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Campo Grande
Entidades não recebem desde dezembro: "calote" colocou em xeque a continuidade de seus serviços
Publicado em 26/01/2025 12:09 - Semana On
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A gestão da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota), enfrenta duras críticas devido ao atraso no repasse de recursos para entidades assistenciais que desempenham um papel crucial no atendimento às populações mais vulneráveis da capital sul-mato-grossense. Desde dezembro de 2024, organizações sem fins lucrativos aguardam o pagamento de convênios e emendas parlamentares que sustentam suas atividades, mas o “calote” da prefeitura colocou em xeque a continuidade de seus serviços.
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Essas entidades, muitas delas ligadas ao Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Assistência Social do Município de Campo Grande (FPENGAS), relatam dificuldades financeiras que afetam diretamente o atendimento de milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. Profissionais essenciais, como psicólogos, assistentes sociais, médicos e professores, enfrentam atrasos ou ausência de pagamento, comprometendo o trabalho em áreas sensíveis como saúde, educação e assistência social.
“Estamos tentando dialogar com a prefeitura, mas até agora não conseguimos uma agenda com a secretária de Assistência Social. É frustrante ver que a burocracia está sendo usada como desculpa para atrasar ainda mais os repasses”, afirmou Mário Freitas, membro do FPENGAS, em entrevista recente.
A Questão das Emendas Parlamentares
Um ponto de tensão entre a prefeitura e as entidades é o pagamento das emendas parlamentares, muitas delas de caráter impositivo. Embora incluídas no orçamento municipal, essas emendas frequentemente enfrentam entraves burocráticos ou são redimensionadas sob justificativas administrativas, o que gera atrasos e incertezas sobre os repasses.
Segundo especialistas em orçamento público, a prática de protelar a liberação de recursos, como no caso de documentos pendentes, evidencia um gerenciamento ineficiente e prejudica quem mais precisa. A aparente falta de planejamento ou prioridade no pagamento das emendas e convênios coloca em xeque a transparência e eficiência da gestão municipal.
Silêncio da Gestão Adriane Lopes
A crise também revela um problema político: o silêncio da prefeita Adriane Lopes e de sua equipe sobre a situação. Tentativas de diálogo com a vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social, Camila Nascimento, têm sido frustradas, o que aumenta a sensação de abandono por parte das entidades.
A justificativa apresentada, de que atrasos decorrem de um novo sistema de gestão técnica, não convence representantes das organizações. Para muitos, trata-se de mais um exemplo de como a burocracia é utilizada como instrumento político para postergar pagamentos.
Um Cenário de Incertezas
Enquanto as entidades assistenciais lutam para sobreviver, a falta de previsibilidade nos pagamentos e a ausência de respostas concretas da administração municipal criam um cenário de incertezas para a população vulnerável de Campo Grande. Essa situação reforça a necessidade de uma revisão urgente nas práticas de gestão e maior compromisso com as políticas públicas de assistência social.
A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Campo Grande para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
A crise expõe não apenas uma falha administrativa, mas um descaso com a dignidade humana, deixando à margem aqueles que mais dependem de uma gestão pública eficiente e comprometida. Afinal, como lidar com a assistência social se até o básico – os recursos – está em atraso?
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