22/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

O esporte fez Claudio voltar a andar, Mari a curar a depressão, Eduarda e Julia a sonhar com o pódio

Atualmente, Campo Grande conta com três Academias Públicas de Musculação nos parque Ayrton Senna, Jacques da Luz e no Centro Olímpico da Vila Nasser

Publicado em 12/09/2022 11:54 - Semana On

Divulgação PMCG

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Claudio Farias, de 56 anos, viu a vida se modificar completamente depois que teve 3 AVCs (Acidente Vascular Cerebral) e um infarto. Ele perdeu os movimentos da perna e da fala. Com a musculação que ele começou a fazer gratuitamente na Academia Pública voltou a andar, por enquanto, com a bengala, mas em breve, sozinho.

A esposa dele, Vanda Alves de Brito Farias, de 52 anos, é quem nos conta essa história. “Em 1998 descobrimos que ele estava com um tumor. Depois de um ano ele fez uma cirurgia, ficou bem, mas depois teve um AVC, e outro, e outro. Em 2017 infartou e veio a perda da fala e dos movimentos. Foi quando ele foi para a Apae e ficou por dois anos em reabilitação. Saiu bem de lá, mas não conseguimos marcar as fisioterapias e ele foi perdendo novamente os movimentos. Começou a regredir. Aí me falaram que no Parque Ayrton Senna havia uma academia de musculação e viemos fazer as aulas”, relata.

Em 4 meses de aula, ele já deixou a cadeira de rodas para trás (só usa quando está muito cansado) e sonha em deixar a bengala. “Ele está se desenvolvendo cada dia mais. Evoluiu muito. E temos isso sem altos custos. O fato de a academia ser aqui do lado da minha casa, de graça, é muito importante, pois nós não teríamos condições de investir”, diz.

Para fazer companhia a Claudio e fortalecer os músculos para as tarefas diárias, Vanda e a filha também entraram para as aulas. “Nós não estávamos conseguindo levantá-lo no início, eu sentia muita dor. Então viemos fazer junto. Hoje eu já consigo fazer tudo, já não dói mais o corpo”, conta.

Atualmente, Campo Grande conta com três Academias Públicas de Musculação nos parque Ayrton Senna, Jacques da Luz e no Centro Olímpico da Vila Nasser. Os alunos são acompanhados por profissionais de Educação Física, selecionados por meio de Processo Seletivo, garantindo atendimento personalizado e de qualidade para a população. As academias funcionam das 6h às 11h e das 15h às 20h. A Prefeitura atende cerca de 560 pessoas nas academias, gerando mensalmente mais de 4 mil atendimentos.

A funcionária pública Marinalva Souza da Silva, de 44 anos, é aluna do Movimenta CG. Mãe de uma pessoa com deficiência, a rotina é exigente, e quando o marido adoeceu constatado um câncer no pescoço, no ano de 2018, Mari precisou pegar licença do trabalho para cuidar dele. O dia a dia de médicos, quimioterapia e tantos outros cuidados também a deixaram doente.

Foi com música e dança que ela recuperou a esperança e hoje dá dica para todos nas redes sociais. “Em meio a tudo que passamos eu desenvolvi ansiedade e depressão e passei a tomar remédios. Tudo era muito difícil até que um dia passei por aqui e vi um colega dando aula de funcional na areia. Vi também um pessoal dançando. Então eu perguntei para a professora e ela explicou que era um projeto da Prefeitura, da Funesp, que era tudo gratuito. Desde então eu frequento a aulas de Zumba e Funcional, e a minha vida é outra”, garante.

Marinalva está conseguindo reduzir a medicação, e a próxima etapa é deixá-los para trás. “Nos dias que faço dança, coloco os pensamentos em ordem. Estou diminuindo a medicação, o humor melhor 100%, a paciência, tudo. As relações familiares estão melhor, eu saio daqui satisfeita, feliz, com uma energia tão boa que isso é emanado no meu dia a dia”, diz.

Com a seretonina, endorfina, ocitocina e dopamina em dia, Marinalva diz que a vida é outra e recomenda as atividades. “Eu posto todos os dias. Falo pra todo mundo o quanto é bom. A minha vida mudou e quero que todos possam mudar a sua também”, pontua.

O Movimenta CG surgiu como uma proposta de uma política pública de esporte e lazer. O objetivo é de democratizar o acesso as atividades físico-esportivas para toda a população. O projeto atendeu mais de 20.000 pessoas nos últimos 6 anos, em 46 modalidades esportivas espalhadas em 92 locais de atendimento, nas 7 regiões urbanas e nos 2 distritos. São mais de 850 oficinas para se inscrever. Quem tem interesse é só procurar um dos locais de atendimento.

Medalha olímpica

Dentre os alunos das modalidades esportivas ofertadas pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Esportes, também tem quem sonha com a medalha olímpica. Fazer de Campo Grande a Capital das Oportunidades e permitir que os jovens sonhem com tudo que quiserem ser também faz parte do projeto.

Eduarda Nantes Carneiro, de 15 anos, e Julia Althoff, de 14 anos, imaginam o pódio. As ginastas iniciaram a Ginástica Rítmica dentro dos projetos da prefeitura e já acumulam prêmios. Eduarda conta que conheceu o esporte através da filha da babá, que fazia aula no projeto. “Eu falei com minha mãe e entrei. Nestes dez anos eu já fui pra torneio estadual, nacional e jogos escolares. Em 2019 ganhei no individual. Em 2021 ganhei em dupla, com a Julia. Ficamos em 2º lugar no torneio regional e em 5º no nacional”, conta.

Desde o início, ela treina no Parque Ayrton Senna, assim como a amiga Julia, que diz ter se apaixonado pela Ginástica pela TV. “Eu conheci a ginástica assistindo uma Olimpíada. Na hora eu falei pra minha mãe que queria fazer. Aí ela me trouxe para cá [Parque Ayrton Senna]. Eu estou há 9 anos aqui. Quando comecei a ter resultado fui para a equipe de rendimento. Meu sonho é ir para fora, para a Olimpíada, para o Mundial, para o PAN”, diz.

O esporte sempre foi ferramenta de transformação. Quem nunca ouviu uma história do menino de família pobre que virou um grande craque. Da menina que sonha em ser uma grande estrela do vôlei. O esporte é peça fundamental de mudança e esperança de novas realidades que transformam vidas inteiras.

Quem sabe bem disso é Lucimar Rosa de Souza de Melo, de 44 anos, e mãe da Vitória de Souza Melo, de 8 anos. A filha tem síndrome de down e desde que começou o ballet, o desenvolvimento motor e cognitivo melhoraram.

“Ela gosta muito de ballet e tinha esse desejo. Direto falava: mãe quero fazer ballet. Só que aí veio a pandemia e ela não pode mais vir. Assim que tudo normalizou, voltamos e ela está desenvolvendo muito bem. Na apresentação ela ficou um pouco com medo, mas ela foi e fez. A professora elogia, e ela gosta muito”, derrete-se em elogios a mãe.

Quem quiser participar de alguma das mais de 40 modalidades esportivas espalhadas pelos parques, praças e centros esportivos, nas 7 regiões urbanas e nos 2 distritos, é só procurar o agente esportivo local e se inscrever. Venha com a gente transformar Campo Grande.


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