09/12/2023 - Edição 525

Campo Grande

Surto de coqueluche na fronteira gera alerta sobre necessidade de vacinação em crianças

Casos notificados de Dengue permanecem em queda em Campo Grande

Publicado em 18/08/2023 11:44 - Semana On

Divulgação PMCG

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Fronteira com Mato Grosso do Sul, a Bolívia vem enfrentando um surto de coqueluche, doença imunoprevenível e de fácil contágio. Com três casos confirmados da doença no estado, a Prefeitura de Campo Grande alerta sobre a necessidade de manter a caderneta de vacinação das crianças atualizadas, uma vez que essa é a principal forma de prevenção à doença, que já resultou em óbitos no país vizinho.

Nos últimos anos o município tem registrado uma queda significativa da cobertura vacinal, dentre as doses que têm apresentado redução nas aplicações, está a pentavalente, que protege contra a coqueluche, difteria, tétano, hepatite B e haemophilus influenza B.

O imunizante foi aplicado em apenas 79,53% do público-alvo em 2022, enquanto a recomendação do Ministério da Saúde é de 95% de cobertura. Até o momento, em 2023, somente cerca de 30% da população que deveria receber a dose foi vacinada.

“Não temos nenhum caso confirmado da doença em Campo Grande desde 2021, mas cidades próximas, como Água Clara, já tiveram registros neste ano, o que significa há chances significativas dessa bactéria circular aqui também”, explica a superintendente de vigilância em saúde, Veruska Lahdo.

Ela ainda reforça que a transmissão acontece através da tosse, espirro ou até mesmo da fala do indivíduo contaminado. “A coqueluche também é conhecida como ‘tosse comprida’, por esse ser o principal sintoma”, completa.

A vacina pentavalente está disponível em todas as unidades de saúde da Capital e é aplicada as 2, 4 e 6 meses de idade. Outro imunizante que tem o objetivo de evitar a transmissão da bactéria é a DTP, que é um reforço ao anterior, e é ministrada aos 15 meses e 4 anos de idade.

Gestantes também devem receber uma dose extra de proteção contra a doença, através da vacina dTpa, que é ministrada a partir da 20ª semana de gestação ou, no caso daquelas que estão no puerpério e não receberam a dose, o mais brevemente possível.

O que é a Coqueluche?

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda provocada pela bactéria Bordetella pertussis, que compromete o aparelho respiratório e tem como principal característica a tosse seca e paróxistica, que perdura por um longo período.

Em Campo Grande, neste ano já foram notificados nove casos suspeitos da doença, todos descartados até o momento. Em 2020, ano do último registro de caso confirmado, foram nove casos suspeitos, sendo dois deles confirmados.

Podem ser considerados casos suspeitos as crianças com menos de seis meses que apresente tosse há pelo menos dez dias associadas a outros sintomas como tosse súbita incontrolável, tossidas rápidas e curtas, em uma única respiração, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose, falta de ar ou engasgos.

Crianças com seis meses ou mais também são consideradas suspeitas quando, associadas aos mesmos sintomas, a tosse se prolonga há pelo menos 14 dias, ou que apresente tosse e tenha tido contato com caso positivo comprovado laboratorialmente.

Casos notificados de Dengue permanecem em queda em Campo Grande

Os casos notificados de Dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti , têm reduzido de maneira significativa em Campo Grande nos últimos meses, resultado das diversas estratégias adotadas pelo município. Apesar do cenário atual ser animador, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) reforça o alerta  à população para a importância de manter as medidas de prevenção e combate ao mosquito.

O secretário municipal de Saúde, Sandro Benites, destaca que este é um resultado que reflete o esforço conjunto, no combate a essa doença tão preocupante, e reitera a necessidade dos cuidados permanentes.

“Mesmo os números sendo positivos, não podemos baixar a guarda. A prevenção e o combate ao mosquito Aedes aegypti devem continuar sendo uma prioridade. São ações simples, mas extremamente eficazes, como eliminar os criadouros do mosquito em nossas casas e quintais, evitar o acúmulo de água parada, manter as caixas d’água bem fechadas e utilizar telas nas janelas”, diz.

Conforme boletim da Gerência Técnica de Endemias do Serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), no último bimestre houve uma queda de mais de 80% no número de casos notificados. Em maio deste ano foram notificados 2.927 casos da doença, enquanto que nos meses de junho e julho foram 633 e 506 notificações, respectivamente.

Do dia 01 de janeiro ao dia 15 de agosto foram notificados 14.623 casos e cinco óbitos provocados pela doença no município. No mesmo período, foram notificados 59 casos de Zika e 130 de Chikungunya.

Ações estratégicas

A redução expressiva no número de casos de dengue em Campo Grande é reflexo do trabalho que vem sendo executado nas sete regiões e distritos do município, além de ações estratégicas que envolvem a sensibilização da população, monitoramento de áreas de risco, visitas domiciliares, remoção de materiais inservíveis e de potenciais criadouros do mosquito e eliminação de focos.

No início do ano, a Prefeitura de Campo Grande lançou uma megaoperação, denominada “Operação Mosquito Zero”, que ao longo de quatro meses percorreu as sete regiões urbanas e distritos do município. Foram mais de 80 mil imóveis vistoriados, toneladas de materiais inservíveis recolhidos e centenas de focos do mosquito Aedes aegypti eliminados.

Paralelo à Operação Mosquito Zero, o trabalho de rotina e monitoramento é intensificado com o uso das chamadas “Ovitrampas”, além da sensibilização e engajamento comunitário, através das ações de Educação em Saúde nas escolas públicas e privadas e empresas.

O município também apostou na instituição e fortalecimento de parcerias, ampliando a adesão ao projeto “Colaborador Voluntário”, que tem o objetivo de instituir a cultura da prevenção, implementando ações compartilhadas entre o poder público e privado, propiciando às empresas envolvidas no processo condições para desenvolverem de modo eficiente o programa de prevenção, evitando as doenças de caráter endêmico e epidêmico.


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