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Campo Grande
Com alta demanda e poucas vagas, instituição busca ampliar acesso ao ensino técnico gratuito nas regiões mais vulneráveis da capital
Publicado em 31/10/2025 10:08 - Semana On
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A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, ontem (30), a doação de um terreno público para a instalação de um novo campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS). A medida atende à crescente demanda por vagas nos cursos técnicos da instituição, especialmente nas regiões de maior vulnerabilidade social da capital, como Bandeira e Anhanduizinho.
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Aprovado por meio do Projeto de Lei nº 12.125/25, o terreno — localizado na Avenida Gury Marques, no Bairro Centro Oeste — será transferido à União via Superintendência do Patrimônio da União (SPU). Trata-se de uma ação estratégica, que busca enfrentar o gargalo histórico no acesso ao ensino técnico gratuito em Campo Grande.
Atualmente, o IFMS conta com apenas um campus na capital, o que coloca a cidade em desvantagem em relação a outras capitais brasileiras. Dados da própria instituição revelam um cenário de altíssima concorrência: nos cursos técnicos integrados, são 22 candidatos por vaga. Em média, apenas um em cada 16 inscritos consegue uma vaga em qualquer curso da instituição.
A reitora do IFMS, Elaine Cassiano, ressaltou a relevância da nova unidade. Em nota oficial, declarou: “A instalação do segundo campus em Campo Grande permitirá ampliar o alcance de uma educação pública gratuita, especialmente em regiões que historicamente enfrentam vulnerabilidades sociais.”. Cassiano está em Brasília articulando o projeto junto ao governo federal.
Um déficit que se arrasta
Campo Grande é a única entre as 16 maiores capitais do Brasil que ainda conta com apenas um campus do IF. Essa realidade contrasta com o objetivo dos Institutos Federais, criados em 2008 com a missão de democratizar o ensino técnico e tecnológico em todas as regiões do país, com foco no desenvolvimento local e na inclusão social.
O IFMS, com sede administrativa em Campo Grande, possui unidades em outros nove municípios de Mato Grosso do Sul. A limitação de vagas na capital, no entanto, afeta diretamente milhares de jovens, sobretudo em bairros periféricos. As regiões Bandeira e Anhanduizinho, que concentram índices elevados de vulnerabilidade social e educacional, serão diretamente beneficiadas com a nova unidade.
Segundo levantamento do IBGE (Censo 2022), essas duas regiões concentram uma parcela significativa da população jovem da cidade, muitas vezes distante de oportunidades educacionais formais, o que impacta diretamente suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho qualificado.
Expansão como política de inclusão
A expansão dos Institutos Federais tem sido uma das prioridades do governo federal em 2025, com novos campi sendo anunciados em diferentes estados. Em março deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação de 100 novos campi dos Institutos Federais em todo o país até 2026, como parte de um esforço para ampliar o acesso à educação técnica e profissionalizante.
Em entrevista recente ao jornal O Globo, o professor e pesquisador Naomar de Almeida Filho, ex-reitor da Universidade Federal da Bahia e estudioso da educação pública, destacou: “A educação técnica de qualidade pode ser o vetor mais rápido de inclusão produtiva para os jovens das periferias urbanas brasileiras”.
A chegada de um segundo campus do IFMS em Campo Grande, portanto, não se resume a uma ampliação física. Trata-se de uma resposta concreta à demanda social por educação gratuita, de qualidade e socialmente referenciada — além de um passo essencial para corrigir desequilíbrios históricos no acesso ao ensino técnico na capital sul-mato-grossense.
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