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Campo Grande
Estudo revela disparidades significativas entre instituições de ensino, com diferenças que superam três vezes o menor valor registrado
Publicado em 11/01/2025 11:37 - Semana On
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Uma pesquisa conduzida pelo Procon de Mato Grosso do Sul, vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), revelou variações de até 340% nos valores de mensalidades escolares em Campo Grande. O levantamento foi realizado entre os dias 6 e 8 de janeiro em 16 escolas da capital sul-mato-grossense, expondo uma grande disparidade nos custos cobrados pelas instituições de ensino privadas.
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Os dados mostram que os valores finais das mensalidades podem ser influenciados por diferentes fatores, como o turno de estudos (matutino, vespertino ou integral) e a política de descontos por adimplência, que pode oferecer abatimentos de até 15% no caso de pagamento antecipado. Apesar dessas variações, os números evidenciam uma questão estrutural: o custo da educação privada na cidade está longe de ser homogêneo, refletindo discrepâncias que vão além do simples cálculo de despesas operacionais.
Educação fundamental: um abismo financeiro
No ensino fundamental I, que abrange do 1º ao 5º ano, a variação mais acentuada foi registrada, alcançando 340,31%. Enquanto uma mensalidade no período vespertino custa R$ 488,97 no Centro, o mesmo serviço chega a R$ 2.153 no Jardim Autonomista. A diferença de mais de três vezes o valor do menor custo aponta não apenas uma segmentação socioeconômica, mas também um mercado educacional altamente desigual.
No ensino fundamental II, que compreende do 6º ao 8º ano, a variação foi menor, mas ainda significativa: 162,43%. A menor mensalidade foi de R$ 770, cobrada em uma escola na Vila Jacy, enquanto o maior valor, R$ 3.642,58, foi identificado em uma instituição no Jardim dos Estados.
Ensino médio: desigualdades persistem
A diferença também é marcante no ensino médio integral. Para o 1º ano, os preços variam de R$ 1.262,50 no Bairro Amambai a R$ 3.605,88 no Jardim dos Estados, uma disparidade de 185,61%. Esse padrão revela que, embora o acesso ao ensino privado seja comum entre as classes médias e altas, os custos ainda limitam severamente a escolha das famílias em função de sua renda.
Desafios para a educação inclusiva
A educação é um direito fundamental previsto pela Constituição Federal de 1988, que estabelece como obrigação do Estado garantir o acesso à educação básica. Contudo, na esfera privada, onde o serviço é tratado como mercadoria, o custo das mensalidades muitas vezes reflete desigualdades históricas e econômicas, tornando a inclusão social um desafio.
Especialistas em educação apontam que essas diferenças não são apenas uma questão de preço, mas de acesso a oportunidades. Para a economista e educadora Claudia Costin, “o acesso à educação de qualidade é um dos principais motores de redução da desigualdade social. Disparidades tão grandes nos custos do ensino privado mostram o quanto o Brasil ainda precisa avançar para democratizar o acesso a uma formação de qualidade”.
O papel das políticas públicas
Embora o Procon-MS tenha cumprido sua função de alertar os consumidores sobre as diferenças de preços, o problema subjacente parece estar enraizado em questões estruturais. O Brasil ainda investe menos em educação em comparação com outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com dados do Relatório de Monitoramento Global da Educação, a média brasileira de investimento por estudante é cerca de metade da média da OCDE.
Enquanto isso, para muitas famílias, a decisão de optar pela rede privada está ligada à percepção de baixa qualidade no ensino público. Contudo, o alto custo do setor privado levanta questionamentos sobre a sustentabilidade desse modelo e sobre o papel do Estado em assegurar que todos os cidadãos tenham acesso a uma educação digna, independentemente de sua classe social.
Reflexão necessária
A pesquisa do Procon-MS é mais do que um alerta ao consumidor: é um retrato de uma desigualdade que precisa ser enfrentada com políticas públicas eficazes e comprometidas com a equidade. A educação, mais do que um direito, é um pilar para a construção de uma sociedade democrática e igualitária. Combater a desigualdade nesse setor significa investir no futuro de milhões de brasileiros. Afinal, como afirmava o educador Paulo Freire, “a educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
A pesquisa completa pode ser consultada no site do Procon Mato Grosso do Sul.
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