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Comportamento
Especialistas alertam para impactos, que incluem ansiedade, depressão, distúrbios do sono e alterações cognitivas
Publicado em 20/09/2025 11:30 - Semana On
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O uso excessivo de redes sociais por adolescentes está diretamente associado ao agravamento de quadros como depressão, ansiedade, distúrbios do sono e transtornos alimentares, segundo alertam a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Academia Americana de Pediatria e o Ministério da Saúde. O consenso entre as entidades é claro: o acesso deve ser evitado até os 12 anos e rigidamente controlado até os 17.
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A recomendação parte de evidências crescentes que apontam os danos neuropsicológicos provocados pela exposição contínua a conteúdos idealizados, algoritmos de validação social e ausência de regulação externa. A fase entre os 12 e 17 anos, apontada por especialistas como um período de intensa plasticidade cerebral, representa uma janela de vulnerabilidade.
“O uso problemático não se resume ao tempo de tela, mas à perda de controle, ao sofrimento emocional e aos prejuízos nas atividades diárias”, afirma Gustavo Yamin Fernandes, coordenador de psiquiatria do Hospital Samaritano Higienópolis. “A comparação constante com padrões idealizados, a busca por validação e a exposição a conteúdos irreais impactam diretamente o bem-estar dos jovens.”
Segundo Fernandes, essa distorção de realidade pode gerar um ciclo de frustração contínua: “Adolescentes passam a se comparar não com a realidade, mas com versões editadas de outras pessoas. Isso distorce a percepção e eleva as cobranças internas”.
O alerta é reforçado pela psiquiatra Paula Gibim, do Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro. Para ela, os efeitos do uso abusivo das redes sociais são percebidos de forma cada vez mais precoce: cansaço diurno, dificuldade de concentração, oscilações de humor e até sinais de abstinência quando o celular é retirado. “A presença constante das redes afeta o sono, os hábitos alimentares, a autoestima e até a qualidade dos relacionamentos fora do ambiente digital”, observa.
Esses efeitos, segundo Gibim, muitas vezes são confundidos com mudanças naturais da adolescência, o que pode atrasar o diagnóstico de transtornos mentais em desenvolvimento. Por isso, a orientação dos especialistas é clara: o comportamento online deve ser monitorado de perto por pais e responsáveis — não apenas o tempo de uso, mas também os conteúdos acessados e as interações estabelecidas.
“A resistência à supervisão também pode ser um sinal de alerta”, diz Gibim. A recomendação da OMS e da Academia Americana de Pediatria é que adolescentes não ultrapassem duas horas diárias de redes sociais e que o uso seja evitado antes de dormir.
Um problema global e crescente
Estudos publicados nas últimas duas décadas reforçam a relação entre o uso prolongado de redes e o aumento de sintomas depressivos entre jovens. Um levantamento conduzido pela Lancet Child & Adolescent Health (2019) com mais de 10 mil adolescentes britânicos apontou que meninas que usavam redes sociais mais de três horas por dia apresentavam risco 60% maior de sintomas depressivos.
Outro estudo, publicado em 2022 pela JAMA Psychiatry, observou um aumento significativo nos índices de depressão e ansiedade em adolescentes americanos entre 2009 e 2019 — período que coincide com a ascensão das redes sociais móveis. A pesquisa identificou correlações diretas entre o tempo de tela e marcadores de sofrimento emocional, como insônia, baixa autoestima e sensação de inadequação.
Desinformação, comparação e validação
O ambiente das redes também apresenta riscos indiretos. Além dos conteúdos distorcidos que promovem padrões estéticos inatingíveis, os jovens estão mais expostos à desinformação, discursos de ódio, cyberbullying e a pressões de pertencimento. O impacto vai além da saúde mental: compromete o desempenho escolar, o desenvolvimento emocional e a construção da identidade.
“A adolescência é um momento de formação subjetiva intensa. Quando esse processo é mediado por algoritmos que reforçam comparações sociais e buscam maximizar o engajamento a qualquer custo, há um sério comprometimento do equilíbrio emocional”, destaca um relatório do UNICEF sobre bem-estar digital, publicado em 2021.
Regulação e orientação: um caminho urgente
Diante do cenário, o Ministério da Saúde brasileiro passou a orientar formalmente que o uso de redes sociais seja evitado até os 12 anos e limitado até os 17. A medida acompanha iniciativas de outros países que já discutem legislações específicas para restringir o acesso de menores às plataformas, exigir mais transparência dos algoritmos e responsabilizar empresas por conteúdos prejudiciais.
A pauta também chegou ao Congresso Nacional, com projetos de lei que visam limitar o uso de redes por menores de idade, exigir consentimento dos responsáveis e aplicar multas a plataformas que descumprirem regras de proteção à infância e adolescência.
No entanto, enquanto a regulação não avança, especialistas insistem: a supervisão parental ainda é o principal mecanismo de proteção. Isso envolve estabelecer rotinas saudáveis, oferecer alternativas offline, fomentar o diálogo e identificar sinais de alerta com atenção e empatia.
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