20/05/2024 - Edição 540

True Colors

10 anos de Queer As Folk

Publicado em 09/01/2015 12:00 - Guilherme Cavalcante

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Se você chegou agora na festa (da vida, bebê!), possivelmente nunca ouviu falar de uma das séries mais sensacionais da televisão estadunidense, Queer As Folk. Exibida entre 2000 e 2005 no canal Showtime (o mesmo que exibiu Dexter e que atualmente apresenta Masters of Sex), a série foi pioneira em representar com bastante fidelidade a comunidade LGBT.

Conhecida pelas cenas quentes (e põe quentes nisso) e pelo enredo para lá de engajado, Queer As Folk trouxe as alegrias e os dramas de uma turma de gays e lésbicas numa cidade dos Estados Unidos. Michael (Hal Sparks), Brian (Gale Harold), Emmitt (Peter Paige) e Ted (Scott Lowell), Lindsay (The Gill), Melanie (Michelle Cluine), Justin (Randy Harrison) e, claro, a mãe mais maravilhosa do mundo, Debbie (Sharon Gless), eram os personagens em torno dos quais orbitava a narrativa.

Originalmente filmada na Inglaterra, inclusive com outro elenco, a história foi “importada” e recebeu uma roupagem mais “yankee”, a fim de conquistar um público que, naquela época, estava cada vez mais fora do armário e que exigia também ser identificado nos sitcons americanos. E por promover a cultura LGBT em horário nobre, a série também foi sinônimo de polêmica durante os cinco anos em que esteve no ar, causando revolta nos lares mais conservadores. E olha que a Showtime é um canal pago!

Conta-se, inclusive, que o nome do sitcom é um trocadilho com o ditado em inglês "ninguém é tão estranho como nós" ("nobody is so weird as folk"), que foi adaptado para "ninguém é tão gay/bicha/pintosa/fora da regra como nós" ("nobody is so queer as folk").

Em 2015, a série completa 10 anos de seu último capítulo. Por conta disso, elenco, roteiristas e produtores da série prometeram se reunir para um painel no Festival de Televisão ATX, em junho deste ano, nos EUA, segundo informações do Hollywood Reporter.

Desta vez, no entanto, não haverá polêmica: a série e as pessoas envolvidas nela serão homenageadas por conta do pioneirismo na representação social de persongens LGBT naquele país, o que abriu a porta para a retratação cada vez crescente da comunidade na televisão, como por exemplo o que atualmente vemos na série Looking.

Se a representação desse nicho na TV americana deve muito a Queer As Folk, e se a TV mundial se espelha nos EUA, então também temos muito a agradecer a série. Mas bom mesmo seria um episódio especial, ou ainda uma temporada especial, com os rumos e vivências destes personagens que tanto amamos. Se você nunca viu a série, mas tem curiosidade de conhecê-la, confira abaixo a promo da primeira temporada, exibida em 2000. Se curtir, o resto você pode baixar nos torrents da vida.

Janaína Dutra, presente!

Um pouco de história para começarmos 2015 em sintonia com o movimento. Janaína Dutra é nome e sobrenome de um capítulo fundamental da história do movimento LGBT brasileiro. Refere-se à transmilitante que, graduada pela Universidade Federal do Ceará, foi a primeira bacharel em Direito a obter a carteira funcional da Ordem dos Advogados do Brasil.

Janaína, a quem tive o inenarrável prazer de conhecer, também é um dos pilares do movimento LGBT, no Ceará e no Brasil nos anos 80 e 90, sendo também co-fundadora do GRAB, Grupo de Resistência Asa Branca, em 1989, em Fortaleza. Ela também foi presidente da Associação das Travestis do Ceará (Atrac) e da Articulação Nacional das Travestis (Antra).

(Lembrando que a atual presidente da Antra é a militante trans Cris Stefanny, radicada em Campo Grande (MS), também uma grande liderança nacional.)

Apesar de ser mulher e travesti, atuante e reconhecida no estado, sua carteira funcional trazia seu nome “de batismo” (digamos assim), o que revela, já naquela época, um dos sintomas da incompreensão e da negação dos direitos das pessoas trans, dentre eles a utilização de nome social.

Em 2011, o cineasta Vagner de Almeida lançou seu documentário “Janaína Dutra – uma Dama de Ferro”, que conta de maneira muito particular e delicada a história da ativista. Assistir a este documentário é fundamental, é obrigatório, mesmo que você não se reconheça como integrante da comunidade LGBT.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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