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True Colors
Combinando avanço tecnológico e atendimento inclusivo, medicina amplia possibilidades para diferentes configurações familiares
Publicado em 16/04/2026 2:03 - Luiza Camargo
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A noção de família passa por transformações consistentes — e a medicina acompanha esse movimento. No Brasil, técnicas de reprodução assistida vêm consolidando alternativas concretas para pessoas LGBTQIA+ e indivíduos fora dos modelos familiares convencionais que desejam ter filhos, com suporte clínico estruturado e protocolos voltados à segurança.
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De acordo com a ginecologista Stephanie Majer, observa-se uma demanda crescente desse público por soluções reprodutivas. “Cada vez mais, pessoas LGBTQIA+ e indivíduos que não seguem modelos familiares tradicionais encontram na reprodução assistida um caminho seguro e possível para realizar o desejo de ter filhos”, afirma.
No campo das possibilidades, os procedimentos variam conforme o perfil e o projeto parental. Entre casais formados por duas mulheres, destacam-se a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro (FIV). Dentro dessa última, o método conhecido como ROPA — Recepção de Óvulos da Parceira — permite que uma mulher forneça o óvulo enquanto a outra conduz a gestação, criando uma dinâmica compartilhada desde a concepção.
Já no caso de casais de homens, a alternativa viável no país é a gestação por substituição, regulamentada por critérios éticos específicos. Para pessoas trans, a medicina oferece ainda a possibilidade de preservação de gametas — óvulos ou espermatozoides — antes do início de terapias hormonais ou procedimentos cirúrgicos, o que mantém aberta a perspectiva de filiação biológica no futuro. “Cada estratégia é definida a partir da história, do desejo e das condições clínicas de quem busca o tratamento”, sintetiza a especialista.
No entanto, o avanço técnico não opera isoladamente. O acolhimento no atendimento emerge como elemento central ao longo de todo o processo. Segundo Majer, a experiência dessas famílias frequentemente envolve obstáculos que extrapolam a dimensão médica, incluindo desafios emocionais e sociais anteriores mesmo ao início dos procedimentos. “Mais do que tecnologia, a reprodução assistida exige sensibilidade”, pontua.
Na prática clínica, esse cuidado se traduz em uma abordagem livre de julgamentos, com uso de linguagem inclusiva, escuta qualificada e orientação transparente. As etapas do tratamento, nesse contexto, envolvem não apenas decisões técnicas, mas também questões jurídicas, éticas e afetivas. “O atendimento precisa ser livre de julgamentos, com linguagem inclusiva, escuta ativa e compreensão das singularidades de cada história”, reforça.
Com a evolução das técnicas e a ampliação do acesso, a reprodução assistida deixou de ocupar exclusivamente o espaço de resposta à infertilidade. Hoje, insere-se também como instrumento de viabilização de projetos de vida, atendendo a uma diversidade de trajetórias familiares. “A medicina não se limita a tratar infertilidade, mas também atua como facilitadora de projetos de vida”, afirma a médica.
Nesse cenário, a parentalidade se distancia de modelos únicos e passa a ser compreendida como resultado de escolhas planejadas e vínculos construídos. Como resume Majer, trata-se de um processo que “nasce do desejo, do planejamento e do afeto”.
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LUIZA CAMARGO
É jornalista e professora. Atua em São Paulo.
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