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True Colors

Casamento gay cresce mais que união hétero em 2015 no Brasil

Publicado em 25/11/2016 12:00 - Redação Semana On

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O casamento de pessoas do mesmo sexo no Brasil cresceu mais do que a união de pessoas heterossexuais, entre 2014 e 2015. Os héteros casaram mais em número absolutos, mas o ritmo de crescimento do casamento gay avança em percentuais maiores.

É o que indica as Estatísticas de Registro Civil, pesquisa anual divulgada na quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, de 2014 para 2015, houve aumento de 2,7% no volume de casamentos de pessoas de sexo opostos no Brasil.

No mesmo período, as uniões entre pessoas do mesmo sexo subiram 15,7%. Os casamentos gays são, em termos absolutos, menores, e representaram 0,5% do total de casamentos celebrados no país em 2015. No ano passado, houve 1.137.321 de casamentos no país. Desse total, somente 5.614 foram de pessoas do mesmo sexo.

As designers Marina Chevrand, 35, e Calu Tegagni, 39, estão entre os casais homoafetivos que oficializaram a união. Elas já moravam juntas há cinco anos quando resolveram casar, em março de 2015.

"Acho que para os casais gays o casamento é um pouco diferente do que é para os héteros. Não tem todo aquele romantismo da mulher que vai usar o vestido de noiva. É muito mais uma questão de conquista de direito mesmo, de ter direitos iguais", afirma Marina.

A ideia era uma coisa simples, com ambas vestindo jeans, mas a influência dos amigos transformou a cerimônia. "Acabamos decidindo fazer tudo uma semana antes. Compramos vestidos, preparamos um brunch para depois do cartório, uma amiga levou os buquês. Foi superlegal, a gente comemorando com todos os amigos", conta.

Hoje, as duas moram na Itália, onde pretendem fazer um novo casamento. A primeira união já permitiu que Marina conseguisse visto para ficar no país, já que Calu tem a nacionalidade italiana também, mas o casamento – legalizado no país há seis meses ampliará os direitos das duas como casal. "Se uma de nós ficar doente aqui, a outra não pode nem acompanhar no hospital sem o casamento."

Para a atriz Micheline Lemos Vaz Guimarães, 41, o casamento também teve como ponto principal a questão do direito, da igualdade. "Somos fortes, independentes, jamais pensamos em véu e grinalda. Nada contra, mas a gente não tinha nada a ver com isso. Acho que a primeira coisa era o cunho político mesmo", conta ela.

Micheline e a empresária Celina Lemos Vaz Guimarães, 45, já moravam juntas há cerca de um ano quando decidiram oficializar a união, em julho de 2015. Foram três meses de preparação para a cerimônia que também começou como uma ideia modesta e acabou reunindo 150 parentes e amigos das noivas.

Apesar do evento e da mudança dos sobrenomes, Micheline diz que nada mudou no relacionamento das duas. "O casamento veio em um momento bem maduro das nossas vidas. Cada dia que passa temos a sensação de ter feito a coisa mais certa possível. Somos companheiras, parceiras pra tudo".

Pesquisa

A estatística só leva em conta casamentos de papel passado. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça aprovou resolução que determina que todos os cartórios estão habilitados a celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país.

O Sudeste lidera na quantidade de uniões entre pessoas do mesmo sexo: foram 3.077 casamentos em 2015. O Sul vem logo em seguida, com 1.047 registros. De acordo com o IBGE, o aumento dos casamentos gays é generalizado no país.

Das 27 unidades da federação, 20 tiveram alta dos registros na passagem de 2014 para 2015. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são os estados que lideram no assunto, com crescimentos que superam 10%.

Enquanto pessoas que optam pelo casamento gay, o fazem, em média, mais tardiamente– 34 anos para homens e mulheres–, pessoas que optam pela união hétero o fazem mais cedo: 27 anos para as mulheres e 30 para os homens.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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