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Campo Grande
Hospital reduz atendimento e tenta receber mais de R$ 4,3 milhões por serviços prestados ao município
Publicado em 05/10/2023 3:38 - Edir Viégas - Vox MS
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A Santa Casa de Campo Grande voltou a enfrentar dificuldades financeiras em função de novo calote da prefeitura. Os créditos por serviços prestados somam mais de R$ 4,3 milhões e o hospital também tenta receber recursos provenientes de emendas parlamentares de mais de R$ 2,5 milhões.
Em outubro do ano passado, a Santa Casa comunicou à prefeitura a decisão de fechar os últimos leitos abertos para reforçar o atendimento à população durante a pandemia da Covid-19.
Para evitar o fechamento, já que havia a necessidade de manutenção desses leitos, a gestão Adriane Lopes firmou aditivo contratual com a Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora do hospital.
No contrato foi estabelecido que tanto a auditoria para comprovar a prestação dos serviços quanto o pagamento deveriam ocorrer mensalmente.
Em função da absoluta desorganização em que se encontra a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a exemplo do que ocorre com todos os demais setores da prefeitura, nem a auditoria e muito menos os pagamentos aconteceram.
Serviços prestados de novembro de 2022 a junho de 2023 somam hoje crédito de R$ 4.356.000,00 à Santa Casa, cujo pagamento vem sendo postergado pela gestão Adriane Lopes sem qualquer justificativa.
Pacientes prejudicados
O calote já vem se refletindo no atendimento prestado aos pacientes, conforme informações repassadas à Sesau pela ABCG.
Cancelamento de fornecimento órteses, próteses e materiais especiais aos pacientes já está prestes a ocorrer.
As caixas ortopédicas não estão sendo repostas por conta da falta de pagamento aos fornecedores, o que deverá em breve comprometer os serviços de atendimento à ortopedia, na urgência e emergência, em função da falta de material.
Pelo mesmo motivo, começam a faltar medicamentos no estoque do hospital. Em paralelo, a prefeitura retém emendas parlamentares destinadas à Santa casa que somam mais de R$ 2,5 milhões.
Emendas parlamentares
Mas não é apenas o calote no pagamento pelos serviços já prestados a causa da nova instabilidade financeira enfrentada pelo hospital.
Emendas parlamentares que somam mais de R$ 2,5 milhões destinadas à Santa Casa estão sendo novamente retidas indevidamente pela prefeitura.
A maior parte delas são para custeio, mas a prefeitura insiste em exigir contrapartida, em serviços, para liberar os recursos.
As emendas, em sua ampla maioria, quando não são destinadas a um fim específico, como compra de equipamento ou de mais serviços, são voltadas ao custeio do hospital.
No custeio estão inclusos o pagamento de salários dos funcionários, dívidas, aquisição de medicamentos e outras situações corriqueiras no hospital.
Mesmo assim, a prefeitura exige contrapartida do hospital, geralmente a ampliação do volume de serviços, para efetuar o pagamento.
Dinheiro recusado
A situação é tão surreal que a Santa Casa já chegou a dispensar recursos de emendas porque o valor dos serviços exigidos pelo município era muito maior do que o da emenda.
A prefeitura desvirtua a finalidade das emendas não apenas ao fazer a retenção indevida, mas ao impor a produção de serviço como condição para liberar o dinheiro ao hospital.
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