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Campo Grande
Especialistas recomendam o uso de máscaras
Publicado em 13/09/2024 10:45 - Semana On
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A qualidade do ar em Mato Grosso do Sul atingiu nesta sexta-feira (13) o pior nível do ano. Um denso nevoeiro de fumaça, proveniente de queimadas no Pantanal e na Bolívia, encobriu prédios e comprometeu a visibilidade em Campo Grande.
O professor Widinei Alves Fernandes, do Instituto de Física e coordenador da Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), relatou que o corredor de fumaça, originado na Amazônia e em países vizinhos, atravessou o estado. “Estamos registrando concentrações de PM2,5 acima de 110 µg/m³, enquanto os níveis considerados saudáveis ficam abaixo de 10 µg/m³”, explicou Fernandes.
O monitoramento da qualidade do ar, feito pela estação Qualiar da UFMS, confirma que os índices atuais estão em níveis alarmantes, exigindo medidas preventivas.
Efeitos na saúde e uso de máscaras
O otorrinolaringologista Bruno Nakao alertou para os riscos à saúde provocados pela exposição prolongada à fumaça. Segundo ele, o contato com partículas tóxicas pode desencadear problemas respiratórios como faringites, crises de asma, bronquites, e rinites alérgicas.
“O ressecamento da mucosa nasal é uma consequência do ar seco, que pode atingir níveis de umidade abaixo de 12%, elevando os riscos de sangramento e inflamação”, explicou Nakao. Além disso, sintomas como dor de garganta, rouquidão e inflamações na faringe e laringe estão entre os problemas mais frequentes nesse cenário.
O médico destacou que o uso de máscaras é recomendado apenas em casos de exposição aguda à fumaça, enquanto a lavagem nasal seria a medida mais eficaz para lidar com as partículas inaladas.
Aulas suspensas em cidades encobertas pela fumaça
Nas cidades de Corumbá e Ladário, no oeste de Mato Grosso do Sul, a fumaça das queimadas se tornou tão intensa que as autoridades locais decidiram suspender as aulas nesta sexta-feira (13). A população tem adotado o uso de máscaras como precaução.
Segundo o BDQueimadas, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Corumbá lidera o ranking de focos de incêndio no estado, com 97 pontos de calor registrados na quinta-feira (12). No Pantanal, as chamas já devastaram cerca de 3 milhões de hectares, e os primeiros 10 dias de setembro contabilizaram 736 focos de incêndio, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.
Além das queimadas no Brasil, a fronteira com a Bolívia, que abrange as cidades de Corumbá e Ladário, também enfrenta uma onda intensa de incêndios desde o início deste mês.
Para conter o avanço do fogo na região, brigadistas do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estão atuando em solo boliviano, com o objetivo de evitar que as chamas alcancem a Serra do Amolar, um importante santuário da biodiversidade no Pantanal e Patrimônio Natural da Humanidade. A equipe de reportagem do g1 acompanhou de perto o trabalho desses profissionais.
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