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Campo Grande
Orçamento para o setor, que já era limitado, encolheu significativamente ao longo dos anos
Publicado em 23/09/2024 9:33 - Semana On
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Campo Grande tem sido marcada por uma contínua diminuição de recursos destinados ao setor de esporte e lazer, comprometendo o desenvolvimento de atividades essenciais para a qualidade de vida da população.
O orçamento para o setor, que já era limitado, encolheu significativamente ao longo dos anos, passando de 0,47% do total em 2020 para 0,36% em 2024. Apesar do aumento nominal de R$ 20,2 milhões em 2020 para R$ 22,9 milhões em 2024, o montante destinado não acompanhou o crescimento do orçamento geral da cidade.
Essa redução progressiva de investimentos reflete-se diretamente na precariedade de várias estruturas esportivas e na falta de continuidade em obras importantes, como o Parque Jacques da Luz e a revitalização de pistas de skate na cidade. Ao mesmo tempo, os processos licitatórios destinados à reforma e revitalização de espaços de lazer têm enfrentado dificuldades, não apenas pela falta de interessados, mas também pelos valores insuficientes oferecidos pela administração municipal, que não atraem empreiteiras.
Estruturas abandonadas e obras paralisadas
O Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas, é um exemplo emblemático do descaso com a infraestrutura esportiva. Prometida como uma reforma de grande porte, com melhorias nos alambrados, sistema elétrico, piscinas e outras instalações, a obra não saiu do papel. Moradores da região denunciaram que as piscinas estão há 10 abandonadas e viraram grandes criadouros do mosquito da dengue.
Equipamentos de academia ao ar livre destinados ao parque estão ao relento, acumulando ferrugem e danificação, enquanto a licitação para as reformas permanece sem conclusão. O parque, inaugurado há 30 anos, deveria ser um dos grandes espaços de convivência e prática esportiva da região, mas hoje é um retrato da falta de planejamento e execução.
Outro exemplo alarmante é a situação das pistas de skate do Parque do Sóter e da Orla Morena. Mesmo com o skate em evidência no cenário esportivo nacional e internacional, as pistas, que deveriam ter sido reformadas, permanecem em condições deploráveis, com pisos quebrados, obstáculos enferrujados e acumulação de água quando chove. Ao perder o timming para investir no esporte, a capital não apenas prejudica os praticantes locais como também deixa de aproveitar o potencial olímpico da modalidade.
“Movimenta Campo Grande”: boas intenções, pouca execução
O programa “Movimenta Campo Grande”, carro-chefe do executivo municipal para o setor, busca proporcionar esporte e lazer a uma parcela expressiva da população. Com 12,2 mil alunos inscritos e mais de 377 mil atendimentos mensais, o programa se destaca pelo número de participantes e pelo impacto potencial. No entanto, a falta de investimento reflete-se também na manutenção e expansão desse tipo de iniciativa, que poderia alcançar ainda mais pessoas, mas sofre com a precariedade da infraestrutura.
A contratação de novos agentes sociais, por exemplo, deveria ter sido concluída em fevereiro de 2024. No entanto, em junho, o processo seletivo ainda estava em aberto, evidenciando a falta de agilidade da administração e o baixo interesse da população, possivelmente por conta do salário pouco atrativo de R$ 2,4 mil para uma jornada de 20 horas semanais. Isso compromete a capacidade de atendimento do programa, que depende desses profissionais para funcionar.
Áreas verdes e parques: um contraste de abandono
Embora Campo Grande conte com 252 praças e 24 parques espalhados por diversas regiões da cidade, a falta de manutenção é uma constante reclamação da população. As reformas previstas para o Parque do Sóter, Parque Jacques da Luz e Ayrton Senna, que deveriam ser finalizadas com um orçamento de R$ 3 milhões, encontram-se paralisadas ou nem sequer começaram. A exceção foi a Lagoa Itatiaia, cuja obra de revitalização, iniciada em março de 2024, está atrasada e sendo executada a passos lentos. Apesar da previsão inicial de entrega em setembro, o ritmo da obra, conduzida por apenas seis trabalhadores, sugere que o prazo não será cumprido.
Enquanto isso, as demais licitações fracassaram por falta de interessados, principalmente devido aos baixos valores oferecidos pelo poder público, que não cobrem as necessidades reais das reformas. A gestão municipal falha em entender a importância desses espaços para o bem-estar dos moradores, que dependem dessas áreas para lazer, prática esportiva e convivência comunitária.
Esporte e lazer: essenciais para a construção da cidadania
O esporte e o lazer desempenham um papel central na formação da cidadania, promovendo valores como respeito, disciplina e cooperação. Além de melhorar a saúde física e mental, essas atividades ajudam na integração social e no desenvolvimento de comunidades mais justas e participativas.
A prática esportiva ensina a importância das regras e do trabalho em equipe, preparando os cidadãos para conviver em sociedade. Ao mesmo tempo, o lazer oferece oportunidades de socialização e bem-estar, criando laços comunitários e reforçando o senso de pertencimento.
Em áreas vulneráveis, o esporte é uma poderosa ferramenta de inclusão social e prevenção à violência, oferecendo alternativas construtivas para jovens em risco. Políticas públicas que garantam acesso a espaços esportivos e recreativos são essenciais para promover uma cidadania ativa e saudável.
Promover o esporte e o lazer não é apenas uma questão de qualidade de vida, mas um compromisso com o desenvolvimento social e a construção de uma sociedade mais equilibrada.

Um futuro incerto para o esporte e lazer em Campo Grande
No entanto, a gestão de Adriane Lopes se mostrou incapaz de lidar com os desafios do esporte e lazer em Campo Grande. A redução progressiva do orçamento, a paralisação de obras essenciais e a falta de atração de investimentos indicam uma administração que não prioriza o setor. Em uma cidade com uma vasta área verde e com inúmeras praças, parques e campos de futebol, a falta de manutenção e a escassez de recursos não apenas comprometem a prática esportiva, mas também afetam a qualidade de vida da população.
Se nada for feito para reverter essa tendência, Campo Grande corre o risco de perder ainda mais no quesito desenvolvimento social, com uma população cada vez mais distante das atividades de esporte e lazer que deveriam ser acessíveis a todos.
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