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Campo Grande

O futuro do maior estádio de MS volta à mesa de negociações

ALEMS retoma hoje discussão sobre gestão, financiamento e destino do Morenão

Publicado em 17/06/2025 12:03 - Semana On

Divulgação Wikepedia

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O maior palco esportivo de Mato Grosso do Sul vive, mais uma vez, a expectativa de definir seu futuro. Fechado desde julho de 2022 para reformas que nunca chegaram ao fim, o Estádio Morenão volta a ser centro do debate em audiência pública nesta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). A reunião, que acontece no Plenarinho a partir das 14h, promete discutir desde o impasse sobre a reforma até a transferência definitiva da gestão do estádio, atualmente nas mãos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), para o Governo do Estado.

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O impasse não é recente e, a cada novo prazo descumprido, cresce a frustração de torcedores, atletas e profissionais ligados ao esporte local. “É muito mais que um campo de futebol, ele é um patrimônio histórico e cultural do estado, que carrega muitas histórias e oferece toda uma estrutura pra disputar diversas modalidades”, defende o torcedor do Operário, Felipe Francisco Insfran, resumindo o sentimento de uma comunidade que vê o estádio como um bem coletivo, não apenas como um espaço esportivo.

Uma novela de prazos, promessas e impasses

Em junho de 2024, o rompimento do contrato com a Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec), então responsável pela obra, foi o estopim de mais um capítulo dessa longa novela. Desde então, o Governo do Estado manifestou interesse formal em assumir o Morenão, mas sem avanços concretos até agora.

Para a audiência desta terça, estão confirmadas as presenças do secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, do secretário de Governo, Rodrigo Perez, do secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha, além de representantes da UFMS e da sociedade civil organizada.

No centro da discussão está uma proposta considerada viável por setores do governo e da Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul (FFMS): a formação de uma Parceria Público-Privada (PPP). O presidente da entidade, Estevão Petrállas, reafirmou essa possibilidade em entrevista à TV Morena, na segunda-feira (16). “O estado estuda fazer uma PPP, e nós poderíamos estar olhando a possibilidade de reabrir, nem que seja parcialmente. Se cada um de nós, que representamos entidades, puder assumir parcialmente cada um com a sua responsabilidade, em breve nós vamos estar com o estádio reaberto”, afirmou Petrállas.

Contudo, o desafio não é pequeno. O orçamento inicial, de R$ 9,4 milhões, revelou-se insuficiente. A projeção atual aponta para a necessidade de mais R$ 38,9 milhões para a conclusão das obras, além dos R$ 7,83 milhões ainda disponíveis em caixa.

Muito além de um estádio

Inaugurado em 7 de março de 1971, com um clássico entre Flamengo e Corinthians — vitória rubro-negra por 3 a 1 —, o Morenão não é apenas um palco de futebol. Carrega consigo uma simbologia que transcende o esporte. É um dos maiores estádios universitários da América Latina e já foi palco de momentos históricos, como o jogo da Seleção Brasileira contra a Venezuela, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, que terminou empatado sem gols.

Ao longo de mais de cinco décadas, o estádio serviu não só ao futebol, mas também à integração social, à cultura e ao desenvolvimento esportivo da região. O fechamento prolongado representa um impacto direto na realização de campeonatos locais, na formação de atletas, na geração de empregos temporários e na dinamização econômica que gira em torno dos eventos esportivos.

O debate: entre passado, presente e futuro

O futuro do Morenão não se resume a uma disputa por gestão ou financiamento. Ele simboliza, em grande medida, o desafio estrutural enfrentado pelo esporte em Mato Grosso do Sul e em tantas outras regiões do Brasil: a dificuldade em transformar equipamentos públicos em ativos sociais, culturais e econômicos de fato.

Para especialistas em políticas públicas esportivas, a questão do Morenão é emblemática. “O problema não é só de dinheiro, é de modelo de gestão. A ausência de governança compartilhada, planejamento e controle social são o que explicam a recorrente paralisia de espaços como esse pelo Brasil”, analisa o professor Paulo Roberto Ferreira, da Universidade de Brasília (UnB), estudioso de políticas públicas para esporte..

De fato, o histórico brasileiro de gestão de arenas públicas é controverso. Levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), de 2020, apontou que seis dos 12 estádios construídos ou reformados para a Copa de 2014 operam sistematicamente no vermelho, demandando subsídios públicos para manutenção.

Além de um equipamento esportivo, está em jogo o próprio reconhecimento do esporte como política pública estruturante — algo que impacta diretamente na saúde, na educação, na cultura e na economia. O Morenão é, nesse contexto, uma peça fundamental para um estado que carece de infraestrutura esportiva condizente com suas necessidades e seu potencial.

A audiência pública desta terça-feira pode ser mais um capítulo de promessas e adiamentos. Mas também pode — se houver vontade política real e compromisso com a comunidade — ser um ponto de virada para um projeto que não é apenas de reforma de concreto, mas de reconstrução de um bem simbólico para Campo Grande e para todo Mato Grosso do Sul.

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