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Governo Trump retira bandeira do Orgulho do Monumento de Stonewall

Medida provoca protestos em Nova York e é classificada como “ato de apagamento” da história LGBTQ+

Publicado em 11/02/2026 11:45 - Luiza Camargo

Divulgação Reprodução

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A retirada da bandeira do Orgulho LGBTQ+ do mastro do Monumento Nacional de Stonewall, em Manhattan, desencadeou nova controvérsia entre o governo do presidente Donald Trump e lideranças políticas de Nova York. O gesto, ocorrido na noite de domingo ou na madrugada de segunda-feira, segundo o jornal Gay City News, foi justificado pelo Serviço Nacional de Parques (NPS) como cumprimento de diretriz administrativa em vigor desde 2023.

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A agência federal, responsável pela gestão de monumentos nacionais, informou que administra o mastro instalado no parque Christopher Park, em Greenwich Village, e que a remoção teve como objetivo assegurar a aplicação uniforme de uma “política de longa data”. O entendimento do NPS é que mastros sob sua jurisdição não configuram “fórum para livre expressão pública” e que, salvo exceções específicas, apenas a bandeira dos Estados Unidos ou símbolos que representem “os sentimentos oficiais do governo federal” podem ser hasteados.

Em memorando encaminhado no mês passado a diretores regionais e superintendentes, o órgão reiterou essa orientação. “Quaisquer alterações na exibição das bandeiras ocorrem para garantir a consistência dessa diretriz”, afirmou o NPS em nota.

Reação política e protestos

Para autoridades locais, entretanto, a decisão ultrapassa o campo administrativo e se insere em um contexto político mais amplo. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificou a medida como “um ato de apagamento”. Em publicação na rede X, declarou: “Nova York é o berço do movimento moderno pelos direitos LGBTQ+, e nenhum ato de apagamento poderá mudar ou silenciar essa história”.

O presidente do distrito de Manhattan, Brad Hoylman-Sigal, afirmou que a retirada representa “um ataque deliberado à comunidade LGBTQ+” e anunciou, ao lado de outros representantes, a intenção de hastear novamente a bandeira arco-íris até o fim da semana. “Achamos que o pior resultado seria a prisão, mas isso está de acordo com o espírito do próprio Stonewall. O movimento foi fundado com base na rebelião contra as autoridades”, declarou.

Na terça-feira (10), cerca de uma centena de manifestantes se reuniu em frente ao monumento para protestar contra a decisão, descrita por participantes como “um tapa na cara” da comunidade.

Marco histórico sob disputa simbólica

O monumento marca o local dos confrontos iniciados em junho de 1969 após uma batida policial no Stonewall Inn, bar frequentado por gays, lésbicas e pessoas trans. À época, operações policiais contra estabelecimentos LGBTQ+ eram recorrentes. A reação espontânea que se seguiu — conhecida como Revolta de Stonewall — estendeu-se por seis dias e se tornou um divisor de águas na organização do movimento moderno pelos direitos homossexuais nos Estados Unidos, posteriormente ampliado para incluir pessoas transgênero e não binárias.

O local foi oficialmente designado monumento nacional em 2016 pelo então presidente Barack Obama, consolidando seu reconhecimento como patrimônio histórico federal.

Contexto federal mais amplo

A controvérsia ocorre em meio a iniciativas do governo Trump relacionadas à pauta LGBTQ+, especialmente no que diz respeito à população transgênero. Após retornar à Casa Branca, o presidente assinou decreto determinando que agências federais adotem a definição de dois sexos imutáveis — masculino e feminino — como referência oficial.

Em seguida, o site do monumento sob gestão do NPS teve menções às pessoas trans e queer removidas, com a sigla “LGBT” substituída por “LGB”. O entorno do parque, contudo, permanece adornado com bandeiras arco-íris instaladas por comerciantes e moradores da região, tradicional polo da vida noturna LGBTQ+ nova-iorquina.

O Serviço Nacional de Parques não respondeu aos questionamentos sobre eventuais medidas caso manifestantes reinstalem a bandeira no mastro federal.

Ao retirar um símbolo amplamente associado à luta por direitos civis em um dos marcos históricos mais emblemáticos do país, o governo federal reacende o debate sobre os limites entre padronização administrativa e disputa simbólica — um embate que, no caso de Stonewall, carrega peso histórico e político difícil de dissociar.

LUIZA CAMARGO

É jornalista e professora. Atua em São Paulo.

Brasil é o país que mais mata trans e travestis

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Luiza Camargo


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