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Campo Grande

Parquímetro de volta a Campo Grande

Com tarifa inicial de R$ 5 por hora, capital prevê até 6,2 mil vagas e pagamento exclusivamente digital

Publicado em 17/11/2025 2:06 - Semana On

Divulgação PMCG

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Campo Grande se prepara para retomar o sistema de parquímetros com tarifa inicial de R$ 5 por hora e operação limitada a dois turnos nos dias úteis. A medida foi oficializada nesta segunda-feira (17), com a publicação do decreto municipal que autoriza a concessão do estacionamento rotativo na região central da cidade. Apesar do anúncio, o serviço ainda não tem data para entrar em vigor: a implementação só ocorrerá após a conclusão do processo licitatório e a escolha da empresa que ficará responsável pela operação.

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Ao todo, a primeira fase do projeto contempla 3 mil vagas, mas o decreto já prevê a possibilidade de ampliação gradual para até 6,2 mil vagas ao longo do contrato. O novo modelo de gestão busca reestruturar o sistema de estacionamento rotativo da capital, que desde 2018 está desativado, após o encerramento do contrato com a empresa responsável anterior.

O retorno do parquímetro é visto pela administração municipal como uma resposta à desorganização no uso do espaço urbano e à rotatividade insuficiente nas vagas de curta duração, especialmente em áreas comerciais centrais. O horário de funcionamento do sistema será de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h, com gratuidade nos domingos e feriados.

Entre as novidades, destaca-se a digitalização completa do pagamento, que será feito exclusivamente por meio de tickets virtuais adquiridos via aplicativo ou em pontos de venda físicos. A medida, que acompanha uma tendência de modernização em grandes centros urbanos, também elimina a possibilidade de prorrogação de tempo para o mesmo veículo na mesma vaga, limitando a permanência entre 15 minutos e 2 horas.

Mesmo com a destinação de vagas preferenciais para idosos e pessoas com deficiência (PcDs), o decreto determina que não haverá isenção de pagamento para esses grupos, o que deve gerar debate. Apenas táxis e mototáxis serão isentos da cobrança. Os demais usuários que excederem o tempo regulamentar estarão sujeitos às sanções previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

A expectativa da Prefeitura é que, após a definição da concessionária vencedora, a operação seja iniciada em até 12 meses. O modelo de concessão ainda não detalha se haverá mecanismos de controle social, indicadores de desempenho ou limites para reajustes futuros na tarifa, atualmente fixada em R$ 5 — valor considerado elevado por especialistas e que poderá impactar diretamente o comércio e a mobilidade urbana da região.

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os sistemas de estacionamento rotativo, quando mal geridos, podem acirrar desigualdades no uso do espaço urbano e contribuir para a expulsão de pequenos negócios do centro das cidades. Em nota técnica de 2022, o instituto recomenda que políticas tarifárias devem ser equilibradas entre controle de demanda e acessibilidade: “O acesso ao espaço urbano não pode ser regulado exclusivamente pela capacidade de pagamento. Políticas de estacionamento devem servir ao interesse coletivo, e não apenas à geração de receitas ou à ordenação punitiva do tráfego.”

Por ora, a ausência de consulta pública e de audiências com moradores e comerciantes da região central também chama atenção. Em outros municípios brasileiros, como Curitiba e Belo Horizonte, a implementação de sistemas semelhantes envolveu etapas de participação social e revisão periódica das tarifas com base em indicadores de mobilidade.

Em Campo Grande, a falta de transparência prévia sobre os critérios da concessão pode comprometer a aceitação do sistema e abrir margem para judicializações ou protestos, sobretudo se o impacto financeiro for sentido de forma mais aguda pela população de baixa renda.

O debate sobre a volta dos parquímetros, portanto, transcende a simples reativação de vagas pagas. Trata-se de uma decisão de política pública com efeitos diretos sobre a dinâmica urbana, a inclusão social e a democratização do espaço público — pontos que exigem vigilância constante da sociedade civil e atuação propositiva dos órgãos de controle.

Ao todo, 37 ruas do centro da cidade terão o serviço do parquímetro em funcionamento. As principais ruas são:

  • Avenida Afonso Pena (trecho da Av. Pres. Ernesto Geisel até Rua Paraíba)
  • Rua 14 de Julho (trecho da Av. Mato Grosso até Av. Fernando Corrêa da Costa)
  • Rua 13 de Maio (trecho da Av. Mato Grosso até Av. Fernando Corrêa da Costa)
  • Avenida Calógeras (trecho da Av. Mato Grosso até Av. Fernando Corrêa da Costa)
  • Rua Rui Barbosa (trecho da Av. Mato Grosso até Av. Fernando Corrêa da Costa)
  • Rua Dom Aquino (trecho da Av. Calógeras até Rua Vinte e Cinco de Dezembro)
  • Rua Maracaju (trecho da Av. Calógeras até Rua Vinte e Cinco de Dezembro)
  • Rua Antônio Maria Coelho (trecho da Av. Calógeras até Rua Manoel Seco Tomé)
  • Avenida Mato Grosso (trecho da Av. Calógeras com a Rua Bahia)
  • Rua Barão do Rio Branco (trecho da Av. Calógeras com a Rua Bahia)
  • Rua Mal. Rondon (trecho da Av. Calógeras até Rua Vinte e Cinco de Dezembro)

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