gente está dentro da cidade e ao mesmo tem as araras voando sobre as nossas cabeças; tem parques maravilhosos. É aquela coisa linda”, declara a pintora.

Além da natureza, a artista costuma mesclar o tema dos problemas da contemporaneidade em suas obras, sempre fazendo uso da arte abstrata. “A obra de Deus é tão perfeita que eu não ouso copiar, então eu tento fazer uma coisa inédita. Acho que o abstrato nunca se repete: cada trabalho é um trabalho e não representa nada que exista, mas faz uma reverência a elas”, justifica.

A carreira artística de Camila é relativamente recente, tendo começado por volta de 2008. Isso porque sua formação acadêmica na verdade foi na área de Ciência da Computação, em 2000. Ela conta que sua preocupação era sempre voltada para a interface e o visual dos programas, e isso a aproximou da área de design gráfico. “Pensei: já que a minha pegada é visual, vou me especializar nisso e entender o efeito que isso causa nas pessoas e como funciona o mercado”.

A pintora conta que decidiu cursar uma pós-graduação em Artes Visuais, por meio da qual pôde estudar mais sobre a história de grandes artistas e movimentos culturais, e sentiu facilidade com os desenhos – algo que ela acredita ter herdado dos pais, ambos arquitetos e responsáveis por tornar a arte um elemento sempre presente em casa. Desde então, Camila vem fazendo cursos para aprimorar sua técnica, vários deles no Rio de Janeiro, e traz na exposição “Éden” obras que são fruto do amadurecimento de seu trabalho. As telas são uma celebração ao feminino, à Mãe Terra, e buscam ressignificar o conceito de “paraíso” para o tempo presente.

Sobre o 1º Prêmio Ipê de Artes Visuais  

Aberto no dia 30 de setembro de 2021, o edital com caráter de premiação previa a seleção de dezenas de artistas locais para serem contemplados com R$ 5 mil cada. Foram devidamente habilitados 21 inscritos, espalhados entre dez categorias diferentes: pintura, gravura, escultura, fotografia, instalação, performance, projeção mapeada, grafite, artes visuais e tecnologias. Poderiam participar do certame pessoas físicas e jurídicas que tivessem atividades realizadas no segmento há, no mínimo, três anos.

Eldes Alves acredita que o prêmio representa um marco no campo das artes de Campo Grande. “[O edital] fez com que várias vertentes da cultura tivessem uma projeção no nosso centro histórico, o que é importante inclusive para a gente ter um panorama sobre a criação artística nas artes visuais da cidade. Está sendo uma troca importantíssima até para nós, como artistas, de ver outras vertentes. Estou conhecendo profissionais que eu não conhecia e vendo a diversidade da nossa arte”, finaliza.


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