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Mudanças de comportamento em cães e gatos podem indicar dor ou estresse

Letargia, isolamento e perda de apetite podem não ser apenas sinais de preguiça

Publicado em 23/10/2025 4:18 - Sônia Peçanha

Divulgação Pixabay

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Donos de cães e gatos devem ficar atentos a mudanças sutis no comportamento dos pets, que podem sinalizar dor, estresse ou até quadros mais graves, como depressão ou doenças crônicas.

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Embora não falem, cães e gatos expressam desconforto por meio de atitudes e posturas que, à primeira vista, podem passar despercebidas. Dormir mais do que o habitual, evitar carinhos, deixar de brincar ou perder o interesse pela comida são alguns dos sinais que merecem atenção.

Cães: dor pode alterar comportamento e postura

Nos cães, o sofrimento costuma se manifestar por mudanças corporais e comportamentais evidentes. O animal pode começar a andar mais devagar, tropeçar em escadas ou evitar atividades que antes realizava com facilidade, como correr e pular. A lambedura constante de uma área específica do corpo, a postura arqueada e o isolamento repentino também são sinais comuns de que algo não vai bem.

Em outros casos, o desconforto pode gerar reações opostas: agressividade súbita, choros sem motivo aparente ou recusa de contato físico. Alterações no apetite, como mastigar apenas de um lado da boca ou rejeitar a ração, também devem ser observadas.

Segundo especialistas, a forma como os cães demonstram dor varia conforme a idade e a raça. Animais idosos e de raças maiores tendem a disfarçar melhor o desconforto, enquanto cães menores ou de companhia geralmente vocalizam mais e se mostram mais inquietos.

Felinos disfarçam a dor — e isso pode ser perigoso

Nos gatos, identificar o sofrimento é ainda mais desafiador. Por instinto de autoproteção, os felinos tendem a esconder sinais de fraqueza, o que pode dificultar o diagnóstico precoce de doenças.

Um gato que evita pular, passa longos períodos escondido ou lambe compulsivamente uma parte do corpo pode estar sofrendo em silêncio. A aparência da pelagem também pode ser um indicativo: fios arrepiados, opacos ou falhados revelam que o animal deixou de se lamber — um dos primeiros sinais de que algo está errado.

Nem todo comportamento incomum é sinal de dor

É importante, no entanto, distinguir sinais de dor de comportamentos naturais. Bocejos frequentes, espreguiçar-se várias vezes ao dia ou lamber o focinho, por exemplo, podem indicar apenas relaxamento ou tédio.

Tremores leves podem ser provocados por frio ou medo. Já uma recusa alimentar temporária pode estar relacionada a estresse ou alterações no ambiente. Em dias mais quentes, o ofegar intenso pode indicar apenas calor — assim como o aumento do tempo de sono, comum em gatos, pode refletir uma adaptação ao ciclo natural de descanso.

Por isso, a recomendação dos veterinários é observar o contexto e o padrão geral de comportamento do animal. Mudanças pequenas, mas persistentes, tendem a ser mais relevantes do que sintomas isolados.

Diante de sinais persistentes, procure um veterinário

Identificada qualquer alteração na rotina ou suspeita de dor, a orientação é buscar avaliação profissional. A automedicação, além de ineficaz, pode ser perigosa. Medicamentos de uso humano, por exemplo, podem causar intoxicação e até levar à morte de cães e gatos.

O tratamento adequado depende de um diagnóstico preciso, que deve considerar tanto fatores físicos quanto emocionais. O cuidado preventivo e a atenção cotidiana ao comportamento do animal são fundamentais para garantir saúde e bem-estar.

SONIA PEÇANHA

É veterinária no Rio de Janeiro.

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Sonia Peçanha


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