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Campo Grande
Passividade da Prefeitura agrava crise na saúde em Campo Grande
Publicado em 04/04/2025 11:46 - Semana On
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Acontece neste sábado (05) e domingo (06) mais um plantão de vacinação realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinação de toda a população.
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Desta vez, as equipes de imunização estarão no Drive de Vacinação, instalado no quartel central do Corpo de Bombeiros, e no Pátio Central Shopping no sábado. No domingo o Drive abrirá novamente para a vacinação da população.
No ponto instalado no Pátio, serão aplicadas todas as doses do calendário de rotina preconizado pelo Plano Nacional de Imunização (PNI), com exceção daquelas que possuem um calendário específico de aplicação. Já o Drive é destinado exclusivamente para a campanha da Gripe e atenderá a todos os públicos da campanha.
A vacinação começa de 7h no Drive e segue até o meio-dia, às 13h as doses voltam a ser aplicadas até 17h, tanto no sábado quanto no domingo. Com a posto de imunização do Pátio Central Shopping, no dia 05, a vacinação será iniciada às 9h e segue até 16h initerruptamente.
A disponibilização das doses nesse período tem como objetivo a ampliação da oferta de doses, uma vez que parte da população não consegue ir à uma unidade de saúde no horário normal de funcionamento por coincidir com o turno de trabalho.
Para confirmar se há a necessidade de alguma dose, é necessário apenas apresentar a caderneta de vacinação e o cartão SUS, que a equipe verificará a necessidade da vacinação.
Passividade da Prefeitura agrava crise na saúde
A crise na saúde pública de Campo Grande não surgiu do nada — ela é resultado direto de uma gestão marcada pela passividade e pela constante postura reativa diante de problemas previsíveis. A recente criação de um comitê especial e a mobilização de 36 equipes volantes para lidar com o aumento de casos de doenças respiratórias pode até soar como ação emergencial eficiente, mas expõe, na verdade, a negligência acumulada da administração municipal.
Os dados são claros: 562 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados apenas nos primeiros meses de 2025, com 42 confirmações para influenza e 38 mortes associadas. Embora os números estejam abaixo dos registrados no mesmo período de 2024, o alerta para a gravidade e a velocidade de propagação do vírus foi feito pela própria secretária municipal de Saúde, Rosana Leite. O que não foi dito é por que a Prefeitura aguardou a chegada do colapso para agir.
A criação de protocolos especiais, a contratação emergencial de médicos e a ampliação dos estoques de medicamentos são medidas necessárias — mas tardias. Elas demonstram que, mais uma vez, a gestão municipal age sob pressão, e não por planejamento. O aumento de casos respiratórios é um fenômeno sazonal e previsível, ainda mais em um país como o Brasil, que enfrenta oscilações bruscas de temperatura e circulação constante de vírus respiratórios.
A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que o objetivo do comitê é “garantir melhorias significativas no atendimento à população”. Mas a pergunta que fica é: por que essas melhorias só começam a ser implementadas em meio à crise? A resposta pode estar na falta de investimentos estratégicos, na demora em fortalecer a atenção básica e na omissão em garantir uma rede hospitalar preparada para lidar com picos sazonais.
A gestão tenta agora buscar recursos federais para compensar a fragilidade local. É um movimento legítimo, mas que reforça a dependência de soluções externas para problemas que poderiam ser mitigados com responsabilidade administrativa e políticas públicas consistentes.
Campo Grande não pode mais ser refém da falta de planejamento. A saúde pública exige gestão técnica, ação antecipada e responsabilidade social. Medidas paliativas, como as equipes volantes, são apenas curativos em uma ferida aberta — ferida essa que foi, em boa parte, causada pela própria omissão do poder público.
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