29/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Horta urbana virou negócio para quem saiu do campo, mas ama trabalhar com a terra

Ministra e Governo de MS têm encontro com mulheres da agricultura familiar

Publicado em 31/01/2024 12:51 - Semana On

Divulgação PMCG

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Em um cenário onde a busca por soluções sustentáveis e socialmente responsáveis está em ascensão, as hortas urbanas com fins sociais têm se destacado como uma poderosa ferramenta para promover o desenvolvimento, gerando emprego e renda de maneira significativa.

Muitas pessoas que saíram do campo para a cidade, viram que tudo que aprenderam na roça tem valor e aplicar os conhecimentos passados de pai para filho virou negócio. Valdecir Pereira Cabral, produtor urbano, conta que começou a Horta Colinas há cerca de 10 anos. No começo, o empreendimento era uma alternativa, já que a profissão de pedreiro não vingou.

“Eu vim da roça e desde pequeno trabalhei na terra com o meu pai. Eu via ele produzindo e aprendi a produzir também. Com mais ou menos 25 anos vim para Campo Grande tentar a vida, mas quando cheguei aqui fui trabalhar de pedreiro e não deu certo. Aí descobri essa área aqui e comecei a produzir. Aos poucos fui plantando, crescendo e agora já faz 8 anos que estou aqui. Eu produzo de tudo, salsinha, cebolinha, a milho, mandioca, abóbora, quiabo, maxixe… De tudo”, conta.

Ele explica que o apoio que Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio dá para o negócio é fundamental. “Sem os serviços que a Prefeitura faz pra gente eu não conseguiria estar onde estou. Por exemplo, a hora de um trator custa de R$ 600 a R$ 700. Mas com o apoio da Sidagro com a patrulha mecanizada, não tenho esse custo. Então é muito importante pra gente, que é pequeno”, diz.

José Carlos Dias Borges que também é produtor de uma horta urbana Chácara das Palmeiras concorda. Há dez anos trabalhando com a terra ele revela que o impulsionamento no negócio veio com o apoio da Prefeitura.

“Comecei devagar com 5 canteiros, aí foi pra dez, e foi indo, até que veio a Secretaria aqui ajudar e hoje tenho uns 100 canteiros. Cada vez mais a gente vem crescendo e evoluindo com o apoio das máquinas e toda a orientação que nos dão. E isso não é só pra mim, é para todos os produtores que como eu precisam dessa ajuda”, frisa.

A Prefeitura de Campo Grande tem desempenhado um papel crucial nesse processo. Atualmente, através da Sidagro, o poder público apoia 232 hortas urbanas em Campo Grande, sendo que 170 delas são voltadas para fins econômicos. São 170 famílias que vivem diretamente das hortas, além de funcionários e trabalhadores diretos e indiretos.

“Esse trabalho é muito importante porque além de levar uma comida saudável e de qualidade para a mesa da nossa população, garante emprego e renda para muitas famílias. É um trabalho que nos enche de orgulho! Você ver o produtor crescendo, gerando sustento para sua e para outras famílias, ver o capricho que eles têm com a produção, é bom demais. Isso é desenvolvimento econômico dentro do agro acontecendo aqui no perímetro urbano”, enfatiza o secretário municipal da Sidagro, Adelaido Vila.

A Secretaria também apoia hortas socais, atualmente são 60 hortas inscritas no programa Hortas Urbanas. O número representa um crescimento de 50% em comparação ao ano anterior. Ao contrário das hortas com fins lucrativos, que recebem um apoio inicial e, posteriormente, seguem independentes, as hortas sociais mantêm um apoio constante da Sidagro. Além de mudas e adubos, as iniciativas recebem suporte com maquinário agrícola, proporcionando um ambiente propício para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar.

Quer saber mais sobre essa iniciativa entre em contato com a Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio no 4042-0497.

Ministra e Governo de MS têm encontro com mulheres da agricultura familiar

Apesar da composição da mesa de autoridades do auditório do Bioparque Pantanal, o palco foi delas. Na tarde de segunda-feira (29), as mulheres da agricultura familiar, quilombolas e indígenas foram as protagonistas que, com o microfone em mãos, relataram as dificuldades, anseios e demandas sentidas por quem vive no campo, nos quilombos ou em aldeias indígenas e também em contexto urbano.

