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Especialistas explicam como pets e outros bichos lidam com a perda
Publicado em 17/02/2025 11:53 - Sônia Peçanha
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A morte de um companheiro pode trazer tristeza profunda para os seres humanos, mas e os animais? Cientistas e veterinários apontam que, embora o luto nos bichos seja menos complexo do que nos humanos, há evidências de que cães, gatos e outras espécies realmente sentem a ausência de um parceiro, inclusive de outro pet.
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Os sinais de tristeza nos animais podem ser sutis, mas perceptíveis. Segundo especialistas, entre os sintomas mais comuns estão a perda de apetite e a prostração — quando o pet fica mais quieto, menos disposto a brincar e interagir. Essas reações podem ocorrer tanto após a morte de outro animal da casa quanto após a ausência prolongada de um tutor.
O tempo de recuperação varia de animal para animal. No entanto, a socialização com outras pessoas e bichos pode ajudar a amenizar o impacto emocional. O contato e a rotina mantida são fundamentais para que o pet retome seu comportamento normal com mais rapidez.
Caso os sinais de luto persistam por muitos dias, principalmente a falta de apetite, é indicado procurar um veterinário. Isso porque a recusa prolongada de comida pode ter outras causas, como doenças ou intoxicações.
Como ajudar o animal a lidar com a perda?
Se o pet vive sozinho com o tutor, uma dica valiosa é registrar seus gostos e preferências, como brincadeiras favoritas e tipo de alimentação. Essas informações podem ser incluídas na ficha médica do animal. Caso ocorra uma fatalidade com o tutor, isso facilita sua adaptação em um novo lar.
Além disso, manter uma rotina previsível e estimular momentos de diversão podem ajudar o pet a superar a tristeza. Brinquedos interativos, passeios e atenção extra dos tutores são algumas formas de suavizar a ausência sentida pelo animal.
Exemplos de luto no reino animal
O luto não é exclusivo de cães e gatos. Várias espécies apresentam comportamentos que indicam sofrimento com a perda de um companheiro. Entre os casos mais estudados estão os chimpanzés e os elefantes.
Os primatas demonstram fortes laços afetivos, principalmente entre mães e filhotes. Estudos já registraram fêmeas que carregam e cuidam dos corpos de seus bebês mortos por dias ou até semanas. Há relatos de filhotes que, após perderem suas mães, entram em depressão profunda e chegam a falecer de tristeza.
Os elefantes estão entre os animais com os comportamentos de luto mais impressionantes. Eles não apenas lamentam a morte de seus companheiros, como também realizam gestos semelhantes a rituais fúnebres. Elefantes-africanos, por exemplo, costumam visitar locais onde os restos mortais de um membro do grupo foram deixados, interagem com os ossos e permanecem em silêncio por longos períodos, como se estivessem homenageando os mortos. Há registros de elefantes que retornam repetidamente ao mesmo local, anos após a perda.
Embora o luto nos animais seja menos elaborado do que nos humanos, é evidente que eles sentem a ausência de seus companheiros e podem sofrer com a perda. Para os tutores, a melhor forma de ajudar é oferecer carinho, manter a rotina e observar sinais que possam indicar um sofrimento prolongado. Assim, é possível garantir que os pets superem essa fase com mais conforto e bem-estar.
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SONIA PEÇANHA
É veterinária no Rio de Janeiro.
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