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Cultura e Entretenimento
Médico transforma um hobby em peças de muito bom gosto em Campo Grande
Publicado em 24/12/2022 2:54 - Victor Barone
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Qual é a relação entre a medicina e a marcenaria? Para o cirurgião vascular Luiz Wanderlei Raposo há um ponto que une as duas atividades. “O cirurgião vascular é aquele camarada que está ali para restaurar um fluxo sanguíneo, para manter a vida de um paciente. E o artesão que trabalha com marcenaria está ali para restaurar uma madeira que já foi morta, para florescer nela a vida. Transformar algo inerte em uma peça viva”, explica.
Natural de Presidente Bernardes (SP), Raposo completou, no último dia 19, 33 anos de medicina. Com 61 anos de idade e radicado em Campo Grande (MS) desde 1982, ele também acumula uma vida de dedicação a um hobby que se transformou em paixão: a marcenaria. Uma paixão tão latente que o fez adquirir um terreno ao lado de sua residência para ali instalar o ateliê da MULTIFOX Móveis e Decorações Rústicas.

Wanderlei Raposo em sua residência. No detalhe, mesa de centro móvel.
O amor pelo artesanato em madeira vem de família. Seus tios já se dedicavam à área e, ainda criança, Wanderlei Raposo observava o trabalho dos parentes, aprendendo macetes e aguçando a curiosidade. Foi com o pai, Manoel Raposo, em uma fazenda madeireira em Pontal do Paranapanema – ainda bem menino – que ele reforçou o interesse pela atividade. “Eu ficava naquela serraria, em cima daquelas toras, apaixonado, sempre mexendo, brincando com as coisas. Tudo fruto da influência do meu pai e dos meus tios”, relembra.
O tempo passou e Wanderlei nunca esqueceu aqueles dias, pelo contrário, se dedicou com afinco à arte e transformou-a em um lazer que virou uma mistura de negócio e prazer. “Devagarinho estou desacelerando da Medicina para me dedicar com mais tempo à arte da natureza. O marceneiro foi comendo o tempo do médico. E, aos trinta e três anos de consultório, há dois anos eu passei a me dedicar bastante à marcenaria”.

Wanderlei explica a funcionalidade de sua lareira ecológica.
Ele explica como o hobby se transformou em uma atividade profissional. “Percebi que sempre que me sobrava tempo, corria para o ateliê. Primeiro fazendo peças a pedido de minha esposa. Depois, a pedido dos amigos. Fazia muitas coisas de madrugada, e fui percebendo que aquilo foi me envolvendo, me envolvendo… Até que equacionei meus horários: fazia consultório até 18h, depois até 16h, e foi me sobrando cada vez mais tempo para a marcenaria”.
Hoje, Wanderlei tem uma vasta rede de clientes, entre amigos e interessados em sua arte, e uma grande gama de produtos. As peças criadas por ele têm em comum uma forte ligação com a natureza, com o rústico, e, ao mesmo tempo, refletem bom gosto e refinamento nos projetos, sempre utilitários e originais.
Mesas, champanheiras, cervejeiras, aquecedores ecológicos, aparadores, tábuas de corte e outros utensílios para churrasco, tudo em madeira de lei e com um toque artístico e único. Estas são apenas algumas das peças que Wanderlei produz em seu ateliê. O trabalho com madeira e resina também é um dos destaques. “O trabalho em resina começou quando percebi que havia muitos troncos que eu cortava para fazer pequenas mesas e que tinham buracos de apodrecimento natural, ou eram ocos no centro. O complemento da resina é belíssimo, causa um efeito muito especial na peça”.

Chopeira/champanheira. Uma peça versátil e bonita.
Além de bonitas as peças têm valor justo. “Eu me assustei num shopping de São Paulo, outro dia. Eu vi um aparador exatamente igual a um modelo que faço, por R$ 11 mil reais. Eu vendo aqui a R$ 1 mil. A gerente da loja perguntou se eu poderia vender toda minha produção para ela. Eu expliquei que não produzo em massa. Minhas peças nunca são iguais uma a outra. A natureza não repete projetos”, diz.
A capacidade de transformar uma madeira “morta” em uma peça cheia de vida empolga o artista. “Quando eu pego uma peça da natureza, que eu ganho, ou que alguém rejeitou, trabalho ela e a recrio. É arte que renova a vida”.
As madeiras mais comuns que ele utiliza em seu ateliê são o Cedro Rosa, o Jatobá, o Ypê e o Angico. “São madeiras mortas, nunca sacrifiquei nenhuma árvore para trabalhar. São madeiras já tombadas, madeiras de demolição, etc.”.
Wanderlei mantém um canal no Instagram para divulgar o seu trabalho (e também atende pelo telefone 99221-8978). Suas peças podem ser vistas na Feira do Bosque, que acontece no terceiro domingo de cada mês, no Carandá Bosque. Em breve ele pretende abrir um show room para expor com mais conforto a grande variedade de criações da MULTIFOX.

Wanderlei em seu ateliê: hobby e arte.
Um verdadeiro arrista.
Parabéns, Juntando as duas ARTES, É uma forma perfeita de curar o corpo e a alma.
Olá dr. Raposo! O senhor me operou das varizes no Hosp. São Camilo qnd era funcionária da Prefeitura de Itapevi e atendeu minha irmã e sobrinha em Campo Grande! Até hoje procuram pelo senhor e não encontram.
Mercedes Ajala e Tânia Ajala Moreno.
Feliz em te encontrar! Deus o abençoe!