A escuta foi feita pela ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, a superintendente estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Marina Nunes Viana, a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos, e demais parlamentares da bancada federal e estadual de MS.

O Encontro das Mulheres da Agricultura Familiar deu voz a representantes de movimentos que debateram sobre violência de gênero, documentação e direitos à cidadania dos povos originários e das comunidades tradicionais.

Representando a Liga Camponesas e Urbanas do Brasil, Janaína dos Santos Silva foi à frente com a filha bebê nos braços. Acostumada a trabalhar com a pequena Alice, de 7 meses, no colo, a mãe perguntou o que está sendo planejado para as trabalhadoras do campo.

“Quais as políticas públicas que o Governo Federal vai aplicar em prol da comunidade rural? Sabemos que existe a Lei Maria da Penha, que existem as leis trabalhistas, só que nós também sabemos que a cultura no campo é totalmente diferente. A gente quer saber quais políticas serão implementadas de imediato, médio e longo prazo”, questionou.

Vice-presidente da comunidade quilombola Tia Eva, Graziele Ferreira trouxe demandas territoriais e de assistência. “Estamos lutando há muitos anos por titulações, um posto de saúde, territórios para as crianças brincarem, uma sala de atendimento às mulheres, realização de encontros quilombolas e curso de formação para os jovens”, pontuou.

Representando as mulheres indígenas, Lilian Terena falou pelo núcleo de articulação do contexto urbano, ao lado de duas cacicas mulheres. Entre as reivindicações, Lilian trouxe a pauta do atendimento às mulheres indígenas vítimas da violência de gênero.

“Quem está sofrendo são as mulheres indígenas, as crianças, filhas, netas. Gostaria de solicitar, por favor, que a Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande tenha um grupo de mulheres indígenas. Estou apelando para que tenha mais qualificação e treinamento para que mulheres indígenas ocupem seus espaços. A violência contra a mulher e a criança indígena é uma realidade em qualquer lugar”, enfatizou.

Para a superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Marina Nunes Viana, o encontro proporcionou a escuta das mulheres em seus anseios vivenciados em acampamentos e assentamentos de todo o Estado.

“Hoje a gente tem uma diversidade de companheiras de luta da classe trabalhadora. Onde tem uma mulher, sempre vão ter outras juntas, e assim segue. Este momento é de grande importância onde justamente com a Secretaria da Cidadania, vamos escutá-las”, ressaltou Marina.

Da pasta da Cidadania do Estado, a subsecretária de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Vânia Lúcia Duarte, engrandeceu este momento de fala. “Poucas vezes as mulheres quilombolas têm essa oportunidade, e elas também são lideranças, têm um protagonismo dentro das comunidades, são a força dos quilombos, e hoje elas trouxeram as suas pautas sobre território, educação, saúde, moradia e a garantia de um futuro dentro dos territórios quilombolas”, afirmou Vânia.

Recém-empossada na subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos chamou a atenção para a necessidade de discutir as políticas públicas para a diversidade de mulheres que compõem Mato Grosso do Sul.

“A violência contra a mulher é muito mais perversa para as populações tradicionais, por conta do não acesso às políticas públicas e a dificuldade de acessar as políticas públicas, justamente por serem populações mais afastadas do centro urbano, além de uma dimensão de comportamentos, relações de gênero, relações sociais, relações de poder. Então, é fundamental que as políticas sejam pensadas para atender, de fato, às especificidades desses grupos de trabalhadoras rurais, comunidades quilombolas, mulheres indígenas, mulheres ribeirinhas”, sustentou Manuela.

Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves pontuou ser uma prioridade do Governo Federal a escuta de todas as mulheres. “Meu papel hoje aqui é sentar e anotar o que vocês falaram. Estamos ouvindo as mulheres onde elas estiverem, para saber quais são as principais demandas e questões para que nós possamos, juntas, transformar políticas públicas”.

A ministra ainda afirmou que o Governo Federal segue na articulação do PPA e orçamento para os próximos anos, e que o encontro é parte do início das discussões da conferência nacional de políticas para mulheres que acontecerá em 2025.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *