13/06/2024 - Edição 540

Meia Pala Bas

Acabou

Publicado em 07/08/2015 12:00 - Rodrigo Amém

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Ouvi dizer que a Dilma beijou a lona. Terra arrasada no diretório do PT. Foi como se o Lula tivesse feito chacota sobre a morte do pai da Ronda, não tem mais jeito. As panelas soaram anunciando o nocaute.

Parece que Dilma ainda não se deu por vencida, a teimosa. Está reunindo os ministros, passando o pires no Senado. Lutando para se manter de pé. Tem gente falando que a carta de renúncia está pronta, por via das dúvidas. Guardada numa gaveta à esquerda, do lado do peito.

Nas ruas, as famílias de bem sopram suas vuvuzelas, numa sinfonia surda. Acabou o debate. Não tem acordo. Não tem proposta. Não tem conversa. Tem um desejo de amarrar a Dilma num poste, bater, bater, bater e chamar a polícia. Mas sem pressa. Para ter sofrimento, humilhação e camburão. Nessa ordem.

Nas ruas, as famílias de bem sopram suas vuvuzelas, numa sinfonia surda. Acabou o debate. Não tem acordo. Não tem proposta. Não tem conversa.

Os juízes de bar enumeram os pecados e proferem suas sentenças. Asseguram aos parças que ela sabia de tudo, que ela também levava um por fora, que ela é incompetente, arrogante, gorda, feia e mal comida. E que, para ela e sua corja, cadeia é pouco. Tem que ter tiro, porrada e bomba. Afinal, ela não era guerrilheira terrorista? Pau nela!

Os analistas asseguram que não há nada a ser feito. Não adianta baixar o dólar, baixar os juros, baixar as calças. Não adianta privatizar a Petrobrás, fechar a Esplanada dos Ministérios. Não adianta prender o Dirceu, o Cerveró, o capeta. O povo quer o PT inteiro atrás das grades. Qualquer grade, qualquer cela, qualquer circo. Não precisa mudar nada. Só não pode ficar do jeito que está.

O sistema de brechas e nuances que abrigou tantos parasitas tinha que, mais cedo ou mais tarde, ruir. Ou, pelo menos, derrubar alguém. Para segurar as pontas, Cunha sacudiu o galho acima. Todo mundo tem certeza de que a Dilma vai cair. Todo mundo sabe que tem que ser assim. Todo mundo está convencido de que não tem outro jeito.

Assim, o Brasil definiu um dia de seu futuro, seja amanhã, na próxima semana, no mês que vem. Esse dia será. Que será, será. O problema é o dia seguinte. Sobre esse, ninguém tem certeza, ninguém sabe, ninguém tem convicção. Não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte. 

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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