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Campo Grande

Sem kits escolares, alunos de Campo Grande se viram como podem

Prefeitura empenhou mais de R$ 6 milhões, mas não informa quantas escolas ainda aguardam entrega

Publicado em 28/02/2026 9:32 - Semana On

Divulgação PMCG

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Quase um mês após o início do ano letivo, estudantes da rede municipal de Campo Grande seguem sem receber os kits de material escolar prometidos pela Prefeitura. A ausência dos itens básicos — tradicionalmente distribuídos no começo das aulas — tem transferido às famílias uma despesa inesperada, em um contexto de orçamento já comprimido.

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Na Escola Municipal Olívia Enciso, no bairro Tiradentes, a diversidade de mochilas e materiais levados pelos alunos indica que a entrega padronizada ainda não ocorreu. Sem previsão clara, pais e responsáveis relatam que precisaram custear cadernos, lápis e demais itens por conta própria.

Franciele de Souza, mãe de dois estudantes da rede, afirma ter desembolsado cerca de R$ 300 para suprir a necessidade dos filhos. “Comprei o material para os dois. Gastei uns 300 reais. Absurdo, né?”, declarou. O pai de uma aluna, Flávio Rosa Mendes, relatou situação semelhante: “Não, ainda não recebi. Tive que comprar por conta própria”.

A lacuna foi parcialmente preenchida por iniciativas da sociedade civil. O reforço escolar mantido pela Central Única das Favelas (Cufa) distribuiu kits a 27 crianças da rede municipal. Segundo Letícia Polidorio, ligada ao projeto, muitas famílias foram surpreendidas. “As mães foram pegas de surpresa. Muitas não tinham dinheiro para comprar o material”, afirmou.

Contrato milionário e inconsistências

De acordo com dados oficiais, a rede municipal de Campo Grande atende aproximadamente 100 mil estudantes. As aulas começaram em 9 de fevereiro. No entanto, o processo de contratação das empresas responsáveis pelos kits foi iniciado apenas após o início do ano letivo.

O extrato contratual publicado no Diário Oficial do Município em 20 de janeiro prevê gastos superiores a R$ 6 milhões com a aquisição dos materiais. O documento, porém, menciona kits destinados ao ensino médio, à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e à educação profissional — modalidades que, atualmente, não integram a rede municipal de ensino.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) não concedeu entrevista, mas informou, por meio de nota, que não há interrupção no fornecimento e que a distribuição segue um cronograma logístico. A pasta declarou ainda que as unidades que não receberam os kits estariam nas “etapas finais” do processo.

Apesar disso, a secretaria não especificou quantas escolas ou estudantes continuam sem os materiais, nem detalhou os critérios da licitação referente aos itens vinculados ao ensino médio.

Transparência e planejamento sob questionamento

O atraso na entrega, aliado à ausência de dados consolidados sobre o alcance da distribuição, expõe fragilidades no planejamento administrativo e levanta questionamentos sobre a transparência na aplicação de recursos públicos. Em um universo de cerca de 100 mil alunos, a indefinição sobre o cronograma impacta diretamente o cotidiano escolar e impõe ônus financeiro às famílias, enquanto a administração municipal sustenta que o processo está em curso.

Sem números oficiais sobre a abrangência do problema, permanece a incerteza sobre quando — e para quantos estudantes — o direito ao material escolar será efetivamente garantido.

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