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Campo Grande
Prefeitura pode entregar o setor para vereador que nega a ciência e defende golpe de estado
Publicado em 02/12/2022 8:43 - Victor Barone
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O vereador Sandro Benites (Patriotas) pode ser o novo titular da Sesau (Secrataria Municipal de Saúde) de Campo Grande. Ele deve assumir o lugar de José Mauro Filho, atual chefe da pasta. Se confirmada, a nomeação será um erro catastrófico para o setor na capital. Benites ganhou destaque político nos últimos anos ao abraçar o que há de pior no bolsonarismo de extrema direita: o negacionismo científico e o discurso antidemocrático.
No mês passado, o vereador – derrotado ao tentar vaga na Assembleia Legislativa no pleito deste ano – participou de um ato golpista em frente ao CMO (Comando Militar do Oeste) para pedir um golpe militar contra o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De cima de um trio elétrico, o parlamentar puxou coro pedindo ajuda de um general para que o resultado das urnas não fosse validado.
A fala do vereador, que foi compartilhada em suas redes sociais, repercutiu entre os colegas e foi rechaçada pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), que classificou o parlamentar como golpista, em áudio enviado em um grupo com membros do legislativo municipal.
No auge da pandemia de Covid-19, Sandro Benites colocou a Câmara em situação constrangedora ao propor um tour às instalação do Instituto Butantan, em São Paulo, responsável pela produção da vacina da CoronaVac. Defensor da cloroquina e da ivermectina (medicamentos inócuos contra a doença), ele foi expoente em MS da tática bolsonarista de atacar a vacinação e relativizar a pandemia.
Em julho de 2020, juntamente com outros médicos, Sandro Benites esteve na Câmara Municipal defendendo o uso destes medicamentos, apesar de a Ciência já haver, na época, descartado qualquer eficácia destes no tratamento da doença, podendo inclusive agravar o quadro de saúde dos pacientes, provocando até a morte.
A ação de Benites foi a senha para que o ex-prefeito Marquinhos Trad, derrotado nas eleições passadas, adotasse na Capital o kit-covid, composto por HidroxiCloroquina 400mg ou Cloroquina 250mg, Azitromicina 500mg ou Claritromicina 500mg e ainda a Ivermectina 6mg.
“Demonização” dos medicamentos
Na época, Sandro Benites disse que o coquetel foi “demonizado” no Brasil. “Demonizaram uma medicação extremamente segura, usada há mais de 90 anos. Uma medicação barata. Todos os militares que são transferidos para a Amazônia recebem um kit. Não temos notícias de óbitos. Se é uma medicação segura, por que demonizar? O que tem por trás disso? Quando você demoniza uma medicação simples, você cria um medo mórbido do remédio”, destacou.
Em resposta, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que a hidroxicloroquina é indicada para pessoas com artrite, lúpus, doenças fotossensíveis e malária. A ivermectina, para infecções provocadas por vermes e piolho.
A azitromicina, um antibiótico, tem aval da Anvisa para tratamento de bronquite, pneumonia, sinusite e faringite, bem como de algumas doenças sexualmente transmissíveis. Já o colecalciferol e o sulfato de zinco não passam de suplementos vitamínicos.
É para se protegerem dessas doenças que os militares transferidos para a Amazônia recebem o kit. Para o tratamento ou prevenção à Covid-19, o uso desses medicamentos não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde – OMS.
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