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Campo Grande

JBS ignora comunidade e pode ser forçada a mudar de local

Após anos de queixas e processos judiciais, frigorífico resiste a acordo extrajudicial e enfrenta possível deslocamento

Publicado em 10/03/2025 10:19 - Semana On

Divulgação Photoshop

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A relação entre a gigante do setor alimentício JBS e os moradores de Campo Grande, especialmente dos bairros Nova Campo Grande e Jardim Carioca, se deteriora a cada dia. O mau cheiro persistente emanado da planta frigorífica há mais de 14 anos transformou-se em um problema de saúde pública e qualidade de vida, levando o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a tomar medidas drásticas. Agora, a Justiça pode determinar a transferência da unidade para o Núcleo Industrial caso o problema continue.

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A crise se arrasta há anos, alimentada pela recusa da JBS em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mesmo diante da pressão popular e de investigações conduzidas pelo MPMS. A insatisfação da comunidade levou o caso até o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), exigindo uma resposta firme do poder público. O MPMS, respaldado por três vistorias técnicas e dezenas de denúncias, concluiu que a JBS falhou sistematicamente em mitigar os impactos ambientais de sua operação.

Ameaça de transferência e medidas emergenciais

O novo capítulo dessa batalha judicial prevê que, caso se comprove a inviabilidade da permanência da planta na região, a Justiça poderá determinar sua remoção para o Núcleo Industrial, no Indubrasil, ou outro local mais apropriado. Enquanto isso, o MPMS solicitou ações emergenciais, como a detecção e reparação de falhas no sistema de exaustão, além do plantio de uma cortina de árvores ao redor da unidade para minimizar o impacto ambiental.

Outra exigência central do MPMS é a apresentação de um projeto técnico para vedação e isolamento das unidades responsáveis pela emissão de gases, com prazos rigorosos para implementação. Caso descumpra essas determinações, a JBS pode enfrentar penalidades severas.

Histórico de conflitos e descaso da empresa

A postura da JBS em relação à comunidade campo-grandense não é um caso isolado no Brasil. Empresas de grande porte frequentemente desafiam regulações ambientais, apostando na morosidade do sistema judicial para postergar mudanças operacionais. No caso de Campo Grande, os relatos dos moradores indicam que o problema não se resume apenas ao desconforto do mau cheiro, mas a potenciais riscos à saúde, uma questão que remete a princípios básicos de direitos humanos e qualidade de vida urbana.

A relutância da JBS em firmar um acordo extrajudicial reflete um histórico de resistência a obrigações socioambientais mais amplas. Estudos na área de sociologia econômica indicam que grandes corporações tendem a tratar multas e ações judiciais como meros “custos operacionais”, em vez de enxergá-los como sinais de uma necessária mudança de postura. Segundo o sociólogo David Harvey, o neoliberalismo permitiu que empresas maximizassem lucros às custas do bem-estar coletivo, um padrão visível em casos como este.

O papel do estado e a pressão popular

A persistência da comunidade e a mobilização do MPMS demonstram o poder da sociedade civil na fiscalização de grandes empresas. Como ensina a filósofa Hannah Arendt, o poder não reside apenas nas instituições, mas também na capacidade de ação coletiva dos cidadãos. O fato de a JBS estar sendo levada à Justiça após denúncias populares é um exemplo prático desse princípio.

Ainda que a decisão final esteja nas mãos do Judiciário, o caso já representa um marco na luta por justiça ambiental e responsabilidade corporativa em Campo Grande. Se a JBS não tomar medidas eficazes para solucionar o problema, poderá sofrer uma derrota histórica, forçando-a a mudar sua operação e reconhecendo que os interesses empresariais não podem se sobrepor ao bem-estar da população.

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