22/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Mesmo com mais favelas, Capital recebe prêmio no setor habitacional

De 2011 para cá, número de comunidades vivendo em moradias improvisadas aumentou 175% em Campo Grande

Publicado em 11/12/2023 10:44 - Vox MS

Divulgação Morador carrega bebê nos braços após ter o barraco destruído em incêndio na favela do Mandela. Foto: Alice Rodrigues/Instagram

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Apesar de o número de favelas em Campo Grande ter saltado de 16 para 44 nos últimos 12 anos, recorde equivalente a 175%, a prefeitura conquistou mais um “prêmio de excelência” no setor de habitação de interesse social.

A premiação foi anuncia pela prefeita Adriane Lopes no site da prefeitura, com a observação de que “nosso trabalho é pautado pela responsabilidade, seriedade e compromisso genuíno com as necessidades da população”.

O prêmio Selo de Mérito foi concedido à prefeitura pela Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação (ABC Habitação) e pelo Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU).

A presidente da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários de Campo Grande (Emha), Maria Helena Bugui, é diretora da ABC Habitação para a Região Centro-Oeste.

Sem comemoração

Pela conquista do prêmio, as mais de 5 mil famílias que vivem em barracos improvisados em Campo Grande não têm o que comemorar, já que o favelamento vem aumentando significativamente nos últimos anos.

Dados da Central Única das favelas (CUFA) mostram que em 2011 existiam 16 conjuntos de habitações precárias na Capital.

Em 2021, esse número saltou para 38, chegando agora a pelo menos 44, segundo avalia Letícia Polidório, presidente da CUFA.

Levantamento

“Não temos ainda os números reais, pois estamos realizando um levantamento. Mas com certeza já chegamos a 44”, diz ela, ao anunciar que a quantidade de famílias que vivem nessas comunidades também está sendo apurada.

Comparando-se os números de 2011 com os de 2023, o aumento é de 175%. E a tendência é de aumento em função da política habitacional pouco efetiva da prefeitura de Campo Grande.

Falta de iniciativa

A falta de iniciativa do município com relação à situação das famílias que vivem em favelas pode ser constatada partir do incêndio que destruiu dezenas de barracos na comunidade do Mandela no dia 16 de novembro.

Ao se dar conta do tamanho do estrago provocado pelo incêndio, a prefeita Adriane Lopes correu para o local com a sua equipe, de onde passou a divulgar em vídeos publicados nas redes sociais as providências adotadas para mitigar o sofrimento dos moradores.

Não fosse o incêndio, talvez os moradores do Mandela sequer estivessem sendo lembrados. Por sua vez, famílias que residem em outras favelas seguem sem a atenção necessária por parte da gestão Adriane Lopes.

Aluguel social  

Uma das iniciativas da prefeitura foi a liberação de recursos do Programa Aluguel Social, no valor de R$ 500,00 a cada uma das 67 das 187 famílias que perderam seus barracos e pertences no incêndio.

Com o dinheiro é possível alugar um quarto com banheiro e cozinha, o que não atende a maioria das famílias atingidas, seja pelo número de pessoas que compõe o núcleo familiar, ou ainda porque estas não têm condições de arcar com esse valor.

Ação pontual

Outra providência com relação aos moradores do Mandela, que não se estendeu às outras 43 favelas existentes em Campo Grande, foi o anúncio, pela Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha), da construção de 100 casas e a doação de terreno e materiais de construção para as famílias atingidas pelo incêndio.

Em socorro à prefeitura, o governo do Estado, através da Agência de Habitação Popular de MS (Agehab), vai construir mais de 80 casas para moradores da favela do Mandela e auxiliar com recursos para a aquisição de lotes sociais.

Realidade atual

Hoje, apenas servidores da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) e do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), além da CUFA, permanecem na favela do Mandela dando apoio aos moradores.

A população continua ajudando, por meio de doações, mas agora as famílias enfrentam outro problema, que é o alagamento das barracas cedidas pelo Exército, em função do período de chuvas.

Como doar?

Os interessados em doar podem entregar os produtos para a CUFA. As doações podem ser entregues na Rua Livino Godoi, 710, bairro São Conrado, ou na Rua Salamanca, 133, bairro Bonança. Mais informações pelo telefone (67) 99181-8142 ou nas redes sociais.


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