Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Campo Grande
Vazamento de efluentes e multa: um histórico de irregularidades
Publicado em 20/11/2024 11:26 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
O forte odor que há anos incomoda os moradores do bairro Nova Campo Grande e arredores voltou a ser alvo de denúncias formais contra o frigorífico JBS. Desta vez, uma nova reclamação foi anexada ao Inquérito Civil conduzido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que acompanha a situação desde maio de 2024.
Clique para seguir a SEMANA ON no Instagram, no Facebook e no Whatsapp
A promotora responsável, Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, solicitou ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) um parecer sobre o Plano de Monitoramento Ambiental (PAM) apresentado pela empresa. O objetivo é verificar o cumprimento das exigências feitas após fiscalização que apontou diversas irregularidades ambientais.
Em uma denúncia oficializada no último dia 6, um morador relatou o desconforto vivido pela comunidade. “Hoje, às 23h30, passamos a sentir um odor terrível de fezes, proveniente da produção da empresa JBS […] Já é a segunda vez na semana que isso ocorre, e está insuportável”, descreveu o denunciante.
O problema não é novo. Além de audiências públicas e protestos, cerca de 200 ações judiciais individuais foram ajuizadas por moradores exigindo indenizações devido ao mau cheiro persistente. Muitos apontam uma piora desde outubro, apesar de relatos de curtos períodos de melhora.
Vazamento de efluentes e multa: um histórico de irregularidades
O odor estaria relacionado a um vazamento de efluentes da planta frigorífica, que contaminou o solo ao redor do córrego Imbirussu. Segundo o Imasul, o projeto de recuperação da área afetada só foi iniciado em abril deste ano, dois meses após uma fiscalização multar a JBS em R$ 100 mil e exigir a regularização de oito pontos críticos.
Entre as medidas impostas, destaca-se o item que determina a recuperação de áreas afetadas pelo extravasamento, tanto dentro do perímetro da indústria quanto em áreas adjacentes ao corpo hídrico. A previsão de conclusão do projeto é 2030, o que implica que os moradores ainda terão que conviver com os impactos por mais seis anos.
Impactos sociais e econômicos
Moradores da região relatam que o odor prejudica a qualidade de vida, especialmente em dias chuvosos ou com mudanças climáticas.
A JBS, que tem faturamento estimado em R$ 27,5 bilhões por mês, ainda não se manifestou sobre as novas denúncias, embora o espaço para posicionamento siga aberto.
Renovação da licença ambiental em risco
A continuidade das denúncias pode comprometer a renovação da licença ambiental da unidade localizada na Avenida Duque de Caxias. O MPMS sinalizou que novas irregularidades podem levar a ações mais severas contra a gigante do setor alimentício.
Enquanto isso, os moradores do Nova Campo Grande seguem lutando contra os impactos ambientais e buscando justiça. A fiscalização do Imasul, as medidas propostas e a pressão comunitária indicam que a disputa está longe de ser resolvida.
Deixe um comentário