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Campo Grande

Feminicida foragido comete novo assassinato em Campo Grande

Este é o 32º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2025

Publicado em 29/10/2025 3:14 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Um feminicida foragido desde 2022 matou uma segunda mulher na noite de terça-feira (28), em Campo Grande. Luana Cristina Ferreira Alves, de 32 anos, foi esfaqueada 11 vezes por Gilson Castelan de Souza, preso em flagrante minutos após o crime. Este é o 32º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2025. O acusado já era procurado pela Justiça desde junho de 2022, quando matou a ex-companheira, Silbene Duroure da Guia, também a golpes de faca, em Várzea Grande (MT).

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Segundo a Polícia Militar, Luana foi atacada no cruzamento das ruas Maicuru e Valpes, no bairro Jardim Columbia. Socorristas do Samu tentaram reanimá-la após uma parada cardíaca, mas ela não resistiu aos ferimentos. De acordo com testemunhas, a vítima ainda tentou pedir ajuda em frente a uma empresa, mas foi encontrada caída, com sangramentos na nuca, rosto e costas. A faca usada por Gilson foi apreendida no local.

O crime comoveu moradores da região e chocou familiares. Luana deixa cinco filhos menores de idade. O irmão da vítima, que preferiu não se identificar, relatou que a irmã vinha tentando se afastar de relações violentas. Gilson foi autuado por feminicídio e o caso está sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Justiça ausente, violência reincidente

O histórico de Gilson Castelan expõe falhas estruturais do sistema judicial e da segurança pública. Após matar Silbene em 19 de junho de 2022, ele teve a prisão preventiva decretada três dias depois, mas nunca foi capturado. Passou mais de dois anos foragido, até cometer um segundo feminicídio, com método idêntico e violência extrema. Silbene foi morta com 13 facadas; Luana, com 11.

O caso levanta uma pergunta desconcertante: como um homem procurado por assassinato pôde circular livremente entre dois estados por mais de 800 dias? Não há, até o momento, explicações oficiais sobre falhas no cumprimento do mandado de prisão.

Segundo dados da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS), entre janeiro e outubro de 2025, o estado já contabiliza 17.673 mulheres vítimas de violência doméstica, além de 1.627 casos de estupro. Os principais agressores são cônjuges (2.823 registros) e companheiros conviventes (1.217). O feminicídio de Luana é mais um entre tantos que escancaram a reincidência e a impunidade.

O Estado que não protege, mulheres que se defendem

Diante da crescente omissão institucional, mulheres têm buscado meios próprios de proteção. Um exemplo é a criação da plataforma Plinq, desenvolvida por Sabrine Matos, 28 anos, após o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, também vítima de um parceiro com histórico de violência. A ferramenta permite consultar, por nome e telefone, antecedentes criminais e processos judiciais em nome de um possível parceiro.

Com linguagem acessível e sistema de avaliação baseado em “red flags” (bandeiras vermelhas) e “green flags” (bandeiras verdes), a Plinq ultrapassou 15 mil usuárias em menos de dois meses. A expectativa é que a iniciativa gere receita superior a R$ 2,2 milhões em seu primeiro ano, com assinatura anual de R$ 97,00.

“A Plinq oferece uma verificação completa para que você conheça a verdadeira história de quem está entrando na sua vida”, diz a descrição oficial da plataforma, que opera exclusivamente com dados públicos. Mesmo assim, a startup mantém acompanhamento jurídico constante, diante das incertezas geradas pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

A iniciativa se soma a uma série de tentativas da sociedade civil de suprir lacunas deixadas por um Estado que falha em garantir o básico: o direito das mulheres à vida.

Feminicídio como política de morte

Especialistas apontam que o feminicídio no Brasil é mais do que um fenômeno criminal: trata-se de uma expressão brutal das desigualdades de gênero e da conivência institucional. Segundo a antropóloga Debora Diniz, professora da UnB, “o feminicídio é o ponto final de um roteiro de violência tolerado socialmente, legitimado pelo silêncio das instituições e muitas vezes precedido por inércia policial e judicial”.

O caso de Gilson Castelan não é um ponto fora da curva. Ao contrário, é o retrato fiel de um padrão estrutural: homens violentos reincidem porque sabem que podem. Sabem que o Estado é lento, que a vigilância é falha, e que a justiça, muitas vezes, é uma abstração para as mulheres que denunciam.

Enquanto os tribunais se omitem, startups como a Plinq tentam preencher, com tecnologia e coragem, o abismo que separa as denúncias da proteção real. Mas não deveria ser assim.

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