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Campo Grande
Investigação do MP apreendeu R$ 500 mil e aponta manipulação em contratos de tapa-buracos e desvio de recursos públicos entre 2018 e 2025
Publicado em 12/05/2026 2:29 - Semana On
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O ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Rudi Fiorese, foi preso na manhã desta terça-feira (12), durante a deflagração da Operação “Buraco Sem Fim”, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Atual diretor da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul, Fiorese é apontado como um dos alvos centrais da investigação que apura supostas fraudes em contratos de manutenção viária e serviços de tapa-buracos na capital sul-mato-grossense.
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Além dele, também foi preso Edvaldo Aquino, coordenador das equipes responsáveis pelas ações de tapa-buracos em Campo Grande. Outras quatro pessoas foram alvo de mandados de prisão. Ao todo, a operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão, incluindo diligências realizadas na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).
As investigações são conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Unidade de Apoio à Investigação e pela 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital. Segundo o MPMS, o grupo investigado teria operado um esquema de manipulação de medições contratuais para viabilizar pagamentos por serviços executados parcialmente — ou, em alguns casos, sequer realizados.
A suspeita é de que o esquema tenha provocado prejuízos milionários aos cofres públicos, além de enriquecimento ilícito dos envolvidos e deterioração das condições da malha viária urbana. Conforme a apuração, a empresa investigada recebeu mais de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos firmados com a Prefeitura de Campo Grande entre os anos de 2018 e 2025.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam aproximadamente R$ 429 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados aos investigados. Em uma das residências associadas a um servidor público, foram encontrados R$ 186 mil em espécie. Em outro endereço alvo da operação, os agentes localizaram mais de R$ 233 mil em notas de real.
Os mandados foram autorizados pela Justiça no âmbito de investigação sobre crimes contra a administração pública e outros delitos correlatos.
O governo de Mato Grosso do Sul informou, em nota, que tomou conhecimento da operação e destacou que a investigação está relacionada a contratos vinculados ao município de Campo Grande, e não ao Executivo estadual. A administração estadual também afirmou não ser alvo das apurações.
Já a Prefeitura de Campo Grande não respondeu aos contatos feitos pela imprensa. O ex-prefeito da capital e atual vereador Marquinhos Trad declarou que não poderia comentar um caso no qual, segundo ele, não é investigado.
Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Rudi Fiorese atua há mais de quatro décadas nas áreas de infraestrutura e obras públicas. Entre 2017 e 2023, comandou a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, período em que esteve à frente de projetos de pavimentação, recapeamento, corredores de ônibus e serviços de manutenção urbana.
Desde 2023, Fiorese integra a estrutura da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul, tendo ocupado cargos ligados à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos. Antes da atuação no setor público, também trabalhou em empresas privadas de engenharia e concessões rodoviárias.
A Operação “Buraco Sem Fim” aprofunda o cerco das autoridades sobre contratos de manutenção urbana na capital sul-mato-grossense e lança novas suspeitas sobre a gestão de recursos públicos destinados à recuperação viária — um dos serviços mais criticados pela população de Campo Grande nos últimos anos.
Governo do estado se posiciona
“A Seilog esclarece que tomou conhecimento da operação, que apura contratos do Município de Campo Grande, e que não é alvo da investigação. O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe. A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor”.
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