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AUAU MIAU
A prática parte do reconhecimento de que os animais são seres sencientes
Publicado em 06/11/2025 1:46 - Sonia Peçanha
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Latidos incessantes, medo de trovões ou arranhões nos móveis nem sempre indicam apenas um “mau comportamento”. Cada vez mais tutores têm buscado entender o que está por trás dessas atitudes, recorrendo à chamada terapia comportamental para pets. A proposta é simples: tratar o lado emocional de cães e gatos, promovendo bem-estar e uma convivência mais harmoniosa com os humanos.
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A prática parte do reconhecimento de que os animais são seres sencientes — isto é, capazes de sentir emoções como medo, ansiedade, frustração e insegurança. Situações como mudanças de ambiente, chegada de novos membros à família ou longos períodos de solidão podem afetar profundamente o comportamento dos pets.
Nesse contexto, o acompanhamento terapêutico busca identificar gatilhos emocionais e desenvolver estratégias personalizadas de cuidado, com foco no equilíbrio emocional do animal.
Avaliação individual e plano de cuidados
O processo terapêutico começa com uma avaliação detalhada da rotina do animal. Fatores como alimentação, ambiente doméstico, relação com o tutor e episódios de estresse são observados com atenção.
Com base nesse diagnóstico, o profissional — que pode ser um terapeuta comportamental ou um veterinário com formação específica — propõe um plano de intervenção. As abordagens incluem técnicas como reforço positivo, enriquecimento ambiental, estímulos sensoriais e, em alguns casos, o uso de práticas integrativas, como florais, acupuntura, fitoterapia, feromônios e até canabidiol, sempre com orientação veterinária.
Mais do que corrigir comportamentos indesejados, o foco está em tratar as causas emocionais que geram essas respostas.
A participação ativa do tutor
A terapia só funciona com o envolvimento direto dos tutores. Cabe à família seguir as orientações, aplicar as mudanças no dia a dia e oferecer segurança emocional ao animal. O progresso é, em geral, gradual — e respeita o tempo de adaptação de cada pet.
Cães ansiosos, por exemplo, podem aprender a redirecionar sua energia, enquanto gatos com comportamento arredio tendem a ganhar confiança quando expostos a estímulos corretos em um ambiente estável.
Pequenas mudanças na rotina também fazem diferença: ajustar horários de alimentação, oferecer espaços tranquilos e propor brincadeiras cognitivas são atitudes simples que ajudam a reduzir a ansiedade e reforçam o vínculo entre humanos e animais.
Desde o isolamento social provocado pela pandemia, casos de ansiedade de separação em cães e gatos se tornaram mais frequentes, segundo profissionais da área. O problema está entre os principais motivos para a procura por terapia comportamental.
Quando é hora de buscar ajuda
O acompanhamento profissional é indicado sempre que o comportamento do animal afeta seu bem-estar ou compromete a convivência com a família. Destruição de objetos, agressividade, medos persistentes ou alterações no apetite e no sono são sinais de alerta.
Mesmo animais considerados tranquilos podem se beneficiar da terapia em momentos de mudança, como a chegada de um bebê, a perda de outro pet ou o envelhecimento.
Mais do que tratar sintomas, o acompanhamento terapêutico ajuda os tutores a entenderem melhor seus companheiros. E um pet emocionalmente equilibrado vive mais, se comunica melhor e fortalece ainda mais o vínculo com quem cuida dele.
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SONIA PEÇANHA
É veterinária no Rio de Janeiro.
Mudanças de comportamento em cães e gatos podem indicar dor ou estresse
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