21/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

MS teve aumento de mais de 90% em casos de dengue em 2023: mortalidade também cresce

Campo Grande foi a cidade do estado que mais registrou ocorrências da doença nos últimos dois anos

Publicado em 18/01/2024 1:27 - Rafaela Palieraqui (G1MS), Semana On – Edição Semana On

Divulgação PMCG

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Mato Grosso do Sul registrou aumento de 92,4% em casos de dengue nos últimos, se comparado os dados de 2022 e 2023. No ano passado foram notificados 41.046 casos, já em 2022, 21.328, de acordo com o levantamento da secretaria estadual de Saúde (SES). Nos últimos dois anos, 2022 e 2023, foram registrados 62.374 casos de dengue em todo o estado.

Campo Grande foi a cidade do estado que mais registrou ocorrências da doença nos últimos dois anos, com 8.108, em 2022, e 12.087, em 2023. O aumento é de quase 50%. Veja as outras cidades que mais tiveram casos no ano passado:

  • Três Lagoas: 4.632 casos
  • Corumbá: 2.300 casos
  • Dourados: 1.512 casos
  • Naviraí: 1.420 casos
  • Ponta Porã: 1.411 casos
  • Maracaju: 1.380 casos
  • Ivinhema: 1.182 casos

Mortalidade cresce

Em 2022 foram registrados 12 óbitos em todo estado. Três Lagoas foi a cidade com o maior número de mortes notificadas neste período.

Já em 2023 foram registradas 24 mortes. Em comparação entre os dois anos, o número de mortes cresceu 100%. Campo Grande foi a cidade com maior números de mortes em 2023.

No balanço, o índice de mortalidade, por 100 habitantes, registrou crescimento de 78,82% entre os dois anos comparados.

Dados da dengue em 2024

Conforme as informações do boletim epidemiológico, divulgado na terça-feira (16), foram 43 número novos casos notificados neste ano. 2024 foi marcado pelo início da vacinação em massa contra o vírus da dengue em Dourados (MS).

O que fazer em caso de suspeita

Em caso de suspeita, o paciente deve ir a um posto de saúde ou a um hospital para a realização de exames laboratoriais. Os principais sintomas estão entre febre, manchas vermelhas, leucopenia (queda do número de leucócitos) e dores nas articulações.

Medidas de prevenção

A principal ação é a conscientização da população, evitar deixar a água parada, manter fechada as tampas das caixas d’água, remover galhos e folhas de calhas, trocar água de vasos de plantas, colocar lixos em lixeiras fechadas e acondicionar pneus em locais cobertos e adequados.

Prefeitura intensifica ações e reforça o alerta para os cuidados com a dengue

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), reforça o alerta à população para a importância dos cuidados para prevenir os casos de dengue no verão, época em que há um aumento na proliferação do Aedes aegypti, em razão do calor e das chuvas.  A Sesau monitora o cenário epidemiológico e tem reforçado as ações de prevenção e combate ao vetor, que também transmite a zika e chikungunya.

Desde novembro do ano passado, as equipes da secretaria vêm intensificando as medidas de prevenção e controle do vetor da dengue previstas no Plano de Contingência Municipal, que estabelece metas para conter uma possível epidemia de arboviroses, além de estabelecer diretrizes quanto à assistência e organização de fluxo. As diretrizes foram publicadas no último mês, prevendo estratégias a serem executadas até 2025 para evitar o aumento no número de casos.

Paralelamente ao chamado trabalho de manejo, que consiste na vistoria de imóveis, recolhimento de materiais inservíveis e eliminação de focos, a Sesau também tem reforçado as ações educativas e de mobilização social nas sete regiões urbanas, distritos e assentamentos (Zona Rural) de Campo Grande, para orientar a população sobre as medidas para a prevenção às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Tais iniciativas também são reforçadas na Atenção Primária, por meio das unidades básicas e de saúde da família, e nas escolas em período letivo.

Apesar dos casos de dengue estarem estáveis em Campo Grande, a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, ressalta que em razão do período de chuvas mais intensas, as medidas de prevenção devem ser intensificadas. Ela lembra ainda do risco da reintrodução do sorotipo DENV-3 em território brasileiro, que não tinha registros há mais de 15 anos.

“Neste momento, é fundamental unirmos nossos esforços para impedir a proliferação de criadouros do mosquito. Além de carregar quatro variantes do vírus da dengue, esse inseto também representa risco de transmissão do Zika vírus, Chikungunya e diversas outras arboviroses”, destaca a superintendente.

Do dia 01 a 16 de janeiro deste ano, foram notificados 212 casos de dengue em Campo Grande. Até o momento, não houve a notificação de nenhum caso de zika ou chikungunya. Em todo o ano passado a Capital registrou 17.033 notificações de dengue e seis óbitos provocados pela doença. Foram notificados, de janeiro a dezembro de 2023, 92 casos de zika e 176 de chikungunya.

A Capital fechou o segundo semestre apresentando redução significativa nos casos de dengue, se comparado com o período anterior. O pico da doença foi registrado em abril, com mais de 3 mil casos notificados. A partir de junho, houve redução expressiva com estabilização nos meses seguintes.

Ações estratégicas

O controle da doença no município é reflexo do trabalho que vem sendo executado nas sete regiões e distritos, além de ações estratégicas que envolvem a sensibilização da população, monitoramento de áreas de risco, visitas domiciliares, remoção de materiais inservíveis e de potenciais criadouros do mosquito e eliminação de focos.

No início do ano passado, a Prefeitura de Campo Grande lançou uma megaoperação, denominada “Operação Mosquito Zero”, que ao longo de quatro meses percorreu as sete regiões urbanas e distritos do município. Foram mais de 80 mil imóveis vistoriados, toneladas de materiais inservíveis recolhidos e centenas de focos do mosquito Aedes aegypti eliminados.

Paralelo à Operação Mosquito Zero, o trabalho de rotina e monitoramento é intensificado com o uso das chamadas “ovitrampas”, além da sensibilização e engajamento comunitário, através das ações de Educação em Saúde nas escolas públicas e privadas e empresas.

O município também apostou na instituição e fortalecimento de parcerias, ampliando a adesão ao projeto “Colaborador Voluntário”, que tem o objetivo de instituir a cultura da prevenção, implementando ações compartilhadas entre o poder público e privado, propiciando às empresas envolvidas no processo condições para desenvolverem de modo eficiente o programa de prevenção, evitando as doenças de caráter endêmico e epidêmico.


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